Julgamento do trio acusado de matar família em canavial tem data marcada 

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Pai, mãe e filha de Olímpia desapareceram após saírem para almoçar em São José do Rio Preto — Foto: Arquivo pessoal

As vítimas, o casal e a filha, foram mortos a tiros em um canavial em Votuporanga/SP. Os três acusados de participação no crime serão julgados em agosto.


O Tribunal de Justiça (TJ) divulgou a data da audiência e julgamento dos três acusados de terem matado três pessoas da mesma família, em Votuporanga/SP. Os réus vão ser julgados em 26 de agosto de 2024.

João Pedro Teruel, Rogério Schiavo e Danilo Roberto Barboza da Silva, respondem por homicídio qualificado por motivo torpe (desavença de drogas), emboscada e garantir a impunidade de outro crime.

O julgamento vai acontecer na 1ª Vara Criminal de Votuporanga. Gislaine de Brito Faleiros Vendramini é a juíza responsável pelo caso.

O crime aconteceu em 28 de dezembro de 2023. As três vítimas, que moravam em Olímpia/SP, foram encontrados em um carro na zona rural de Votuporanga.

Diário tenta contato com os advogados de defesa dos acusados.

Os corpos de Mirele Tofalete, de 32 anos, Anderson Marinho, de 35, e da filha deles, Isabelly, de 15 anos, tinham marcas de tiros e estavam em estado de decomposição. 

Anderson foi o primeiro a morrer com sete tiros. A esposa dele foi alvejada por 13 tiros. A adolescente foi atingida por quatro disparos e encontrada morta debaixo do banco do carro, onde tentou se esconder dos criminosos. 

As investigações que foram feitas pelo delegado Tiago Madlum Araújo, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Votuporanga. 

O crime, de acordo com o delegado, foi premeditado, pois o trio se reuniu no dia anterior ao assassinato para combinar a emboscada. Depois, eles teriam fugido para a casa de Danilo. 

Ao longo das investigações, a imprensa teve acesso e divulgou conversas entre os investigados que revelam como foi o planejamento do crime.  

Anderson, que tinha passagens criminais por tráfico de drogas, estava com a família e levava maconha no carro para entregar aos suspeitos do assassinato. Dias antes, ele pediu para que uma testemunha do crime transportasse a droga, mas o homem negou o serviço devido ao valor que seria pago. 

Dessa forma, de acordo com o delegado, os suspeitos sabiam que Anderson levaria os entorpecentes e organizaram a emboscada. A esposa e a filha, no entanto, não tinham ligação com o tráfico e foram assassinadas por testemunharem o crime. 

Prisão 

Os três réus já estão presos. O primeiro suspeito do crime, João Pedro, foi encontrado na casa da namorada, em Valentim Gentil/SP, e preso no dia 18 de janeiro. 

Inicialmente ele negou o crime, mas depois afirmou que ajudou a armar a emboscada contra a família. João Pedro foi encaminhado ao Plantão de Votuporanga, em seguida para uma cadeia da região. 

O segundo suspeito, Rogério, foi encontrado no dia 28 de janeiro em Pedranópolis/SP, durante o cumprimento de um mandado de prisão temporária. Ele estava escondido em uma casa e se preparava para fugir na manhã do dia seguinte. 

Danilo, o terceiro suspeito, estava em saída temporária quando teria participado do crime e não retornou para o sistema penitenciário. Ele foi localizado e preso em Andrelândia/MG, a 800 km de Votuporanga, no dia 7 de fevereiro. 

Anderson Marino, a esposa Mirele Tofalete, e a filha deles, Isabelly, saíram de Olímpia para almoçar em São José do Rio Preto/SP e comemorar o aniversário da mulher, no dia 28 de dezembro. Depois disso, ninguém mais conseguiu entrar em contato com as vítimas. 

Crime 

Após dois dias, parentes receberam a informação de que o celular de Anderson teria dado sinal em Votuporanga, cidade a 139 quilômetros de Olímpia e 83 quilômetros de São José do Rio Preto. Foi no município que os corpos foram encontrados por um morador que passava pelo canavial. 

O veículo da família foi encontrado na estrada rural e apresentava marcas de tiros. O homem estava caído fora do carro, com ferimentos provocados por sete disparos. 

Antes de a família desaparecer, foi identificada uma ligação para o 190, número de emergência da PM, do celular da adolescente, mas a ligação não foi concluída. Durante a investigação, a polícia também constatou que o homem havia sido ameaçado de morte antes do crime. 

Os corpos foram levados ao Instituto Médico Legal (IML). Sem velório, os enterros ocorreram no dia 2 de janeiro de 2024, no Cemitério Jardim Parque das Primaveras, em Olímpia. 

*Com informações do g1