SEM VOCÊ O MUNDO FICARIA UM POUCO PIOR?
Outro dia ouvi uma provocação do professor Cortella que me fez pensar: como seria o mundo se você não existisse?
Confesso que a pergunta dá até um pequeno susto. A gente não costuma considerar a hipótese de não existir mais ne? Mas a verdade é que esse dia se aproxima para todos nós. Calma… ainda estamos vivos. Ou seja, a história ainda está sendo escrita.
Enquanto há vida, há capítulos sendo produzidos. Há páginas sendo preenchidas. Há escolhas sendo feitas.
Talvez o grande convite dessa pergunta não seja pensar na morte, mas na forma como estamos vivendo.
Viver de modo que o mundo fique um pouco pior quando você se for. Não apenas pela saudade — porque saudade sentimos até de uma música antiga ou de um cheiro da infância, mas pela ausência concreta do bem que você fazia.
Aquele conselho. Aquela ajuda silenciosa. Aquela palavra que levantava alguém em um dia difícil. Morrer em paz, muitas vezes, é consequência de ter vivido em paz.
Por isso, a morte não precisa ser vista como ameaça. Ela pode ser uma advertência gentil dizendo:
“Ei… você não tem todo o tempo do mundo para gastar com coisas descartáveis não.”
Talvez a pergunta mais importante não seja: quem vai sentir saudade de você? Mas: que falta você vai fazer?
Lembra da parábola dos talentos? A vida não foi dada apenas para ser consumida, mas para ser multiplicada.
Cada gesto de bondade é um talento multiplicado. Cada atitude justa é um talento multiplicado. Cada vida tocada pelo bem é um talento multiplicado. Então fica a reflexão: Como você tem multiplicado seus talentos para que o mundo se torne melhor?
Porque, no fim das contas, viver talvez seja exatamente isso: deixar um rastro de bem tão verdadeiro que, quando partirmos, alguém olhe para o mundo e diga com sinceridade: “Sem essa pessoa… o mundo ficou um pouco pior.”
“A quem muito foi dado, muito será pedido; e a quem muito foi confiado, muito mais será exigido.” (Lucas 12,48)
AINDA BEM QUE
Vou te sugerir uma frase simples, mas poderosa, para repetir quando tudo te parecer dar errado: ainda bem que, e aí você completa com seus “ainda bem”.
Isso muda a forma como você enxerga o que está vivendo.
O trânsito parou? Ainda bem que eu tenho um carro. Ainda bem que tenho para onde ir. Perdeu uma oportunidade? Ainda bem que não será a última. O dinheiro não entrou? Ainda bem que Deus me sustentou até aqui. Ainda bem que minha vida não se resume só a números.
Alguém te decepcionou? Ainda bem… agora você conheceu essa pessoa de verdade. Ainda bem… isso revelou mais sobre ela do que sobre você. Repita… até se tornar automático.
Crie seus próprios “ainda bem que”. Pelo menos três para cada situação. Isso não é negar o problema. É escolher a forma de olhar para ele. É uma decisão de fé.
Quem aprende a dizer “ainda bem que” começa a viver o que São Paulo ensinou: viver com gratidão em todas as circunstâncias. E quer saber de mais uma coisa? Ainda bem que você pode, e deve escolher como olhar as circunstâncias.
“Em todas as circunstâncias, daí graças, porque esta é a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus.” (1 Tessalonicenses 5,18)
SORTE, USE COM MODERAÇÃO
Muita sorte, às vezes, pode fazer mais mal do que bem. Um barco, para chegar ao destino, não precisa apenas de vento a favor — é preciso remar também.
Veja a história de muitos ganhadores de loteria que, em pouco tempo, perdem tudo. A vida, curiosamente, não forma pessoas fortes pela sorte, mas pelos desafios.
É o esforço que ensina o valor das conquistas. É a espera que ensina a perseverar. É o tropeço que alarga o passo. É a demora que ensina a paciência.
As melhores histórias não são as de quem teve mais sorte, mas de quem teve coragem quando a sorte faltou.
E há uma grande diferença entre ter sorte e viver bem.
A sorte pode até trazer algo bom até você. Mas viver bem é cuidar, com sabedoria, daquilo de bom que chegou.
Se a sorte aparecer, agradeça. Mas não dependa dela. Esperar sorte é viver torcendo, não lutando.
E talvez seja por isso que Jesus nunca prometeu sorte para ninguém, mas sempre prometeu presença, direção e propósito.
“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te apoies em tua própria prudência; reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.” (Provérbios 3,5-6)
VOCÊ PERDEU OU ABANDONOU?
É mais fácil reencontrar o que se perdeu do que aquilo que se abandonou.
Perder e abandonar parecem a mesma coisa, mas não são.
Perder, muitas vezes, é acidente da vida. Escapa das mãos, foge do controle, acontece apesar de nós. É como algo que cai no caminho, ainda existe, ainda pode ser reencontrado, ainda guarda a possibilidade de voltar.
Mas abandonar, é diferente. Abandonar é decisão. É quando soltamos de propósito, viramos as costas, escolhemos não cuidar mais.
E toda escolha tem consequência, inclusive aquelas feitas no silêncio, sem testemunhas.
Quando você perde algo, ainda pode procurar. Mas quando você abandona, talvez já não haja mais aonde voltar. Principalmente quando falamos de pessoas. Porque pessoas não são objetos esquecidos na estrada. Pessoas sentem. Pessoas seguem. Pessoas se reorganizam sem você. E o espaço que um dia foi seu pode aprender a viver vazio, ou pode ser preenchido por alguém que decidiu permanecer.
Por isso, antes de desistir, pense. Antes de ir embora, avalie. Antes de abrir mão, cuide.
Porque aquilo que se perde, às vezes, se encontra. Mas aquilo que se abandona, nem sempre espera ser resgatado.
“Há amigo mais chegado que um irmão.” (Provérbios 18,24)
Por: Carlinhos Marques
Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”
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