A Difícil Arte de Ser Professor no Brasil: Desafios e Caminhos para a Valorização 

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Alberto Martins Cesário, professor e escritor - Foto: Reprodução

Alberto Martins Cesário, professor e escritor

Ah, ser professor no Brasil… Um verdadeiro sobe e desce de emoções! E não estou falando de um ritmo alegre, mas de um verdadeiro balé acrobático que exige equilíbrio, paciência e, às vezes, uma boa dose de humor. Você já parou para pensar o quanto é difícil ser professor nesse país? E não me refiro apenas ao estresse de lidar com alunos indisciplinados, falta de estrutura ou salários baixos (ah, os salários…). Falo de algo mais profundo: da arte de ensinar e, ao mesmo tempo, sobreviver em um sistema educacional que muitas vezes parece mais uma pista de obstáculos do que um caminho claro para o sucesso.

Se você é professor, provavelmente já deve ter ouvido alguém dizer: “Ah, você é um herói, né?” Ou, por outro lado, quem nunca foi vítima daquela pergunta: “Por que você não troca de profissão?” Não importa a sua resposta, há algo que se repete sempre: o professor é, ao mesmo tempo, visto como uma figura heroica e como alguém que vive uma vida de sacrifícios (quase como um mártir da educação).

No entanto, a verdadeira questão é: por que o professor precisa ser considerado um herói para ser reconhecido? Por que não um profissional como qualquer outro, que deve ser respeitado, bem pago e, acima de tudo, valorizado? Em uma sociedade onde os médicos, advogados, engenheiros e celebridades ganham reconhecimento instantâneo, o professor ainda luta para ter a mesma dignidade em sua profissão. E o engraçado de tudo é que sem o professor não haveria médicos, advogados, engenheiros e celebridades.

Vamos ser sinceros. Ser professor no Brasil é como ser um malabarista. Você tem que equilibrar uma tonelada de responsabilidades, com uma mão, enquanto tenta não deixar cair a única bola que tem com a outra. Além disso, existem os obstáculos invisíveis: as questões educacionais históricas que, muitas vezes, são ignoradas ou minimizadas, mas que estão lá, cada vez mais pesadas. Então, sim, o salário é um problema. E o que fazer com isso? Claro, não podemos esquecer que temos contas para pagar, famílias para sustentar e até um desejo – simples, talvez – de comer pizza sem olhar para o preço.

Agora, já parou para pensar nas condições das escolas públicas? Na falta de estrutura física? Como a maioria dos professores, mesmo com um sorriso no rosto, precisa lidar com salas de aula superlotadas, materiais didáticos escassos, e muitas vezes, sem a mínima possibilidade de um espaço adequado para dar a aula? Ah, e não vamos esquecer do Wi-Fi que, ao invés de ajudar, te faz questionar se o sinal está vindo do futuro ou de um passado distante.

Mas, mesmo com tudo isso, o professor segue em frente. Como? Simples. O mesmo motivo que nos faz assistir a novelas de 9h da noite: a esperança de que algo mude. É esse fio de esperança que nos dá forças para seguir, mesmo sabendo que a mudança não virá de um dia para o outro.

Muita gente adora culpar o governo por tudo. O governo não investe o suficiente na educação, o governo não paga bem os professores, o governo não investe em infraestrutura… é claro, essas críticas têm um fundo de verdade. Se o sistema educacional brasileiro fosse um bolo, o governo seria o chefe de cozinha que só coloca farinha e nem se dá ao trabalho de colocar um pouco de açúcar. Mas, a verdade é que a culpa não é só do governo. O problema está enraizado em nossa sociedade.

Por muito tempo, o professor foi visto como alguém “que não faz por dinheiro”, como se a paixão pela profissão fosse um prêmio em si. É como se esperassem que o professor fosse um monge budista, meditando a cada obstáculo, aceitando desafios sem reclamar, como se tudo isso fosse parte de uma missão sagrada. Claro, temos a nossa missão, mas também temos contas para pagar e uma vida a sustentar.

A valorização do professor é uma questão complexa. Não é só sobre salário – embora esse seja um ponto crucial. Valorização é, antes de tudo, uma questão de respeito. A sociedade precisa parar de ver o professor como alguém “acima da média” ou “fora da curva” e começar a tratar o profissional da educação como um pilar fundamental para o desenvolvimento do país. E isso exige, claro, investimento em formação, apoio nas condições de trabalho e a construção de um ambiente de ensino que favoreça o desenvolvimento de todos os envolvidos: alunos, professores e gestores.

A valorização passa por uma reformulação da percepção que temos sobre a profissão de ensino. Ser professor não pode ser visto como um “plano B” ou algo que “não dá dinheiro, mas é uma nobre missão”. É uma profissão como qualquer outra. Um professor não pode ser um herói, mas também não pode ser um mártir.

E onde estão os caminhos para a valorização? Eu, sinceramente, acredito que um dos primeiros passos é o aumento da qualidade na formação dos professores. E não estou falando de cursos de férias ou eventos de um dia. Falo de investimentos consistentes em cursos de atualização, com uma carga horária razoável e que realmente agreguem no trabalho do professor. A universidade deve ser um lugar onde o professor aprende, mas também um local que o prepara para a realidade das escolas brasileiras, com práticas, tecnologias e metodologias que funcionem em diferentes realidades.

Além disso, o governo precisa começar a investir de verdade na educação. Não é só uma questão de mais dinheiro. É necessário um planejamento eficaz e estratégico, com políticas públicas que beneficiem não apenas o aluno, mas também o profissional. Educação de qualidade exige investimento. E, sim, isso inclui melhores salários, mais recursos para as escolas e, acima de tudo, um ambiente propício para o aprendizado.

Outro ponto fundamental é o reconhecimento da profissão de professor dentro da sociedade. Nós, professores, precisamos ocupar o nosso devido espaço. Precisamos ser vistos, não como coadjuvantes, mas como protagonistas da formação dos cidadãos do futuro. A sociedade precisa começar a enxergar que a educação não é apenas um “detalhe” em nossas vidas, mas sim a base sobre a qual toda a nossa sociedade é construída.

E o último ponto que, acredito, pode começar a mudar o cenário é o próprio olhar do professor para sua profissão. Não podemos ser reféns das dificuldades. Não podemos ser vítimas do sistema. Como educadores, precisamos nos unir, fortalecer a nossa classe e exigir mais. Se não começarmos a lutar por melhores condições de trabalho, pelo nosso próprio respeito, ninguém o fará por nós.

Para concluir, a difícil arte de ser professor no Brasil não pode ser desvalorizada. Não podemos olhar para ela como um fardo. Ser professor é um caminho árduo, é verdade, mas também é uma jornada de transformação. Cada aluno que você toca, cada história que você escreve dentro de uma sala de aula é uma vitória. Mesmo que o salário não seja o que gostaríamos, mesmo que a infraestrutura das escolas seja precária, e mesmo que, às vezes, você tenha que lutar contra um sistema falido.

O que nos faz seguir em frente é a paixão pela educação, a vontade de transformar vidas, a certeza de que, no final, cada aula é uma semente plantada. E, embora o sistema educacional brasileiro esteja longe de ser perfeito, acredito que, se lutarmos juntos, podemos mudar essa realidade. Mas, para isso, é preciso que todos – governos, sociedade e professores – nos unamos. A educação, afinal, é a chave para o futuro de qualquer nação. E se algum herói surgir, esse herói será, sem dúvida, o professor.