Diretor do HB alerta: “Comecem a se preocupar”

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O diretor-executivo da Funfarme (Hospital de Base de Rio Preto) Dr. Jorge Fares, disse na manhã desta sexta-feira, que a instituição em menos de 15 dias apontou um aumento de 130% nas internações de pacientes infectados pelo novo coronavírus.

“No dia 22 de maio nós tínhamos 14 pacientes de UTI e hoje temos 32, um aumento de 130%, mais do que o dobro; na enfermaria tínhamos 28 pacientes e hoje temos 49, quase o dobro. Uma coisa assustadora e muito preocupante. Nesses dias aumentou muito o número de óbitos na nossa instituição em pacientes com Covid, então é esse o alerta que eu quero passar. Nós estamos numa fase de plena ascensão. Com certeza não atingimos o pico, que ainda está por vir; não vamos ser otimistas que já o atingimos e que agora vai cair. Ontem (4) recebemos 5 pacientes só de Votuporanga, onde existe um problema também de excesso de pacientes com Covid. Aquela UTI com 10 leitos já atingiu sua capacidade; a nossa Santa Casa de Rio Preto também está lotada e a demanda vai toda vir para o Hospital de Base, então estamos correndo sérios riscos aqui na nossa instituição como um todo; os pequenos municípios não tem estrutura para atender essa população, então é muito importante entender que é hora de agir, depende da população, daquele isolamento tão divulgado, evitar essas aglomerações exageradas que estão acontecendo, tudo isso que nós vimos ao longo desta semana na cidade de Rio Preto. É hora de mudar essa situação, a nossa parte nós fizemos, aumentamos leitos. O Hospital de Base está dimensionado para 117 pacientes de UTI e com 310 de enfermaria, não queremos atingir este número porque o doente vai para UTI e lá de 40 a 50% acabam morrendo, a mortalidade é alta. Então comecem a se preocupar e a se angustiar; os jovens podem não ficar doentes, mas transmitem para seus parentes, amigos, aos mais idosos, pessoas com comorbidades. É chegada a hora da sociedade ter um pouco de angustia e responsabilidade, é isso o que eu estou pedindo e o faço dessa vez mais preocupado com o que está acontecendo. A nossa instituição não suporta uma grande demanda, dessas que a gente tem visto na televisão. Então vamos tomar cuidado, vamos agir. Tenho certeza que juntos nós passaremos  dessa fase de uma forma menos grave do que se tem visto no Brasil”.