
Camerata Villa-Lobos explora diferentes faces do gênero em apresentação que celebra os 60 anos da Unifev e a décima edição dos Concertos Unifev. A programação será neste sábado (10), com entrada solidária.
@caroline_leidiane
O tango carrega no corpo da música uma combinação particular de tensão, delicadeza e movimento. Antes de ser dança, foi encontro; antes de ganhar salões e palcos pelo mundo, absorveu diferentes culturas, ritmos e sensibilidades. Nas mãos de compositores como Carlos Gardel e Astor Piazzolla, tornou-se uma linguagem capaz de transitar entre a melancolia, a dramaticidade e a elegância, sem perder a pulsação que lhe atribui identidade.
É essa multiplicidade que, merecidamente, chega ao palco do Centro de Convenções “Jornalista Nelson Camargo” neste sábado, 10 de outubro, às 20h, durante o concerto “Clássicos Portenhos”, da Camerata Villa-Lobos.
A apresentação integra a programação comemorativa dos 60 anos da Unifev e celebra, simultaneamente, a décima edição do Concerto Unifev, realizado anualmente pela instituição.
Desta vez, a concepção do espetáculo nasce de uma lembrança musical cultivada desde os primeiros encontros entre a Camerata e a universidade.
“A escolha do tema foi inspirada justamente na história dos nossos concertos com a instituição, cujas primeiras edições costumavam ser encerradas com músicas do compositor argentino Astor Piazzolla. Inspirados pela intensidade e pela emotividade de suas composições, decidimos homenagear o tango, um estilo musical tão importante para a cultura da América do Sul”, afirma a violinista Maria Fernanda Brigati.

Piazzolla como ponto de partida
O compositor argentino ocupa o eixo central da noite, mas não sozinho. O repertório reúne 12 obras e aproxima diferentes momentos da história do gênero, com peças de Piazzolla, Carlos Gardel, do brasileiro Ernesto Nazareth e outros autores ligados a esfera do tango.
“As peças foram escolhidas de forma a explorar diferentes aspectos da intensidade e da sensibilidade do gênero, e um dos grandes destaques será nosso arranjo de ‘Adiós Nonino’, uma das obras mais conhecidas de Piazzolla”, explica Maria Fernanda.
Do intimismo à força do conjunto
A estrutura do concerto foi concebida para que o público possa apreciar a riqueza do gênero e, sobretudo, conhecer as múltiplas possibilidades sonoras desse estilo sul-americano.
“O espetáculo terá cerca de uma hora de duração e será dividido em duas partes. Inicialmente, haverá um momento de solos e formações menores, com duplas e trios acompanhados ao piano, como uma lembrança dos primeiros Concertos Unifev. Na segunda metade, teremos a formação completa da Camerata, com todos os músicos no palco. A proposta é também mostrar a versatilidade do tango, que pode ser explorado em diferentes formações e sonoridades”, pontua a violinista.
A formação escalada para a apresentação inclui Evelyn Fiori, Maria Fernanda Brigati, Ana Júlya Araújo e Bruna Lima, nos violinos; Alex Massuia e João Pedro Brigati, nos violoncelos; Paulo Fuzzari, no contrabaixo; Maria Eduarda Stipp, na flauta transversal; e Higor Feltrin, na percussão.
Para a primeira parte, alguns músicos deixam momentaneamente suas funções habituais. Bruna Lima assume o piano, enquanto Alex Massuia passa a atuar no contrabaixo, criando combinações que ampliam o desenho sonoro do espetáculo.
Na perspectiva dos músicos, o mergulho no tango inaugura uma experiência dentro da Camerata. O grupo já transitou por repertórios eruditos, música popular brasileira e rock, mas nunca havia dedicado um concerto inteiro ao gênero argentino.
“O tango é um estilo muito intenso, que exige bastante conexão entre os músicos e com a própria música, então foi muito interessante explorarmos juntos as possibilidades desse repertório. É um gênero que muitos conhecem principalmente pelas danças e por obras como ‘Por una cabeza’, mas que também é muito versátil e complexo, especialmente quando conhecemos compositores como Piazzolla, que foi um grande inovador dentro do estilo”, observa a componente da Camerata.
O espetáculo parte precisamente dessa distância entre o tango que habita o imaginário popular e aquele que se revela quando ouvido em profundidade. O contraste permite que o público acompanhe distintas maneiras de construir a mesma identidade sonora.
“O repertório procura justamente mostrar que o tango não é um gênero único ou limitado a uma determinada sonoridade. Ao longo do concerto, passamos por diferentes compositores e formas de trabalhar o estilo, desde nomes mais ligados ao tango tradicional, como Carlos Gardel, até a linguagem mais inovadora de Astor Piazzolla, que incorporou elementos de outros gêneros e trouxe novas possibilidades para o tango”, pontua a violinista.
Quando ouvir se transforma em gesto
O convite para o concerto poderá ser retirado mediante a doação de três quilos ou três litros de alimentos não perecíveis, como arroz, feijão, macarrão, leite e óleo de soja. Os donativos serão destinados a entidades filantrópicas de Votuporanga. A iniciativa aproxima a programação cultural de uma contribuição solidária concreta.
“A música é uma arte que mexe muito com nossos sentimentos no momento em que a ouvimos e que pode nos lembrar da nossa própria humanidade. Por isso, acredito que uma ação social tenha tudo a ver com esse momento em que estamos refletindo sobre a importância de cuidar um do outro e de estar em comunidade. A própria Camerata existe pelo amor que cada um de nós sente por fazer música em grupo, e esse senso de comunidade é muito importante para nós. Dessa forma, realizar o concerto de maneira solidária é uma extensão desses valores: levar a música ao público e, ao mesmo tempo, transformar essa experiência em uma oportunidade de contribuir com outras pessoas”, ressaltou Maria Fernanda.
Entre cordas, piano, sopros e percussão, “Clássicos Portenhos” propõe uma noite em que o tango aparece longe de uma única moldura. A tradição de Gardel, a invenção de Piazzolla e as alternantes formações da Camerata compõem um caleidoscópio musical, no qual cada combinação revela uma nova nuance do gênero.
No ano em que a Unifev completa seis décadas, a décima edição de seu concerto anual transforma a celebração em encontro: entre passado e presente, entre músicos e plateia, entre a experiência estética e o gesto solidário.
Concerto “Clássicos Portenhos”
- Data: sábado, 10 de outubro, às 20h
- Local: Centro de Convenções “Jornalista Nelson Camargo”
- Atração: Camerata Villa-Lobos
- Entrada: doação de 3 kg ou 3 litros de alimentos não perecíveis
Pontos de troca dos convites
- Supermercado Porecatu – loja 2: avenida Brasil, nº 5087, de segunda a sábado, das 7h às 22h.
- Setor de Atendimento do câmpus Centro da Unifev: rua Pernambuco, nº 4196, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 22h.




