SOBRIEDADE JÁ 

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Carlinhos Marques - Presidente Fundador do INSTITUTO NOVO SINAI - Foto: Reprodução

O QUE JESUS FARIA SE ESTIVESSE EM SEU LUGAR?

E se, antes de qualquer decisão importante, a gente tivesse coragem de parar tudo e fazer essa pergunta, não como frase bonita de camiseta, mas como critério real de escolha: O que Jesus faria se estivesse em meu lugar?

O problema é que essa pergunta incomoda. Ela não serve para justificar impulsos, ela desmascara intenções. Jesus nunca decidiu para vencer discussões, decidiu para curar pessoas. E, no nosso caso, decidir certo também pode nos curar.

Jesus não escolhia o caminho mais rápido, nem o mais confortável. Escolhia o verdadeiro. O misericordioso. O que exigia mais amor e menos aplauso. Enquanto nós buscamos atalhos, Ele seguia o caminho estreito. Enquanto queremos ganhar argumentos, Ele queria salvar corações. 

Sejamos honestos: muitas vezes não fazemos essa pergunta porque já sabemos a resposta. Sabemos que Ele perdoaria quando queremos vingar. Ele esperaria quando queremos agir no impulso. Ele diria a verdade quando preferimos o silêncio conveniente. A pergunta não é difícil. Difícil é aceitar a resposta.

O que Jesus faria se estivesse no meu lugar? Responder com sinceridade e agir de acordo com isso é um exercício diário de renúncia. Mas também é o caminho de quem aprende, pouco a pouco, a rezar com a própria vida o: “Seja feita a vossa vontade.” 

“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.” (Mateus 7,21)

BBB: A PEDAGOGIA DA EXCLUSÃO 

Mais uma edição do reality show mais conhecido do Brasil. Mesmo formato, mesma lógica, audiência garantida e lucro certo. Mas o contrassenso começa pelo nome: Big Brother, grande irmão. Curioso, porque irmãos, quando são de verdade, não se eliminam. Irmãos se juntam.

O programa constrói uma narrativa onde vencer significa excluir o outro. Há até o “paredão”, termo que carrega uma simbologia nada inocente. Antigamente, paredões eram usados para eliminar inimigos. Hoje, eliminam pessoas em horário nobre, com torcida organizada e patrocínio.

E veja que esse tipo de proposta aguça um dos lados mais delicados e perigosos da personalidade humana: a curiosidade. A curiosidade que espia, julga, comenta e condena. Milhões assistem. Milhões opinam. Poucos se perguntam o que isso diz sobre nós.

São Tomás de Aquino um grande estudioso do comportamento humano dizia que existem dois tipos de curiosidade: a que busca o que é inútil e a que busca o que é nocivo. Impressiona como esse tipo de programa consegue agradar os dois públicos ao mesmo tempo. Chamamos de entretenimento aquilo que, muitas vezes, é apenas uma pedagogia silenciosa da exclusão.

“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?” (Mateus 16,26)

VENCEDORES VENCEM DORES

A gente aprendeu errado. Disseram que vencedor é quem sorri o tempo todo, quem não tropeça, quem nunca sangra por dentro. Mas a vida não premia quem foge da dor. A vida revela quem atravessa. 

Vencedor não é quem não chora. É quem chora… e continua. Continua quando a tentação é desistir. Continua quando a ferida ainda está aberta. Continua mesmo quando ninguém aplaude. 

Alguns vencem pessoas. Outros vencem disputas, jogos, debates. Mas os grandes vencedores vencem dores. Não romantizam a ferida, não fazem da dor um troféu, nem da vitimização um estilo de vida. Eles se recusam a permitir que a dor defina toda a sua existência.

Às vezes dói porque está crescendo. Às vezes arde porque está cicatrizando. Às vezes machuca porque está libertando.

No fim, não é a ausência de dor que nos torna fortes. É a coragem de seguir mesmo doendo. Sem perder a fé. Sem se perder de si mesmo.

“Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que a força se manifesta plenamente.”
(2 Coríntios 12,9)

VOCÊ ESTÁ PRONTO, OU VOCÊ ESTÁ DISPONÍVEL?

Você está esperando ficar pronto para dizer alguns “sins”, ou está disposto a dizer sim mesmo tremendo, e até inseguro por dentro? A gente negocia demais, principalmente com Deus: “Quando eu tiver mais recursos, mais tempo, mais segurança, aí eu vou.”

Mas Deus raramente chama os prontos. Ele chama os disponíveis.
José não tinha garantias nenhumas, só o risco de ser visto como um namorado, um pretendente traído. Maria não tinha um plano, só uma promessa. E não pediu ao anjo um tempo para organizar o enxoval, comprar o bercinho do bebê.

Os apóstolos não tinham diplomas, nem estabilidade financeira. Tinham redes, barcos e dúvidas. Mesmo assim disseram sim. Antes de estarem prontos, estavam abertos, disponíveis, antes de entenderem tudo, confiaram.

Disponibilidade é a fé em movimento. Quem espera condições perfeitas normalmente fica parado. Quem se coloca disponível vê Deus completar o que falta.

“Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra.”
(Lucas 1,38)

A SANTIDADE NO ORDINÁRIO

Vale a pena conhecer a história dos santos. Suas vidas nos inspiram, nos provocam e nos lembram que Deus age na história. Mas existe um perigo silencioso: imaginar que santidade só existe no extraordinário. 

Nem todos terão visões, estigmas ou experiências místicas. E tudo bem. Deus te chamou para viver a sua vida, a sua rotina, suas responsabilidades, seus limites. A santidade, para a maioria de nós, acontece no ordinário.

É manter a fé quando não se sente nada. É viver a Palavra quando ninguém está olhando. É permanecer fiel quando não há sinais espetaculares.

Ser santo no ordinário é amar sem holofotes, perseverar sem aplausos e confiar mesmo quando o céu parece silencioso. E isso não é ser menos espiritual. É profundamente humano, e por isso mesmo, profundamente divino.

“Sede santos, porque eu sou santo.” (1 Pedro 1,16)

Por: Carlinhos Marques

Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já” 

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