SOBRIEDADE JÁ 

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Carlinhos Marques - Presidente Fundador do INSTITUTO NOVO SINAI - Foto: Reprodução

O “X” DA QUESTÃO

Esses dias, entrei no escritório de um amigo e algo simples me chamou a atenção. No calendário em cima da mesa, cada dia passado era marcado com um X, no quadrinho correspondente ao dia. 

Aquele X era claro, quase pedagógico: aquele dia não existia mais. Tinha passado.
Não dava mais para negociar com ele.

Pode parecer trivial, mas nem sempre a gente deixa o passado passar. Na verdade, somos especialistas em manter o ontem vivo, respirando por aparelhos emocionais. Guardamos culpas, erros, frustrações e até pessoas, como se o tempo ainda estivesse em aberto, como se fosse possível renegociar o que já terminou. 

A gente não faz um X definitivo no ontem. Prefere um asterisco, um “ver depois”, um “quem sabe um dia”. E assim o passado vai ocupando espaço demais no presente. 

Todo começo de ano traz essa ilusão bonita de recomeço. Ano novo. Vida nova. Ou, pelo menos, a esperança de um “eu” um pouco menos bagunçado do que o anterior.

É como se o próprio tempo soprasse no nosso ouvido: “Eu me refiz e você?”

Mais do que prometer dieta a partir do dia 2 de janeiro, agora é a hora de subir em outra balança.

Talvez o maior peso que você carrega não seja gordura. São dias. São histórias. São cenas que já passaram, mas que você insiste em não marcar com um X definitivo.

Talvez agora seja um bom momento de dizer para o ontem, com firmeza e sem raiva: você passou.

“Eis que faço novas todas as coisas.” (Apocalipse 21,5)

ENSINE A DESCER NO LUGAR CERTO 

Vejo muitos pais absolutamente seguros de que sempre saberão o que é melhor para seus filhos. Antigamente, escolhiam até com quem as filhas iriam se casar. Hoje isso parece absurdo, mas o desejo de controle continua, apenas com outra embalagem.

Essa necessidade de decidir tudo pelos filhos pode estar criando uma geração de adultos inseguros, com diploma iniciado e coragem interrompida. 

Começam cursos, relacionamentos, projetos, e não concluem nada. 

Sabem escolher opções, mas não sustentar decisões. 

Gosto de pensar que os pais são como motoristas de ônibus na viagem da vida dos filhos. O motorista não decide o destino final do passageiro, ele garante que o caminho seja seguro, correto, honesto.

Vai chegar o dia em que o filho vai descer. E quase nunca será exatamente no ponto que os pais imaginaram. Mas se a estrada foi a certa, se os valores foram claros, então qualquer parada será um bom começo. Educar não é prender. É preparar para partir. 

“Instrui o jovem no caminho a seguir, e mesmo quando envelhecer não se afastará dele.”
(Provérbios 22,6)

AS PESSOAS NÃO SERÃO A SUA EXPECTATIVA 

Quase todo mundo já disse isso em algum momento da vida: “Como essa pessoa teve coragem de fazer isso comigo?”

Pode parecer duro, mas na maioria das vezes ninguém nos trai.

O que acontece é um erro de cálculo nosso. Criamos expectativas irreais e as colocamos sobre alguém que nunca prometeu sustentá-las.

Quando dizemos “estou apaixonado”, muitas vezes estamos apaixonados pela ideia que criamos da pessoa, não pela pessoa real. Ela pode corresponder ou não.

E quando não corresponde, chamamos de decepção aquilo que talvez seja apenas realidade. 

Quando você diz que confia em alguém, pense bem: você está confiando na leitura que fez dessa pessoa. No fundo, está confiando em você mesmo. 

Quer não se decepcionar com ninguém? Ame. Mas ame de verdade.

Aquele amor que não exige garantia, não cobra retorno e não vive de expectativa. Esse amor, venha o que vier, não se frustra porque nunca foi um contrato. 

“O amor é paciente, o amor é bondoso, tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Coríntios 13,4-7)

HOMENS E GALOS BRIGAM

Quando eu era criança, lembro de ter ido a uma chácara onde aconteciam brigas de galo. Tudo escondido, proibido.

Os galos eram colocados ali para se destruir enquanto pessoas se divertiam assistindo. 

Os galos brigavam para divertir os homens. E os homens? Criam suas brigas, guerras e divisões por dinheiro, poder e intolerância. Se não pensam como eu, vira inimigo. 

Como na briga dos galos, ou saem os dois mortos, ou um morto e outro profundamente ferido. Isso acontece entre países e dentro de casa. Entre irmãos, casais, amigos. 

Homens e galos brigam. Os galos para divertir os homens. 

Os homens, alguém está se divertindo vendo isso. 

E acho que você sabe exatamente quem se diverte com a briga, com a divisão entre os homens ne?  

“De onde vêm as guerras e contendas entre vós? Não vêm, porventura, das paixões que lutam em vossos membros?” (Tiago 4,1)

ALGUÉM PRECISA FAZER ALGUMA COISA 

Diante de situações difíceis, sempre aparece alguém com aquela frase clássica: “É um absurdo… alguém precisa fazer alguma coisa.” Curiosa essa frase.

Quando alguém diz que “alguém” tem que agir, automaticamente se exclui da responsabilidade, terceiriza a ação.

Entrega a missão para um sujeito invisível. 

Normalmente, quem fala assim reclama de tudo, vê problema em tudo e solução em nada. O pessimismo vira desculpa elegante para a inércia. É mais fácil dizer que nada pode ser feito do que arriscar fazer algo e falhar.

O vagabundo existencial não é apenas quem não trabalha.

É quem se recusa a agir, e se especializa em justificar por que não agiu. 

O mundo não muda quando “alguém” faz alguma coisa.

Muda quando alguém, e esse alguém pode e deve ser você, decide parar de falar e começar a fazer.

“Sede praticantes da Palavra, e não apenas ouvintes.” (Tiago 1,22)

Por: Carlinhos Marques 

Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já” 

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www.novosinai.org.br