
Familiares encontraram idoso caminhando às margens da Rodovia Anhanguera, em Nova Odessa/SP, enquanto tentava chegar a São Paulo/SP a pé.
O idoso que estava desaparecido desde o Ano Novo após embarcar em um ônibus em Mira Estrela/SP, com destino a São Paulo/SP, foi encontrado em situação de rua neste domingo (11.jan) na Rodovia Anhanguera (SP-330), em Nova Odessa/SP.
Segundo Bruna dos Santos Marcelino, filha de Valdir Marcelino, ele havia descido do ônibus em Americana/SP, conforme informado por um comerciante da região. Desde então, Valdir estava em situação de vulnerabilidade, tentando chegar à capital paulista a pé — um trajeto de mais de 150 quilômetros até sua casa.
Valdir, de 65 anos, embarcou em um ônibus da Expresso Itamarati no dia 1º de janeiro, com destino a São Paulo, onde mora. No entanto, ele não chegou em casa e permaneceu desaparecido.
A família suspeitava que ele tivesse descido antes do destino final por estar desorientado. Há alguns anos, Valdir foi diagnosticado com esquizofrenia e abandonou o tratamento. A filha acreditava que o pai pudesse ter tido uma crise durante o trajeto.
O idoso foi encontrado pelos familiares após receberem a informação do comerciante. Segundo Bruna, Valdir contou que desceu do ônibus achando que já estava em São Paulo. O motorista ainda tentou chamá-lo de volta, mas ele saiu correndo. Logo percebeu que estava perdido. Desorientado e em um local desconhecido, acabou dormindo e vagando pelas ruas de Americana.
Bruna relatou ainda que o pai sobreviveu com a ajuda de pessoas que lhe deram alimentos e água. Ele também se alimentou de frutas colhidas diretamente das árvores, como mangas, e recebeu sapatos de uma igreja.
Segundo Bruna, ele contou que havia perdido os documentos e, como não tinha telefone celular, não conseguiu outra maneira de chegar a casa, iniciando o trajeto a pé no dia 11 de janeiro. Valdir também relatou que chegou a pedir ajuda a policiais da cidade, mas não foi atendido.
Apesar de tudo, Bruna comemora o reencontro do pai vivo e faz um alerta sobre a situação: “Sabemos que, na sociedade, moradores de rua são considerados invisíveis. Falo por mim mesma: não olhamos nos rostos deles e, quando se aproximam, ficamos com medo, pensando que vão nos assaltar ou pedir esmola, e nos afastamos. Em poucos dias, meu pai se tornou invisível. Sem acesso à televisão, redes sociais e desorientado, a única forma que encontrou para tentar voltar para casa foi andando”, relata.
Bruna destacou a importância do contato feito com o comerciante, que foi fundamental para direcionar as buscas da família. Ela também lamenta a falta de informações da empresa de ônibus, que até agora não disse se sabia onde Valdir havia descido, o que dificultou as buscas.
A imprensa procurou a Expresso Itamarati, mas até a última atualização desta reportagem não obteve resposta.
*Com informações do g1




