Se não for no WhatsApp, vai ser onde?

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Christiano Guimarães - consultor em Segurança da Informação - Foto: Reprodução

Na semana passada, falamos de um assunto que incomodou muita gente, que entraram em contato pelas minhas redes sociais e até perguntaram o que eu tinha contra o Whatsapp.

Não é isso!

O uso do WhatsApp como ferramenta oficial de trabalho, gera lá seus riscos…

Mensagem daqui, exame dali, foto acolá… tudo rápido, tudo prático — e tudo misturado demais. 

Não foi exagero. Foi constatação.

E aí veio a pergunta que ficou no ar, principalmente para quem transita dados sensíveis como em hospitais, clínicas e laboratórios, e que precisam de agilidade, muitas vezes para salvar uma vida: “Tá, mas se não for no WhatsApp… vai ser onde?”

É sobre isso que vamos conversar hoje.

O WhatsApp não é o vilão. É só o que deu conta até agora. 

Vamos ser justos.

O WhatsApp segurou a operação por muito tempo. Resolveu urgência, facilitou comunicação, quebrou galho — e muito. 

O problema é que ele virou o canivete suíço da empresa, mesmo não tendo sido feito pra isso.

E quando a empresa cresce, o volume de dados aumenta, a responsabilidade sobe e o risco fica real, o improviso começa a cobrar seu preço. 

Na saúde, então, nem se fala. Documento sensível, imagem, informação de paciente… tudo circulando no mesmo aplicativo onde chega figurinha, meme e áudio fora de contexto. 

Funciona? Funciona e muito.  Mas começa a não fazer mais sentido, principalmente com a chegada da LGPD. 

A boa notícia: não precisa reinventar a roda 

Muita gente imagina que sair do WhatsApp significa entrar num sistema complicado, lento, cheio de regra e difícil de usar, mas não é. 

Hoje já existem ferramentas que permitem troca rápida de mensagens, envio de documentos, imagens e informações, com a mesma agilidade — só que com mais organização e menos risco. 

Ferramentas que: 

  • separam conversa profissional da pessoal; 
  • organizam assuntos por equipe ou tema; 
  • mantêm histórico; 
  • e permitem mais controle sobre quem vê o quê.

Uma delas, inclusive, muita gente já tem acesso e nunca parou pra explorar direito: Microsoft Teams.

“Mas isso não é complicado?” Não. É diferente. 

Diferente não significa difícil. Neste caso, significa mais adequado.

A lógica continua a mesma: mensagem, resposta rápida, arquivo enviado, informação compartilhada.

O que muda é o ambiente.

Sai a bagunça. – Entra a organização. 

Sai o risco constante. – Entra a previsibilidade. 

E isso, no dia a dia de muitas empresas, faz uma diferença enorme — mesmo que, à primeira vista, pareça só “trocar de aplicativo”. 

Não é uma ruptura. É uma evolução. 

Ninguém está dizendo para apagar o WhatsApp do celular.

Ele continua sendo útil para muita coisa.

Mas no ambiente empresarial — principalmente onde há dados sensíveis — começa a ficar claro que ele já não é a melhor ferramenta para tudo.

E toda vez que uma empresa amadurece, ela precisa rever seus hábitos. Não por moda, mas por necessidade.

Semana passada, falamos do risco. Hoje, mostramos que existe caminho. 

Não é mágica. Não é complicado. Não é engessado. 

É possível manter rapidez, objetividade e fluidez — com mais segurança e menos susto. 

Quem quiser continuar como está, continua. Quem quiser evoluir, já tem por onde começar. 

E é exatamente aí que essa conversa ganha sentido.

*Christiano Guimarães – consultor em Segurança da Informação

Autor do Livro: Como Adequar Minha Empresa à Lei Geral de Proteção de Dados – Um Guia Prático