Da capacitação ao campo: como a Unihevea transforma vidas e fortalece a agricultura familiar por meio da seringueira

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Celso Aparecido Resende de Carvalho, presidente da Unihevea – União Cooperativa de Produtores de Borracha. Há 20 anos atuando no setor da borracha em Minas Gerais, lidera projetos voltados ao fortalecimento da heveicultura, da agricultura familiar e da geração de renda no campo - Foto: Reprodução

Cooperativa liderada por Celso Carvalho amplia a produção de borracha natural, gera oportunidades de trabalho, incentiva novos plantios e desenvolve um projeto inovador que une sustentabilidade, renda e permanência das famílias no campo.


@caroline_leidiane

Há pouco mais de uma década, falar em produção de borracha natural no município de Prata, no Triângulo Mineiro, era quase uma aposta. Faltava tradição, conhecimento técnico e, principalmente, mão de obra qualificada. Hoje, a realidade é diferente. O que começou como um esforço para capacitar trabalhadores e organizar produtores se transformou em uma das iniciativas mais promissoras do setor no país.

À frente desse movimento está a Unihevea – União Cooperativa de Produtores de Borracha, presidida por Celso Aparecido Resende de Carvalho, que reúne agricultores, sangradores e demais agentes da cadeia da borracha natural.

Registros de visitas técnicas realizadas durante o desenvolvimento do projeto que será implantado em Prata (MG). A iniciativa busca adaptar experiências bem-sucedidas de agricultura familiar e produção integrada, criando um modelo voltado à geração de renda, sustentabilidade e fortalecimento das famílias rurais – Foto: Reprodução

Criada em 2021 e com operações iniciadas em 2022, a cooperativa nasceu com 20 produtores e rapidamente expandiu sua atuação. Atualmente, possui unidades em Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul, reunindo cooperados entre produtores e sangradores, além de movimentar cerca de 11 milhões de quilos de borracha por safra.

“A cooperativa nasceu com um grupo de produtores da região e foi crescendo. Hoje estamos presentes em três estados e seguimos trabalhando para agregar valor à produção e melhorar a qualidade de vida dos cooperados”, destaca Carvalho.

Registros de visitas técnicas realizadas durante o desenvolvimento do projeto que será implantado em Prata (MG). A iniciativa busca adaptar experiências bem-sucedidas de agricultura familiar e produção integrada, criando um modelo voltado à geração de renda, sustentabilidade e fortalecimento das famílias rurais – Foto: Reprodução

Mas os números contam apenas parte dessa história. O maior patrimônio da cooperativa está nas pessoas que encontraram na heveicultura uma oportunidade de trabalho, renda e desenvolvimento.

Capacitação que muda trajetórias

Quando Celso Carvalho iniciou os primeiros treinamentos de sangria de seringueira na região, em 2011, havia resistência. Poucos conheciam a atividade e o interesse era limitado. Com o passar dos anos, a capacitação profissional mostrou seu potencial transformador.

“No começo era muito difícil. As pessoas não conheciam a atividade e não havia interesse. Com o tempo, elas começaram a ver os primeiros trabalhadores capacitados tendo sucesso e a procura aumentou de forma significativa”, relembra.

Registros de visitas técnicas realizadas durante o desenvolvimento do projeto que será implantado em Prata (MG). A iniciativa busca adaptar experiências bem-sucedidas de agricultura familiar e produção integrada, criando um modelo voltado à geração de renda, sustentabilidade e fortalecimento das famílias rurais – Foto: Reprodução

A cooperativa passou a promover cursos e treinamentos voltados à formação de sangradores, criando oportunidades para trabalhadores que buscavam inserção no mercado. O resultado foi tão expressivo que, em determinado momento, cerca de 100 pessoas aguardavam uma oportunidade para participar das capacitações e ingressar na profissão.

Esse trabalho ganhou força em 2023 com o projeto “Qualificar Para Desenvolver”, elaborado em parceria com a Prefeitura do Prata, o Sistema Nacional de Emprego (Sine) e o Sindicato Rural.

Registros de visitas técnicas realizadas durante o desenvolvimento do projeto que será implantado em Prata (MG). A iniciativa busca adaptar experiências bem-sucedidas de agricultura familiar e produção integrada, criando um modelo voltado à geração de renda, sustentabilidade e fortalecimento das famílias rurais – Foto: Reprodução

A iniciativa qualificou trabalhadores desempregados para atuar na extração do látex, promovendo inclusão produtiva e geração de renda. Segundo os organizadores, o projeto proporcionou renda média superior a R$ 8 mil por família em aproximadamente 60 dias.

O reconhecimento veio em nível estadual. O programa conquistou o segundo lugar no Prêmio AMM (Associação Mineira de Municípios), que destaca as melhores iniciativas municipais de Minas Gerais.

Registros de visitas técnicas realizadas durante o desenvolvimento do projeto que será implantado em Prata (MG). A iniciativa busca adaptar experiências bem-sucedidas de agricultura familiar e produção integrada, criando um modelo voltado à geração de renda, sustentabilidade e fortalecimento das famílias rurais – Foto: Reprodução

O próximo passo: seringueira como ferramenta de desenvolvimento rural

Após o reconhecimento conquistado pelo projeto “Qualificar Para Desenvolver”, uma nova iniciativa começou a ganhar forma. Inspirado nos modelos de agricultura familiar adotados pelos principais países produtores de borracha da Ásia, o projeto-piloto será implantado em Prata (MG), município escolhido para sediar a experiência que poderá futuramente ser replicada em outras cidades interessadas.

A proposta foi apresentada à Prefeitura Municipal, que aderiu ao programa, transformando o município na primeira cidade a receber a iniciativa.

O diferencial do projeto está na construção de uma rede integrada de desenvolvimento rural. Além da Unihevea, participam ou estão em processo de adesão órgãos públicos e entidades como as secretarias municipais de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, Vigilância Sanitária, Associação dos Produtores e Agricultores Sustentáveis (APSAT), SATVIDA – Indústria e Comércio de Produtos Hortifrutigranjeiros, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater municipal e regional), R&C Comércio de Borracha e outras organizações ligadas à produção agrícola e ao cooperativismo.

O modelo foi desenhado para oferecer suporte completo às famílias participantes. A SATVIDA ficará responsável pelo processamento, industrialização e comercialização da produção, garantindo mercado para os produtos cultivados. A APSAT atuará na organização dos agricultores, captação de recursos e coordenação das ações coletivas. Já a R&C Comércio de Borracha será responsável pela produção de mudas, assistência técnica, capacitação de mão de obra, implantação dos plantios e transferência de tecnologia para os produtores.

A proposta prevê a distribuição de mudas e a introdução de sistemas produtivos consorciados, nos quais a seringueira será cultivada ao lado de outras atividades capazes de gerar renda em curto prazo.

Entre as alternativas previstas estão cacau, banana, mandioca, melancia, abacaxi, palmito, hortaliças, produção de mel, avicultura caipira, produção de ovos e pequenas agroindústrias familiares voltadas à fabricação de conservas e temperos artesanais.

Para Carvalho, a seringueira reúne características que vão muito além da produção de borracha.

“É uma cultura muito viável economicamente para a agricultura familiar. Além disso, traz benefícios ambientais e sociais, porque ajuda a gerar renda, melhora a qualidade de vida e contribui para manter as famílias no campo”, afirma.

A estratégia busca solucionar um dos principais desafios da cultura da seringueira: o tempo necessário para o início da produção comercial de látex. Enquanto as árvores se desenvolvem, as demais atividades garantem fluxo de renda para as famílias, promovendo segurança econômica e diversificação produtiva. Mesmo após o início da produção de borracha, a intenção é manter o sistema diversificado, reduzindo a dependência de uma única atividade econômica.

Da esquerda para a direita: Paulo, representante do Sine; Anne Rosa, presidente da Câmara Municipal; o prefeito de Prata (MG); Celso de Carvalho, presidente da Unihevea; o secretário municipal de Desenvolvimento; Elsio, responsável pela elaboração do projeto; e a procuradora do município. O grupo participou da cerimônia de entrega do Prêmio AMM (Associação Mineira de Municípios) – Foto: arquivo pessoal

Outro fator considerado estratégico é a localização do município. Situada próxima a Uberlândia, um dos maiores centros consumidores do país, a região apresenta elevado potencial para absorção e comercialização dos produtos oriundos da agricultura familiar.

Em um cenário em que o Brasil produz apenas cerca de 40% da borracha natural que consome, iniciativas como a da Unihevea são vetores de desenvolvimento. Para além de aumentar a produção de uma matéria-prima essencial para milhares de produtos utilizados diariamente, a cooperativa demonstra que desenvolvimento econômico, sustentabilidade ambiental e inclusão social podem caminhar juntos.

“Nosso objetivo é incentivar novos plantios e mostrar que é possível unir desenvolvimento econômico, sustentabilidade e inclusão social. É um trabalho de longo prazo, mas que tem potencial para transformar realidades”, conclui Carvalho.

Para conhecer mais sobre os projetos, iniciativas e oportunidades desenvolvidos pela Unihevea – União Cooperativa de Produtores de Borracha, acompanhe o Instagram @uniheveacoop ou acesse o site www.unihevea.com.br.

Informações também podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou telefone (34) 99644-3020. A sede da cooperativa está localizada na avenida Brasília, nº 244, cômodo 2, Bairro Edna, em Prata (MG).