Em vídeo nas redes sociais, o votuporanguense afirmou que senador buscou apenas patrocínio privado para filme sobre Jair Bolsonaro e acusou PT de “narrativa política”.
Jorge Honorio
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O votuporanguense, ex-deputado estadual Danilo Campetti (Republicanos), publicou um vídeo nas redes sociais, na noite desta quinta-feira (14.mai), em defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a repercussão de denúncias envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Na gravação, Danilo Campetti afirmou que o parlamentar buscava apenas patrocínio privado para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e negou qualquer irregularidade na relação entre Flávio e Vorcaro.
Segundo o ex-deputado, o encontro entre o senador e o banqueiro ocorreu em dezembro de 2024, período em que, segundo ele, não havia acusações públicas ou investigações conhecidas contra Vorcaro: “O objetivo era buscar patrocínio para um filme sobre Jair Bolsonaro. Zero dinheiro público, zero Lei Rouanet. Dinheiro privado para um projeto privado”, afirmou.
Campetti cita que o longa “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-chefe do Executivo, teria participação do ator Jim Caviezel, conhecido pelo filme A Paixão de Cristo, no papel de Bolsonaro, além de um diretor norte-americano “renomado”.
O votuporanguense afirmou ainda que Flávio Bolsonaro apenas cobrou pagamentos atrasados relacionados à produção cinematográfica para evitar prejuízos a profissionais envolvidos no projeto: “As parcelas atrasaram e o Flávio cobrou. Isso não é crime, isso é responsabilidade. Não houve troca de favores, não houve intermediação com o governo, não houve nenhuma vantagem recebida.”
Na última semana, aliados do governo federal e parlamentares ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) passaram a defender investigações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro, incluindo pedidos de abertura de CPMI e apurações sobre possíveis conexões políticas e financeiras.
Durante o vídeo, Danilo Campetti acusou a Partidos dos Trabalhadores de tentar “destruir reputações” por meio de narrativas políticas: “O PT pediu prisão, pediu bloqueio de bens, CPMI sem denúncia formal, sem processo do MPF, sem nada. É esse o padrão deles quando eles não conseguem vencer o debate.”
O votuporanguense também comparou o episódio à recente repercussão envolvendo a “Ypê”, que virou alvo de debates políticos nas redes sociais após divulgação de informações envolvendo empresários e doações eleitorais.
Danilo Campetti defendeu ainda a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master e possíveis relações políticas envolvendo integrantes do governo federal: “Por isso eu defendo a instalação da CPI do Master. Que tudo fique às claras. Porque, se vamos investigar, se investigue tudo, inclusive o envolvimento estrutural do governo Lula com Daniel Vorcaro”, defendeu.
Na gravação, o ex-parlamentar cita encontros de Vorcaro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio da Alvorada e menciona o ex-ministro Guido Mantega como intermediador das aproximações.
Danilo Campetti também é incisivo em citar o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e políticos baianos como Rui Costa e Jaques Wagner ao defender ampliação das investigações sobre operações financeiras e contratos ligados ao Banco Master: “O Brasil quer saber a verdade, inclusive quem realmente usou o banqueiro para fazer política com o dinheiro dos poupadores”, concluiu.
De acordo com o apurado, até o momento não há denúncia formal do Ministério Público Federal (MPF) contra Flávio Bolsonaro relacionada ao caso Master.
Ainda nesta sexta-feira (15), o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), e os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Fabiano Contarato (PT-ES) assinaram o requerimento de criação da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar as fraudes ligadas ao Banco Master. A informação foi divulgada nas redes sociais pelo senador Carlos Viana (PSD-MG).
As solicitações para a instalação da comissão são feitas desde o escândalo do Master. Entretanto, apesar de ter atingido o número de assinaturas, a pauta não tem avançado no Congresso. A resistência surge, principalmente, devido ao possível envolvimento de congressistas no esquema.
No início do mês, parlamentares de oposição ao governo do presidente Lula negaram ter feito acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para abrir mão de uma CPI a fim de investigar o Banco Master em troca da derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria, que reduz penas a condenados do 8 de Janeiro.





