
Em novo livro, Frank Muniz leva a inteligência artificial para o universo do cordel e coloca a oralidade e a experiência humana diante dos códigos da tecnologia; obra está em fase de lançamento durante o Festival Literário de Votuporanga.
@caroline_leidiane
A inteligência artificial entrou no universo do cordel pelas mãos de Frank Muniz. No livro “A Batalha da Inteligência Artificial contra a Humana”, lançado pela Serifa Editora, o escritor maranhense transforma o debate vigente em uma peleja poética entre o humano e a tecnologia.
A obra está disponível no estande da editora durante a programação do Fliv (Festival Literário de Votuporanga), onde o escritor também apresenta outros títulos de sua autoria. O espaço permite ao público conhecer seu trabalho, conversar sobre a produção literária e obter autógrafos.
A narrativa coloca Frank Muniz diante de Janaína, personagem que representa a inteligência artificial. O encontro é construído como um desafio de argumentos: enquanto o poeta defende o contato humano, a sensibilidade e o valor do natural, Janaína apresenta possibilidades de uso da tecnologia em diferentes áreas.
A nova produção literária coloca em contato duas formas distintas de inteligência: de um lado, a tradição do cordel, construída na oralidade, no improviso, na cadência dos versos e na experiência humana; de outro, uma tecnologia que opera a partir de dados, códigos e sistemas artificiais. É desse contraste que o escritor constrói sua peleja: a inteligência artificial entra em cena, mas encontra pela frente uma linguagem essencialmente humana ditada pelo ritmo do poeta.
A dimensão visual é, igualmente, parte da construção do livro. As xilogravuras são assinadas por Marília da Silva, artista de Campos do Jordão que também ilustra os demais livros de Frank.
O autor
A presença de Frank no Fliv não é novidade. Na edição de 2025, o escritor esteve no festival com o lançamento de “Vamo vê cumé que é”. A obra apresenta nove textos acompanhados de xilogravuras, mantendo a combinação entre crítica social, humor, musicalidade e tradição do cordel.
Nascido em Pio XII, no Maranhão, em 1968, Frank Muniz construiu sua trajetória literária a partir da poesia popular e do improviso. Cursou parte do ensino médio e, ao longo da vida, teve contato com diferentes ambientes e manifestações musicais durante os períodos em que viveu no Pará, em Roraima, na Venezuela e na Guiana Inglesa. Também morou em São José do Rio Preto e, atualmente, atua como “poeta de bancada” em Campos do Jordão.
O autor construiu sua relação com a literatura de cordel ainda na adolescência. O primeiro folheto foi publicado em 2006 e, desde então, desenvolveu uma produção marcada por oralidade, humor e observação do cotidiano. Ao longo dessa trajetória, Muniz já soma 80 mil exemplares vendidos.




