As festas de final de Ano e a Pandemia

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Por Pérola Ferraz

 

Um ambiente cheio de pessoas que se amam e sentiram saudade de ficar perto, de conversar, de abraçar, beijar, pois não se viam há algum tempo. Reúnem-se para celebrar, em torno de uma mesa de jantar, repleta de delícias, onde todos conversam, brincam, dão risadas e percebem o quanto a família cresceu. Existem integrantes de todas as idades e, às vezes, alguns amigos.

Essa pode ser a descrição de uma comemoração de Natal muito comum entre as famílias, mas, também, de um cenário ideal para a propagação do coronavírus, que já matou mais de 180 mil pessoas no Brasil até dezembro de 2020, principalmente idosos.

Com a taxa de contágio da Covid-19 em alta, em várias regiões do país, os médicos alertam que a única forma de se barrar a transmissão dessa doença, que pode ser fatal, é ausentando-se de comemorações presenciais.

A Fiocruz emitiu um alerta para o perigo do sistema de saúde do Brasil colapsar após as festas de fim de ano, considerando que é esperado um aumento no número de casos. Os ingredientes para isso já estão dados: há surtos da Covid-19, simultaneamente, nas capitais e no interior, e a disseminação do vírus está em alta. Sendo assim, a recomendação primordial dos infectologistas é evitar passar as festas com pessoas de fora de casa, para impedir a transmissão do coronavírus de um lar para o outro. Entretanto, apesar dos riscos evidentes, muitas famílias ainda planejam comemorar o Natal em um encontro presencial. Contudo, especialistas orientam que, tanto o Natal, quanto o Ano Novo, sejam comemorações pequenas que reúnam somente pessoas que convivem na mesma casa e com as medidas de proteção observadas (distanciamento, uso de máscaras e álcool em gel e lavagem das mãos).

Os Centros de Controle de Doenças dos EUA (CDCs) também recomendam a ventilação como estratégia para reduzir as partículas de vírus no ar de ambientes fechados. Fazer encontros mais rápidos é outra sugestão dos especialistas, já que o risco de contágio aumenta com mais tempo de exposição.

O fato de que precisamos do outro para nos humanizar reflete a ânsia de muita gente pelas festas de fim de ano, sobretudo em 2020, por causa da pandemia e dos distanciamentos. As festas familiares neste ano serão difíceis, pois não terão o sentido de comemoração, mas de aproximação dos entes queridos, de união. Isso porque muitos, infelizmente, ainda estão lidando com essas perdas recentes e com o processo de aceitação.

Muitas pessoas sentem-se inseguras na presença do outro e essa segurança só retornará totalmente com a vacina. Mas, enquanto ela não é disponibilizada, precisamos seguir as orientações, nos proteger e consequentemente, proteger aqueles que amamos. Talvez essa seja a principal regra para que possamos comemorar o Natal e o Ano Novo dos anos seguintes com nossos familiares e com as pessoas que gostamos.

 

  • Pérola Ferraz é professora de História e vice-diretora da Escola SAB