SOBRIEDADE JÁ 

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Carlinhos Marques - Presidente Fundador do INSTITUTO NOVO SINAI - Foto: Reprodução

VITIMISMO OU TESTEMUNHO DE FÉ, VOCÊ ESCOLHE

Veja como duas pessoas podem reagir à mesma lembrança de fome.

Uma, ao recordar a mesa vazia, decide encher a mesa dos outros, porque conhece na pele o peso da escassez.

A outra, dominada pela mesma memória, passa a acumular, guarda cada grão como quem tenta prender o amanhã, com medo de que a falta volte a bater à porta. 

Gente, o mesmo acontece com o afeto. “Não dou carinho porque nunca recebi.”

Essa frase parece defesa, mas é prisão. Ela transforma o passado num espelho que insiste em refletir a dor, em vez de permitir um ponto final. 

Toda ferida  te oferece uma escolha: endurecer ou transbordar.

Se você conhece o vazio de um abraço que nunca veio, por que negar o abraço que pode oferecer? 

Superar não é esquecer, é interromper o ciclo.

Não use sua dor para ferir use-a para curar. Isso não é gentileza é coragem.

É transformar sua história em solo fértil, onde se planta vida e não em cemitério de quem você poderia ter sido.

“Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12,21)

UMA HORA VOCÊ TERÁ QUE OLHAR PARA TRÁS 

O senso comum diz: “olhe para frente”.

Mas há um detalhe que poucos contam… um dia, você será obrigado a olhar para trás. 

E não será por escolha.

Será porque o tempo esgotou todas as suas fugas. 

Esse acerto de contas falha. Ele chega. Silencioso, mas implacável. 

Então por que esperar o desespero do “quase fim” para encarar o que você construiu, ou quem sabe, até destruiu? 

Hoje, o relógio ainda está ao seu favor.

E olhar para trás agora não é condenação é estratégia.

É coragem de ajustar a rota enquanto ainda existe estrada. 

Pergunte a si mesmo, com sinceridade: o que estou acumulando hoje, paz ou arrependimento? 

O passado não muda.

Mas a forma como você encara o passado, pode redesenhar completamente o seu presente, e o presente ainda está nas suas mãos. 

Quando chegar o momento inevitável de olhar para trás, o que você vai encontrar? 

Se a resposta assusta, mude o agora.

Antes que o “olhar para trás” deixe de ser uma escolha, e se torne sentença. 

“Examinai-vos a vós mesmos, para ver se estais na fé.” (2 Coríntios 13,5)

QUE SEJA AGORA, ANTES QUE VIRE SÓ RELÍQUIA 

Semana passada, estive em um evento em São Paulo e, no dia seguinte, visitei o Museu do Ipiranga. 

E museu é um lugar curioso, ali tudo existe para lembrar.

Cada objeto, cada detalhe, sussurra a mesma verdade: o passado não é descartável. 

Mas e na vida, como estamos fazendo? 

Valorizamos quando vira relíquia,e ignorando enquanto ainda respira? 

Tem gente que anda pelo museu em silêncio reverente mas não consegue ouvir cinco minutos de alguém mais velho em casa.

Respeita quando está em exposição e despreza quando está sentado ao lado. 

Que ironia. 

O museu ensina algo simples e profundo: tudo o que hoje é presença, amanhã será ausência.

Tudo o que hoje é voz, amanhã será silencio. 

Então talvez a pergunta mais urgente não seja sobre o passado, mas sobre o agora. 

Como você está tratando aquilo, e aqueles que ainda estão vivos? 

Porque, no fim, cada um de nós está construindo um museu invisível dentro de si.
E um dia, só restará o que foi guardado ali. 

“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos um coração sábio.” (Salmo 89,12)

QUANTOS ANOS VOCÊ ACHA QUE TERIA, SE NÃO SOUBESSE SUA IDADE? 

Se você não soubesse sua idade…quantos anos diria que tem? 

Veja que não é sobre quantos anos você gostaria de ter, mas sobre o quanto sua vida revela. 

Essa pergunta, quando respondida com sinceridade, expõe algo delicado:
nem tudo em nós cresceu na mesma velocidade. 

Em algumas áreas somos firmes, maduros, responsáveis, em outras, ainda reagimos como quem não saiu da infância. 

E às vezes  isso não é acaso, é estratégia, porque crescer exige responsabilidade.

E permanecer imaturo, em certos aspectos, nos livra de cobranças. 

Afinal, ninguém exige de um bebê que ele produza, decida ou sustente. 

Sem perceber, ou percebendo bem, muita gente mantém partes da vida na “mamadeira”, principalmente a fé. 

Porque uma madura  cobra entrega.

E isso, convenhamos, já não é tão confortável.

Mas chega um ponto em que Deus não aceita mais desculpas infantis para decisões adultas. 

Crescer dói, mas não crescer custa mais caro ainda. 

“Irmãos, não sejais meninos no entendimento. Sede crianças na malícia, mas adultos no entendimento.” (1 Coríntios 14,20)

AMOR NUNCA SE TORNA ÓDIO, PAIXÃO, ÀS VEZES, SIM 

Paixão e amor não são a mesma coisa, embora a paixão goste de se disfarçar muito bem de amor. 

A paixão chega barulhenta, cheia de promessas, intensa, mas ama mais a ideia do que a realidade. 

O amor, não.

O amor se constrói. Ele renuncia. Ele permanece. 

Olhe para Cristo  na cruz. Traído, abandonado, ferido e ainda assim capaz de dizer:“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” 

Isso é amor. Agora olhe para tantas histórias humanas, onde alguém dizia “amar”, mas bastou um “não”, uma frustração, uma contrariedade e o que parecia amor se transformou em ódio. 

Na verdade, não se transformou. Se revelou.

Porque o amor não vira ódio.

O que vira ódio, nunca foi amor.

A paixão quer possuir. O amor quer libertar. A paixão controla. O amor respeita. A paixão exige.

O amor permanece, mesmo quando não é correspondido. Por isso, cuidado: nem todo fogo aquece. Alguns só queimam, e depois deixam cinzas.

“O amor é paciente, o amor é bondoso… tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Coríntios 13,4.7)

Por: Carlinhos Marques

Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já” 

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