
Durante uma entrevista, o superintendente da Autarquia afastou a hipótese de erro de emissão, atrelando o aumento no valor das faturas a “uma junção de fatores”, como por exemplo: reajuste inflacionário, adequação da Taxa de Lixo de 25% para 50%, e da Tarifa do Esgoto de 90% para 100%.
Jorge Honorio
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O aumento nas contas de água, reclamado por grande parcela da população votuporanguense desde os primeiros dias de 2026, não teria sido causado por erro de leitura da Saev Ambiental, e sim, resultado de um conjunto de fatores, é o que defendeu em entrevista à Rádio Cidade, Luciano Passoni, superintendente da Autarquia.
Questionado sobre o tema, o gestor foi categórico: “Primeiramente é importante destacar que não há um erro. Há uma junção de fatores que culminam numa conta com valor maior. É importante destacar que todo janeiro a conta vem mais alta, tem um calor. Há um reajuste inflacionário, houve também adequação da Taxa de Lixo de 25% para 50%, houve a adequação da Tarifa do Esgoto de 90% para 100% e houve, diferentemente dos outros anos, uma quantidade de dias a mais de leitura, por dois fatores: primeiro, a leitura de novembro terminou no dia 28, então nós tivemos o 29º e o 30º dia de novembro. Houve, em dezembro, os feriados de Natal e Ano Novo, que há muitos e muitos anos ele não coincidia com a quantidade de três dias para cada um. Sempre foram dois dias. O ano que mudaria para três dias ocorria o ano bissexto e o ano bissexto retroagiu o calendário.”
“Então havia, vamos chamar de uma adequação com relação a isso. Então, nessa somatória dos dois dias de novembro, os seis dias de dezembro mais o 31º dia de dezembro, dão aí nove dias. Então tem algumas contas que variaram entre 33 e 38 dias de leitura. Essa leitura, são dias a mais lidos, lidos o consumo que a pessoa teve, num período de alto consumo e com a somatória dos reajustes. Então, eu digo para você, eu afirmo para você e para os nossos ouvintes, é uma somatória de fatores. Então, não há um erro, não há um erro, há uma somatória de fatores que culminou numa conta de valor mais alto. O importante é dizer que a conta, ela é a tradução daquilo que passou pelo seu hidrômetro. Aquela máquina é um medidor de consumo. Como é a bomba de gasolina no posto, a balança no açougue, então é um medidor de consumo”, emendou Luciano Passoni.
Ainda durante a entrevista, o superintendente mirou contas consideradas ‘fora da curva’, como foi o caso de uma emitida para um endereço no bairro São Cosme: “Então, o que foi cobrado foram dias a mais. O fato, de fato, é esse. A partir do momento que começou a ter, vamos chamar assim, aumentar o índice de reclamação da população, inclusive com a divulgação de algumas contas que não são contas ‘normais’, porque uma pessoa que tem uma conta de R$ 125,00, depois ela vai para R$ 2.149,00 aquela unidade, aquela casa, ela tem um problema. Não é? A correção monetária de uma conta para levar ela para esse valor teria que ser de 2.000%. Então, ali existe um problema, como de fato constatado foi de que havia um vazamento na unidade. Então, no contexto geral do que aconteceu, foi a junção desses fatores que eu te falei. Dias a mais de leitura, o reajuste de 4,68%, a mudança do percentual da Taxa do Lixo e a mudança do percentual da Tarifa de Esgoto”, reiterou Luciano Passoni.
Protestos: coleta de assinaturas para protocolo no Ministério Público e até “CPI da Saev Ambiental”
Uma parcela organizada da população votuporanguense tem reverberado o aumento das faturas de água desde o início de janeiro, inclusive demonstrando descontentamento, na forma de protestos com cartazes e nariz de palhaço, nas três primeiras sessões ordinárias da Câmara Municipal.
Ainda segundo apurado pelo Diário, os manifestantes coletam assinaturas nos bairros e na área central de Votuporanga para protocolar o caso no Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). Outra frente dos protestos afirmou à reportagem, considerar até a abertura de uma ‘CPI da Saev Ambiental’ na Câmara, apesar de reconhecer a dificuldade de passar um processo investigatório desta envergadura em ano político, mesmo que em âmbito nacional.
Entretanto, uma ação está agendada para sábado (14), às 9h, na área da Concha Acústica, tradicional palco de eventos cívicos e protestos políticos em Votuporanga. Além disso, um buzinaço também está previsto nas principais avenidas da cidade.
Na pauta, segundo os manifestantes, as principais reivindicações são: as revisões no valor da tarifa de esgoto, que atualmente é de 100%, além da polêmica Taxa de Manejo de Resíduos Sólidos (TMRS), ou ‘Taxa do Lixo’, como ficou conhecida a iniciativa da Prefeitura de Votuporanga, aprovada pela Câmara na última sessão ordinária de 2024.




