Setembro Verde propõe uma cidade inteira motivada pela inclusão

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A fachada da Apae ganha a cor verde em setembro, simbolizando a luta pela inclusão, acessibilidade e garantia dos direitos das pessoas com deficiência – Foto: Arquivo Pessoal

Campanha mobiliza Votuporanga com convite da Apae para que órgãos públicos, entidades e estabelecimentos comerciais adotem a cor simbólica e deem destaque aos direitos das pessoas com deficiência.


@caroline_leidiane

Durante todo o mês de setembro, o verde ganha um significado simbólico na paisagem urbana. Em Votuporanga, a cor que representa a esperança e o crescimento de uma sociedade inclusiva também se transforma em um convite à participação coletiva no Setembro Verde. A campanha de conscientização tem como marco o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.

A mobilização busca colocar em evidencia questões que fazem parte da construção de uma sociedade acessível e igualitária, como o combate ao capacitismo, a garantia de acessibilidade em espaços públicos, transportes, escolas e no mercado de trabalho, a divulgação dos direitos assegurados às pessoas com deficiência e a ampliação da igualdade de oportunidades.

Em Votuporanga, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) propõe que essa mensagem ocupe diferentes pontos da cidade. A entidade solicitou ao município a iluminação e a decoração de espaços e equipamentos públicos na cor verde e, paralelamente, estendeu o convite:

“Solicitamos a adesão de todos os órgãos e prédios públicos do município, além de convidar as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e estabelecimentos comerciais a iluminarem suas fachadas de verde neste mês”, convida.

A proposta está amparada pela Lei Municipal nº 6.055, de 10 de outubro de 2017, que instituiu o Setembro Verde no município e estabeleceu, entre as ações previstas, a utilização da cor na iluminação e decoração urbana, a fim de promover a conscientização e dar visibilidade à causa da pessoa com deficiência.

Segundo a assistente social Thassia Cristina Esteves Santana, que atua há 15 anos na Apae, a participação deve envolver setores públicos e privados.

“Nosso objetivo é que pontos emblemáticos e de grande circulação em Votuporanga ganhem a cor da campanha, transformando a cidade em um grande vitral de conscientização, acessibilidade e respeito aos direitos das pessoas com deficiência”, afirma.

A Apae já apresentou a solicitação à Prefeitura e aguarda o alinhamento técnico para a adesão do município à iluminação temática. De acordo com a assistente social, a relação entre a entidade e o Poder Executivo tem sido de parceria em pautas relevantes para a instituição. Neste momento, porém, a mobilização também depende do envolvimento de outros segmentos.

A campanha busca ampliar o alcance da causa, combater o preconceito e promover a inclusão das pessoas com deficiência – Foto: Arquivo Pessoal

Do símbolo à mudança de atitude

O Setembro Verde teve início em 2015, por iniciativa da Federação das APAEs do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP), em parceria com a APAE de Valinhos. A campanha nasceu com o propósito de dar amplitude e apelo à causa, além de combater o preconceito e a exclusão das pessoas com deficiência. Ao longo dos anos, a campanha conquistou abrangência em diferentes regiões.

Para Thassia, a utilização do verde em locais de visibilidade é uma forma de tornar o tema presente no cotidiano da população e estimular uma reflexão que não deve ficar restrita ao mês de setembro.

“A cor verde da campanha funciona como um lembrete diário e visual de que a inclusão precisa estar no centro das atenções de toda a sociedade. Mais do que uma ação estética, essa ocupação espacial desperta a curiosidade, estimula o debate e convida a população a refletir sobre acessibilidade e direitos”, explica ela.

A campanha, portanto, propõe uma participação que começa no gesto simbólico de iluminar uma fachada, um prédio ou um monumento, mas pretende alcançar mudanças profundas na forma como a sociedade percebe e acolhe as pessoas com deficiência.

“Nosso objetivo ao defender a continuidade dessas ações é justamente transformar esse impacto visual temporário em uma cultura permanente de respeito, empatia e inclusão”, conclui Thassia.