Enfermeira que atua no HB fala sobre sua experiência

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Lívia Mussi - Enfermeira formada pela Unifev atua na linha de frente da Ala de enfermagem da Covid-19 do HB em Rio Preto

 

DANILO CAMARGO

Lívia Mussi tem 30 anos, é de Votuporanga, solteira, enfermeira formada pela Unifev, trabalhou na Santa Casa local durante 4 anos e  recentemente foi realizar  um aprimoramento em emergência no Hospital de Base em Rio Preto. Ela conta que a especialização foi remunerada, mas há 1 mês e meio  foi contratada para trabalhar na enfermaria da Covid-19.

Lívia em entrevista ao Diário de Votuporanga relatou sua experiência no Hospital, que atualmente atende toda a demanda regional aos pacientes portadores do coronavírus (Covid-19).

“Tudo está sendo muito desafiador. De aprendizado, não só com a nova doença, mas de saber até onde se encontra o nosso limite físico e emocional. A angústia do paciente, a relação interpessoal com as equipes e principalmente de doar um pouco de alívio e conforto aos pacientes neste momento difícil”.

“O Hospital de Base nos fornece a estrutura e proteção necessária para trabalharmos com os EPIs adequados, são rígidos no atendimento aos funcionários quando necessário e no monitoramento das equipes”.

“Nesse momento delicado os profissionais da Saúde, não só da enfermagem, todos tem que se adaptar e aprender técnicas novas e aprimorar o que já sabiam, pois a demanda faz com que possamos ter a oportunidade de trabalharmos em unidades de saúde sem necessariamente sairmos de nossas cidades. Não precisando aventurar para outras cidades em busca de emprego ou novas oportunidades (No meu caso estou me aprimorando na área). Neste momento é importante não omitirmos ajuda e cuidado ao próximo”.

Lívia conta que colegas de profissão, quando necessário, recebem apoio psicológico via telefone. “É um suporte extremamente necessário para a nossa classe já que estamos na linha de frente da pandemia”, explica.

Lívia conta que no HB existem muitos profissionais que não querem ficar no Bloco da Covid, mas que a instituição respeita e remaneja a equipe conforme o desejo de cada um.

Para uma possível vacina que pode ser apresentada nos próximos dias e que deverá ser testada principalmente nos profissionais de Saúde do HB, Lívia afirma que toparia, mas que esperaria os testes, estudos e se for realmente confiável, ela até poderia ser submetida aos testes.

Profissionais de Saúde serão os primeiros a receberem a vacina contra a Covid-19

 

 

Os profissionais de saúde serão os primeiros a receberem a vacina contra a Covid-19 durante a pesquisa feita pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), instituição onde funciona também o Hospital de Base.

De acordo com chefe do Laboratório de Virologia da Famerp, Maurício Lacerda Nogueira, o público alvo em questão é o que mais está exposto ao risco de ser infectado pelo novo coronavírus.

A nova vacina foi desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech, que realizou as duas primeiras fases da pesquisa.

A empresa afirma que os testes realizados indicaram que 90% das pessoas produziram anticorpos contra a doença após duas semanas da aplicação e não foram identificados efeitos colaterais.

Segundo Maurício Lacerda Nogueira, a fase três do estudo consiste em avaliar a eficácia da vacina em prevenir a doença por coronavírus em milhares de pessoas.

“É um estudo placebo controlado. Algumas pessoas vão receber a vacina e outras uma substância inerte. Ou seja, apenas uma parte dessa população será vacinada e nós vamos comparar com que não foi vacinada. Aí veremos quem teve coronavírus em um grupo e quem teve no outro e quanto a vacina foi capaz de diminuir”, diz.

Os testes da vacina chinesa no Brasil foram viabilizados pelo Instituto Butantã. O governo estadual investiu R$ 85 milhões para a realização do estudo. A expectativa é de que ela esteja disponível para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em junho do ano que vem.