Na semana passada, falamos de um assunto que incomodou muita gente, que entraram em contato pelas minhas redes sociais e até perguntaram o que eu tinha contra o Whatsapp.
Não é isso!
O uso do WhatsApp como ferramenta oficial de trabalho, gera lá seus riscos…
Mensagem daqui, exame dali, foto acolá… tudo rápido, tudo prático — e tudo misturado demais.
Não foi exagero. Foi constatação.
E aí veio a pergunta que ficou no ar, principalmente para quem transita dados sensíveis como em hospitais, clínicas e laboratórios, e que precisam de agilidade, muitas vezes para salvar uma vida: “Tá, mas se não for no WhatsApp… vai ser onde?”
É sobre isso que vamos conversar hoje.
O WhatsApp não é o vilão. É só o que deu conta até agora.
Vamos ser justos.
O WhatsApp segurou a operação por muito tempo. Resolveu urgência, facilitou comunicação, quebrou galho — e muito.
O problema é que ele virou o canivete suíço da empresa, mesmo não tendo sido feito pra isso.
E quando a empresa cresce, o volume de dados aumenta, a responsabilidade sobe e o risco fica real, o improviso começa a cobrar seu preço.
Na saúde, então, nem se fala. Documento sensível, imagem, informação de paciente… tudo circulando no mesmo aplicativo onde chega figurinha, meme e áudio fora de contexto.
Funciona? Funciona e muito. Mas começa a não fazer mais sentido, principalmente com a chegada da LGPD.
A boa notícia: não precisa reinventar a roda
Muita gente imagina que sair do WhatsApp significa entrar num sistema complicado, lento, cheio de regra e difícil de usar, mas não é.
Hoje já existem ferramentas que permitem troca rápida de mensagens, envio de documentos, imagens e informações, com a mesma agilidade — só que com mais organização e menos risco.
Ferramentas que:
- separam conversa profissional da pessoal;
- organizam assuntos por equipe ou tema;
- mantêm histórico;
- e permitem mais controle sobre quem vê o quê.
Uma delas, inclusive, muita gente já tem acesso e nunca parou pra explorar direito: Microsoft Teams.
“Mas isso não é complicado?” Não. É diferente.
Diferente não significa difícil. Neste caso, significa mais adequado.
A lógica continua a mesma: mensagem, resposta rápida, arquivo enviado, informação compartilhada.
O que muda é o ambiente.
Sai a bagunça. – Entra a organização.
Sai o risco constante. – Entra a previsibilidade.
E isso, no dia a dia de muitas empresas, faz uma diferença enorme — mesmo que, à primeira vista, pareça só “trocar de aplicativo”.
Não é uma ruptura. É uma evolução.
Ninguém está dizendo para apagar o WhatsApp do celular.
Ele continua sendo útil para muita coisa.
Mas no ambiente empresarial — principalmente onde há dados sensíveis — começa a ficar claro que ele já não é a melhor ferramenta para tudo.
E toda vez que uma empresa amadurece, ela precisa rever seus hábitos. Não por moda, mas por necessidade.
Semana passada, falamos do risco. Hoje, mostramos que existe caminho.
Não é mágica. Não é complicado. Não é engessado.
É possível manter rapidez, objetividade e fluidez — com mais segurança e menos susto.
Quem quiser continuar como está, continua. Quem quiser evoluir, já tem por onde começar.
E é exatamente aí que essa conversa ganha sentido.
*Christiano Guimarães – consultor em Segurança da Informação
Autor do Livro: Como Adequar Minha Empresa à Lei Geral de Proteção de Dados – Um Guia Prático





