PF cumpre novos mandados de busca e apreensão em operação que apura pirâmide financeira 

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Foto: Polícia Federal/Divulgação

Segundo a polícia, dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Rubinéia/SP e Casa Branca/SP, cidades de dois “consultores” que faziam a captação dos recursos das vítimas. Três pessoas estão presas preventivamente.


Novos mandados de busca e apreensão foram cumpridos pela Polícia Federal de Jales/SP nesta quinta-feira (25.nov), durante a operação Ponzi, que investiga um esquema de prática de pirâmide financeira.

Segundo a PF, a investigação apontou que o esquema movimentou mais de R$ 100 milhões nos últimos quatro anos. Três integrantes do grupo estão presos preventivamente, sendo um empresário e dois diretores de uma empresa financeira de Santa Fé do Sul/SP.

Nesta quinta-feira, dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Rubinéia/SP e Casa Branca/SP, cidades de dois “consultores” do grupo, que faziam a captação dos recursos das vítimas.

A polícia apurou que eles ganhavam entre 5% e 10% sobre o total dos valores captados dos clientes. Os valores recebidos variavam entre R$ 100 mil e R$ 200 mil por mês. 

Após uma representação da Polícia Federal, a Justiça Estadual de Santa Fé do Sul decretou o bloqueio dos bens, além dos recursos financeiros das contas dos investigados, bem como de suas empresas, que permanecem à disposição da Justiça Estadual.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos dois veículos, uma embarcação, celulares, mídias de armazenamento, computadores e documentos. 

Investigação 

O grupo foi preso na operação Ponzi, deflagrada pela Polícia Federal de Jales no dia 11 de novembro. A investigação apontou que o empresário Eduardo Bercelli Mendes e o diretor geral Murilo Dantas Oliveira tinham uma empresa que oferecia serviço de crédito. Eles apontavam vantagens relacionadas ao investimento de economias, com a promessa de um retorno de 6% ao mês. A empresa, contudo, não tinha meios para repassar os valores aos investidores. 

Segundo o delegado da Polícia Federal de Jales, Jackson Gonçalves, a investigação começou a partir de uma denúncia de que um empresário de Santa Fé do Sul captava dinheiro do mercado e pagava juros maiores do que os oferecidos pelos bancos sociais. 

“Quanto mais ele pegava o dinheiro e pagava, mais as pessoas investiam e mais propagandas eram feitas nas mídias, a ponto dele ter pagado uma matéria na Revista Forbes, como se fosse um empresário de sucesso no Brasil, bem sucedido, que andava com carros luxuosos, lanchas e aviões, e que tinha imóveis”, explicou. 

“Tudo isso enchia os olhos dos investidores, que achavam, cada vez mais, que aquele era o caminho certo. Com essa forma de agir, ele conseguia cada vez mais investidores.” 

O delegado explica que, depois da captação dos recursos dos investidores, os juros pagos não eram com a receita dele, mas com o dinheiro de outros investidores que entravam no ciclo financeiro. 

“Esse tipo de atividade é denominado como pirâmide financeira. A hora que os investidores pararem de entrar na cadeia, ela vai ruir. Aí quem entrou e pagou, não vai receber. Por isso o crime de economia popular”, afirmou. 

“A quantidade de vítimas ainda não foi confirmada. Com a deflagração da operação e cumprimento das buscas, vamos analisar o material e documentação apreendidos. A partir da documentação, vamos poder chegar ao número de vítimas.” 

Prisões e apreensões 

A operação foi deflagrada em Santa Fé do Sul, Santa Clara d’Oeste, Votuporanga, Bebedouro, Araçatuba, Casa Branca, Americana, Santana de Parnaíba e São Paulo. Só em Santa Fé do Sul, os suspeitos tinham diversos empreendimentos. Entre eles um hotel em construção e um restaurante de alto padrão às margens do Rio Paraná, informou a PF. 

Durante a operação, foram apreendidos oito carros de luxo, quatro embarcações, uma aeronave e uma moto aquática em imóveis que pertenciam aos suspeitos. A Justiça também bloqueou R$ 75 milhões de pessoas físicas e jurídicas ligadas à empresa. 

Os presos vão ser indiciados pelos crimes contra o sistema financeiro nacional, falsidade ideológica, estelionato, crime contra a economia popular e organização criminosa. Se condenados, as penas somadas podem chegar a 24 anos de reclusão.

*Informações/g1