Sputnik 5

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Por Pérola Ferraz

Em 04 de outubro, o programa espacial Russo, Sputnik, completou 63 anos e o céu deixou de ser o limite para o ser humano. Estávamos vivendo a Guerra Fria, uma guerra de nervos e tensões, que abalou o mundo entre os anos de 1947 a 1991.

Em 1957, a União Soviética colocou em órbita o Sputnik (que significa, em russo, “companheiro de viagem”), primeiro satélite artificial feito pelo homem, o que deu início à Era Espacial. Seu lançamento é considerado um dos momentos mais marcantes da história da humanidade e acirrou a corrida espacial com os Estados Unidos. Também, permitiu o desenvolvimento de conhecimentos importantes e inéditos para a época.

Em 4 de novembro de 1957, os soviéticos novamente saíram na frente e lançaram o Sputnik 2, que levou o primeiro ser vivo ao espaço: a cadela Laika. Ao todo, a URSS lançou 5 foguetes Sputnik.

A última missão foi lançada ao espaço, em 19 de agosto de 1960, com os cachorros Belka e Strelka, quarenta camundongos, dois ratos e diversas plantas. Ainda houve três missões chamadas Korabl-Sputnik 3, Korabl-Sputnik 4 e Korabl-Sputnik 5. E, finalmente, em 1961, Iuri Alexeievitch Gagarin, cosmonauta soviético, foi o primeiro ser humano a viajar pelo espaço, a bordo da Vostok 1.

Mas, muitos devem estar se perguntando: os EUA não foram à Lua? Sim! Os norte americanos Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins, aterrissaram na lua, em 20 de julho de 1969, a bordo do módulo lunar Apollo 11. Armstrong foi o primeiro a descer da nave e, com isso, tornou-se o primeiro homem na história a pisar na Lua.

Entretanto, além dos EUA e da corrida espacial, há algo interessante a se falar: a vacina russa (Sputnik-5) da Covid-19. Oficialmente, ela se chama Gam-COVID-Vac Lyo, porém o apelido dado pelo governo de Vladimir Putin traz uma mensagem clara: mais uma vez, os russos chegaram antes.

O lançamento do satélite, em 1957, causou uma crise política nos Estados Unidos, que temiam que a União Soviética estivesse mais avançada tecnologicamente no meio da Guerra Fria. Em contrapartida, o país criou a Nasa, agência aeroespacial.

O contexto agora é diferente, pois a comunidade científica vê com ceticismo o medicamento russo, por conta da falta de transparência nos testes. Ainda seriam necessários muitos deles, o que poderia durar meses para comprovar a eficácia da vacina. Mas, dessa vez, o mundo não será pego de surpresa como em 1957: a produção da vacina de Covid-19 segue avançando nos Estados Unidos, na Itália, no Reino Unido, na França e na China.

O fato é que, na verdade, a Guerra Fria ainda não acabou. É como se estivéssemos vivendo uma versão mais atualizada do conflito. Faz sentido, visto que temos uma busca mundial pela vacina e, se analisarmos com cautela, perceberemos que a tecnologia também está sendo disputada, e não somente pelos EUA e Rússia: agora temos a China que, a cada dia, vem se destacando no contexto econômico e tecnológico.

Seja um país ou um laboratório, quem conseguir a primeira vacina que funcione deixará um marco. Essa ideia de colocar Sputnik V está bem associada à perspectiva soviética, levando em conta a corrida espacial daquela ocasião.