Com nome Alpine na F1, Renault volta às raízes de sua divisão esportiva

510
36 LAURENT Thomas (fra), NEGRAO Andre (bra), RAGUES Pierre (fra), Alpine A470 Gibson team Signatech Alpine Elf, action during the Lone Star Le Mans 2020, 6 Hours of Circuit of The Americas, fifth round of the 2020 FIA World Endurance Championship season from February 21 to 23 at Austin, USA - Photo Antonin Vincent / DPPI

Desconhecida por muitos brasileiros, Alpine chega com a tradição de Le Mans em sua primeira participação como equipe na Fórmula 1.

Depois de cinco temporadas desde que retornou à Fórmula 1, a equipe Renault terá uma nova marca e cores diferentes em 2021. Em setembro deste ano, a escuderia anunciou que se chamará Alpine F1 Team, marca de carros esportivos do grupo francês.

O anúncio veio dois meses depois de a Renault ter confirmado o retorno do piloto espanhol Fernando Alonso, que foi bicampeão pela própria Renault, e que será companheiro do francês Esteban Ocon.

A decisão teve como objetivo promover a Alpine, que atualmente produz o modelo A110, e surgiu a partir de uma reestruturação do Grupo Renault, que é composto pelas marcas Alpine, Dacia, New Mobility e Renault. Ainda que nunca tenha participado oficialmente da principal categoria do automobilismo mundial e seja praticamente desconhecida no Brasil, a Alpine tem uma história de sucesso em outras categorias.

A marca esportiva foi fundada em 1955 pelo piloto francês Jean Rédélé. Desde o início de sua trajetória, já conquistou uma reputação no automobilismo. Após acumular vitórias como a tradicional prova de Rali de Monte Carlo, a Alpine conquistou o Campeonato Mundial de Rali (WRC) em 1973 – ano em que foi adquirida pela Renault – com o modelo A110. Ele foi o sucessor do A108, que serviu de inspiração para o Willys Interlagos, produzido no Brasil de 1961 a 1966.

Como se não bastasse o sucesso em circuitos fora-de-estrada, a Alpine conquistou cinco anos depois, em 1978, as 24 Horas de Le Mans, principal prova de endurance da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Com duração de 24 horas, a corrida é disputada anualmente no Circuito de la Sarthe, em Mans, na França. O modelo vencedor, Alpine A442B, tinha motor Renault e foi guiado pelos pilotos franceses Jean-Pierre Jaussaud e Didier Pironi.

Atualmente, a Alpine está presente desde 2013 no Mundial de Endurance, na classe LMP2. A equipe Signatech Alpine é um dos destaques da categoria e já chegou a conquistar o título mundial na temporada 2018-2019 com o brasileiro André Negrão como um dos pilotos do time. Além disso, a Alpine também participa de outras categorias menores de automobilismo.

Mesmo nunca tendo feito parte oficialmente da Fórmula 1, a Alpine participou da primeira incursão da Renault na categoria, em 1977. Na época, a equipe foi formada pelos departamentos de competição Alpine e Gordini. Nos anos seguintes, a Renault acumulou vitórias na F1, desde a primeira, em 1979, com Jean-Pierre Jabouille, até o final de 1983, com René Arnoux e Alain Prost. A equipe se retirou no final de 1985, com 15 vitórias e um vice-campeonato de construtores.

Alguns anos depois, já em 2002, a marca francesa apostou novamente em uma equipe própria, agora com mais sucesso, sagrando-se bicampeã de construtores e de pilotos em 2005 e 2006, com um carro guiado por Fernando Alonso, que conquistou os dois únicos títulos da escuderia até hoje. Após o vitorioso período, a Renault ainda abandonaria a Fórmula 1 em 2011, voltando em 2016.

Agora, ainda sob o comando de Cyril Abiteboul, que chefia a equipe atual, os carros da Alpine adotarão um esquema de cores inspirado na bandeira da França, com uma combinação de azul, branco e vermelho, ao invés do tradicional amarelo e preto da escuderia. Ainda assim, o nome Renault ainda estará presente nos motores híbridos E-Tech, desenvolvidos pela marca.

Com participação na categoria confirmada até 2025, a equipe Alpine-Renault enxerga uma possibilidade de brigar por títulos e melhores resultados com a adoção do novo regulamento, que entrará em vigor a partir de 2022. Ter dois carros andando no pelotão da frente seria uma excelente forma de divulgar a Alpine, que, após permanecer em um hiato de 22 anos sem produzir um modelo próprio, ressurgiu das cinzas em 2017 com o novo A110, um esportivo no segmento de entrada.

 

Com informações: Portal terra.com e projetomotor