
Programação tem início às 19h, com procissão saindo da Igreja São Bento, e segue para apresentação na Concha Acústica, às 20h, com recursos visuais e trilha sonora ao vivo.
@caroline_leidiane
A Encenação da Paixão de Cristo volta a ocupar as ruas de Votuporanga nesta sexta-feira (3), mobilizando a comunidade em torno de um dos rituais mais emblemáticos da Semana Santa. A programação começa às 19h, com procissão que parte da Igreja São Bento e segue até a Concha Acústica, onde ocorre a apresentação a partir das 20h.
Com mais de 30 anos de realização, a encenação se consolidou como uma prática contínua de participação popular, atravessando gerações e mantendo uma relação direta com a vivência religiosa local.
Ao longo desse percurso, o evento deixou de ser apenas uma representação episódica. Firmou-se como um marco do calendário cultural e espiritual do município, sustentado pelo envolvimento coletivo.
Também ocupou espaços emblemáticos, como o antigo Estádio Plínio Marin e a Praça Dr. Fernando Costa. Esses locais contribuíram para ampliar a visibilidade e dimensão do espetáculo durante a Semana Santa.
A diretora geral, professora Patrícia Cristine Tomé Silva, que integra a Via Sacra há 25 anos, destaca esse caráter construído ao longo do tempo, ancorado na presença ativa dos fiéis.
“Um dos aspectos mais marcantes é a continuidade da participação da comunidade ao longo das gerações. Muitas famílias acompanham a encenação há anos, com integrantes há mais de 20 anos nesse trabalho, mantendo viva a fé. Esse envolvimento mostra que a encenação se tornou uma herança religiosa, cultural e afetiva para Votuporanga”, diz.

O trajeto da procissão, que percorre as ruas da cidade, amplia o caráter coletivo da celebração e transforma o espaço urbano em extensão da própria encenação. Ao reunir moradores em caminhada, o percurso reforça vínculos, aproxima gerações e projeta a manifestação religiosa para além do palco, consolidando sua dimensão pública.
Na Concha Acústica, a apresentação ganha novos contornos nesta edição. A estrutura incorpora recursos que intensificam a experiência do público, como a utilização de telão integrado à cenografia e a presença de trilha sonora ao vivo, com participação de coral, o que confere maior densidade às cenas.
“Esse recurso ajudará a intensificar a experiência da encenação, aproximando ainda mais as pessoas da mensagem de fé, amor e esperança vivida na Paixão de Cristo. A emoção é diferente, o clima é diferente. Este é o segundo ano com o coral, ainda é uma novidade para nós”, ressalta Patrícia.
A Encenação da Paixão de Cristo é realizada pela Paróquia São Bento e pela Catedral Nossa Senhora Aparecida de Votuporanga, com apoio da Prefeitura, responsável pela concessão do espaço, além de estrutura de som e iluminação.
A montagem envolve mais de 40 participantes, entre elenco, equipe técnica e voluntários, responsáveis por diferentes frentes da produção. Personagens centrais da narrativa bíblica se somam ao trabalho de bastidores, que inclui figurino, sonoplastia e organização. À frente da coordenação estão o padre Gilmar Antônio Fernandes Margotto, da Catedral Nossa Senhora Aparecida, o padre Carlos Rodrigues dos Santos, da Paróquia São Bento, Marcelo Coienca e Fernanda Coienca, além de Maria Colato. A direção artística é de Fábio Dias, da Catedral, além da direção geral da professora Patrícia Cristine Tomé Silva, em um esforço coletivo que sustenta a realização do espetáculo.
Inserido em um contexto contemporâneo marcado por dispersão e aceleração, o evento se mantém como um ponto de inflexão no cotidiano, convocando o público a uma experiência compartilhada.
Ao reunir fé, memória e participação coletiva, a Encenação da Paixão de Cristo crava sua permanência como expressão viva da identidade cultural e espiritual de Votuporanga.
“A encenação se torna um instrumento de reflexão sobre o sacrifício, o amor e a ressurreição de Jesus Cristo, permitindo que crianças, jovens, adultos e idosos vivenciem de forma mais próxima os ensinamentos cristãos”, finaliza Patrícia.




