De passagem 

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Padre Djalma Lúcio Magalhães Tuniz atua nas cidades de Américo de Campos e Pontes Gestal e exerce o sacerdócio há 18 anos - Foto: Larissa Ferracini 

Padre Djalma reúne crônicas publicadas neste jornal e reflete sobre fé, escolhas e o sentido da vida em seu novo livro ‘Fazer Valer a Pena Minha Existência’


@caroline_leidiane

Lançado neste mês, o livro “Fazer Valer a Pena Minha Existência” marca a segunda obra do padre Djalma Lúcio Magalhães Tuniz. A publicação reúne 31 crônicas escritas ao longo dos últimos anos e publicadas neste jornal, agora organizadas em volume único. O processo de seleção coincidiu com mudanças significativas na trajetória do autor, tanto pessoais quanto pastorais.

“Há poucos anos eu mudei de cidade, conheci pessoas, assumi uma nova missão. Relendo os textos e fazendo a seleção para compor esse novo livro, pude refletir sobre o sentido da minha vida e como isso norteia todas as minhas decisões”, afirma. Para o padre, a obra traduz sua forma de perceber a existência e a importância da espiritualidade diante dos desafios cotidianos. 

“O livro ‘Fazer valer a pena a minha existência’ é um pouco de como eu vejo a vida e de como a espiritualidade é importante para podermos enfrentar as dificuldades que aparecem com o passar dos anos. Acredito que meu olhar sobre a vida continua o mesmo, apenas acrescentando com o tempo as novas experiências”, reflete ele.

Em um período marcado por incertezas e desgaste emocional, o autor aposta em uma abordagem espiritual próxima da realidade comum, buscando diálogo com leitores de diferentes trajetórias. 

“Somos muito mais do que imaginamos. A vida é cheia de mistérios. Acreditamos estar no controle de tudo, mas, à nossa frente, há mais incerteza do que certezas”, observa.  

De acordo com Djalma, a espiritualidade contribui para reorganizar valores e perspectivas. 

“A espiritualidade ajuda a perceber que, entre o passageiro e o eterno, precisamos fazer uma opção. Viver nesse mundo é muito bom, mas não podemos esquecer que estamos aqui de passagem”, destaca. 

A proposta do livro, conforme o autor, é alcançar tanto quem já possui uma vivência religiosa estruturada quanto aqueles que buscam novos sentidos para a própria caminhada.

“Esta obra tem por finalidade tocar o coração dos que já possuem uma fé mais sólida, mas também pretende alcançar os que estão buscando um sentido maior para a sua vida. Vale a pena tirar um tempo e refletir sobre a existência”, salienta.

Publicado de forma independente, ‘Fazer Valer a Pena Minha Existência’ é o segundo livro do padre Djalma. A obra reúne 31 crônicas e tem 154 páginas – Foto: arquivo pessoal

A escrita do livro se afasta de uma linguagem excessivamente doutrinária e aposta na delicadeza dos gestos, nos encontros cotidianos e na observação da vida comum. Esse tom, segundo o autor, é resultado direto de sua formação em comunicação e teologia, aliada à experiência pastoral, e tem como propósito tornar a espiritualidade mais próxima e acessível ao leitor.

Ao refletir sobre o tempo presente, o autor aponta uma crítica às leituras que colocam o ser humano como centro absoluto das relações e das decisões. Para ele, a construção da paz passa por uma reorganização desse eixo, que recoloca Deus no centro e propõe uma vivência da fé marcada pela sensibilidade.

“Há muitas ideologias hoje que colocam o homem como o centro de tudo. Eu acredito que Deus deva ser o centro de tudo e, aí sim, a paz que tanto almejamos estará mais próxima de nós”, reforça.

A frase “a vida tem a cor que a gente pinta” atravessa a obra e orienta reflexões sobre escolhas, responsabilidade e sofrimento. Ao abordar esse tema, o autor propõe uma análise mais atenta das experiências humanas e destaca a importância do livre-arbítrio na compreensão cristã da existência.

“É preciso um tempo maior para refletirmos sobre ‘as dores que não escolhemos’. Afinal, muito sofrimento hoje é fruto de escolhas, ou pessoais ou de alguém”, analisa.

Refletir sobre a própria trajetória, de acordo com Djalma, implica rever atitudes individuais.

“Todos os dias fazemos escolhas simples e escolhas fundamentais na vida. Por isso, parto da reflexão de que, para fazer valer a pena a minha existência, primeiro devo olhar para as minhas escolhas na vida e parar de culpar o outro por tudo de ruim que acontece comigo”, explana.

Ele reconhece o sofrimento como parte da condição humana, mas aponta a necessidade de enfrentamento responsável.

“O sofrimento existe em qualquer tempo e em qualquer sociedade. É preciso saber o que fazer com ele, como ajudar os que sofrem e como parar de gerar novos sofrimentos”, recomenda.

Publicado de forma independente, o livro tem 154 páginas e dá continuidade ao trabalho iniciado em “Varrendo flores depois da chuva”, lançado em 2024. A nova obra convida o leitor a uma pausa reflexiva, propondo um olhar mais atento sobre a existência, as escolhas e a espiritualidade no cotidiano.