Preguiça, eu?!

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Bored woman lying in sofa

Denize Gonçalves

Querida leitora, caro leitor, você que tanto quanto eu já ouvimos e até falamos, inúmeras vezes, o termo “preguiça”, já foi a fundo entender o que isto realmente significa? Pois bem, hoje eu tive esta vontade: refletir melhor sobre o que é e de onde vem.

Primeiramente, fui buscar ajuda no dicionário, que disse que preguiça é “aversão ao trabalho; negligência, indolência; morosidade, lentidão; e por aí vai, mas vamos ficar por aqui, pois isto nos basta.

Poderíamos concluir que a preguiça é, então, a falta de vontade para alguma coisa?! Sendo assim, o que seria a vontade? Segundo, também, o dicionário, vontade é “a faculdade de representar, mentalmente, um ato que pode ou não ser praticado em obediência a um impulso ou a motivos ditados pela razão;…”. Sensacional!

Se, a preguiça, então, é a aversão a algo produtivo, que será bom para a pessoa, e associado a isto reflete uma negligência, um ignorar algo que é importante para a vida dela no campo do trabalho, seja ele qual for, e sob qual aspecto, e por isso ela caminha devagar, lentamente, em prejuízo de si mesma, existe aí uma falta de vontade, percebe?

Ah, como é difícil aceitar que de uma forma ou de outra; em uma situação ou outra, temos em nós algumas facetas de preguiça! Ah, não, Denize, preguiça, eu?! – você até pode estar pensando que não, mas é um fato.

Uma pessoa pode ser trabalhadora extenuante; pode até cumprir com horários rígidos, mas isto não é tudo. Vejamos. Esta mesma pessoa pode, por outro lado, ter preguiça de realizar um exercício físico, ou cozinhar, ou beber água, ou limpar uma casa, ou fazer uma caminhada, ou arrumar sua própria cama, ou silenciar a mente, ou ler, ou quaisquer outros exemplos que poderíamos enumerar para dizer que somos imperfeitos ainda, e que a preguiça é uma imperfeição, um vício moral, proveniente da pouca vontade ou má vontade de algo que não nos empenhamos, verdadeiramente, em fazer. E por que não nos empenhamos em fazer?

A verdade é que tudo nasce de uma priorização. Sim, o que priorizamos vem sempre na frente. Se acreditamos que uma coisa é mais importante que a outra, ficamos com a da nossa preferência. Se ler for mais importante, vamos priorizar esta ação. Se uma visita a alguém for mais importante, vamos priorizar a visita na frente de algo que podemos organizar para outro horário. Tudo está dentro de uma análise do que priorizamos, e é certo que, como nos disse o dicionário, seja passado pela razão.

Enfim, somos o que pensamos, o que sentimos e o que fazemos. Nossas escolhas dizem quem já somos ou quem ainda não somos. E não adianta taparmos o Sol com a peneira e apontarmos um dedo para alguém dizendo que ele é preguiçoso, pois três estarão apontados para nós; mesmo porque a lista de itens que nos acompanha para que modifiquemos os nossos hábitos negativos diários é bem maior do que três.

O grande físico e matemático alemão Albert Eisntein (1879-1955) contribui com a nossa reflexão quando nos diz: “Há uma força motriz mais poderosa que o vapor, a eletricidade e a energia atômica: a vontade.”.

Sendo assim, é necessário que nos autoanalisemos, incessantemente, que nos esforcemos para diagnosticar em nós, sem medo e sem reservas, as faces da preguiça que ainda existem em nosso ser e que atravancam o nosso progresso aqui na Terra, esta grande e divina oportunidade de trabalho concedida a cada um de nós.

 

Denize Gonçalves – Psicanálise Clínica – É colaboradora deste Diário