SOBRIEDADE JÁ 

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Carlinhos Marques - Presidente Fundador do INSTITUTO NOVO SINAI - Foto: Reprodução

QUER SER FELIZ? ENTÃO NÃO CASE.

Quer ser feliz? Então não case.

Calma… casar não é apenas sobre homem e mulher. Casar é unir ideias, propósitos, destinos. A vida é feita desses encontros profundos: padres se casam com a Igreja, artistas com a arte, Madre Teresa se casou com a caridade, ela se uniu à dor dos outros. 

Mas existe um erro perigoso nesses “casamentos”: quem casa esperando ser feliz acaba se divorciando do próprio propósito. Porque transforma o propósito em cobrança. “Isso precisa me preencher, isso tem que me completar, isso tem que me fazer feliz.”
E onde tudo vira exigência, a paz vai embora.

Agora, quem casa para fazer o outro feliz,  permanece, vira abrigo. Deixa de ser egoísta. E curiosamente, é nesse lugar que a felicidade aparece, não como objetivo, mas como consequência.

Então, se você quer apenas ser feliz, não case.
Mas se quer fazer alguém feliz, então case.
Porque não é sobre com quem você se casa, mas para que você se casa. 

“Há mais felicidade em dar do que em receber.” (Atos 20,35)

LIXO NO CORAÇÃO, É CORAÇÃO NO LIXO 

Tire o lixo do seu coração antes que você precise resgatar seu coração do lixo. 

Quando chega visita, você arruma a casa, mas o coração vive acumulando entulho, como se ninguém fosse entrar. Só que entram, às vezes sem bater. 

E quando entram encontram um coração bagunçado como fim de feira. 

Até a graça de Deus as vezes não encontra espaço de tanto acúmulo. 

Tem gente guardando mágoa como quem guarda lembranças, guardando ressentimento como quem protege algo valioso. Mas isso não é memória, é lixo emocional. E lixo cheira, vaza, contamina. 

E chega um momento em que não é mais você que carrega o lixo, é o lixo que carrega você. 

Perdoar não é passar pano. É passar o coração a limpo. 

Pare de chamar de “parte de mim” aquilo que já deveria ter ido embora. Jogue fora o orgulho vencido, a raiva mofada, a dor reciclada. 

Porque, se você não limpa a sua história, vai chegar o dia em que precisará buscar seu coração lá no lixão. 

“Criai em mim um coração puro, ó Deus.” (Salmo 50,12)

HUMANOS AGORA, DIVINOS SEMPRE

Não somos seres humanos que de vez em quando vivemos experiências divinas,
somos seres divinos vivendo, por um breve instante, uma experiência humana. 

Pagar contas, cumprir agendas, correr contra o tempo, tudo isso é só um intervalo. Um sopro de 80, talvez 100 anos, quase nada diante da eternidade. 

Mas, dentro desse intervalo, algo rompe a rotina: um gesto de amor, um perdão difícil, uma oração sincera.
E, de repente, o céu toca a terra.

Esses momentos são o divino que existe em nós, vazando. 

O problema  não é viver a experiência humana. Estamos humanos.
O problema é viver só dela, como se fosse tudo. 

Porque um dia, essa fase termina.
E aquilo que hoje experimentamos em pequenas doses, será nossa realidade plena. 

Somos filhos do céu. E filhos não foram feitos para viver como estrangeiros na própria casa. 

Então, já que somos eternos, por que viver como se fôssemos provisórios?
Viva o máximo de eternidade possível desde já. Não apenas tendo Deus como alguém que você admira, mas caminhando com Ele. 

“Nossa pátria está nos céus.” (Filipenses 3,20) 

A CRUZ ERA SUA, SR. BARRABÁS

Você sabia? As cruzes romanas eram de vários tamanhos, que se adequava a cada condenado. 

Mas naquele dia aconteceu o impensável: o povo escolheu soltar Barrabás e condenar Jesus.
Só que a cruz já estava pronta, era no “número” de Barrabás. 

Mas naquele dia a cruz mudou de dono.

E há estudos sobre o Santo Sudário que sugerem um deslocamento no ombro de Jesus, como se o peso não fosse compatível com aquela cruz, como se ela tivesse sido feita para outro corpo mesmo, e tinha. 

Antes de continuar, entenda isso: Jesus significa “Deus salva”.
E Barrabás, em aramaico, significa “filho do pai”. 

Ou seja, Deus que salva tomou o lugar do filho do pai. 

Mas não de um filho qualquer. De todos nós. Nós somos os Barrabás. A cruz era nossa, era minha, era sua. 

Mas foi Ele quem subiu nela. 

E no silêncio daquele sacrifício, ecoa até hoje uma mensagem que não se apaga:
“Eu fico na cruz por vocês, para que vocês fiquem com a vida.” 

“Ele foi ferido por causa de nossas faltas.” (Isaías 53,5)

DESEJO E A FANTASIA DO DIREITO

Sutilmente, estamos confundindo desejo com direito.  

“Eu quero, logo, eu mereço.”
“Se existe, então pode ser meu.” 

E não é difícil entender por quê. 

Somos bombardeados por imagens de vidas perfeitas, corpos impecáveis, viagens incríveis, conquistas instantâneas. Um roteiro sedutor, onde exceções são vendidas como padrão. 

E sem perceber, passamos a acreditar: se está ao alcance dos olhos, está ao alcance das mãos. 

Mas nem todo desejo nasce como direito. 

Algumas coisas exigem processo, pedem tempo, requerem esforço, disciplina, renúncia. São frutos que só chegam depois de plantar, regar e esperar. 

Mas queremos colher sem plantar. 

E quando o desejo não se realiza, nasce a frustração. 

Sim, existem direitos fundamentais: dignidade, respeito, justiça.
E sim, há conquistas que são construídas degrau por degrau, e é importante saber a diferença. 

Porque quando tudo vira direito, a conquista perde o valor.
E quando o processo é ignorado, o resultado perde o sentido. 

Entender isso muda tudo.
Que o que demora, passa a fazer mais sentido. 

“Tudo tem o seu tempo determinado.” (Eclesiastes 3,1)

Por: Carlinhos Marques

Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”

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