Fome e a desigualdade social no Brasil

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Por Andrea Anciaes

“Bebida é água!

Comida é pasto!

Você tem sede de que?

Você tem fome de que?…

A gente não quer só comida

A gente quer comida

Diversão e arte

A gente não quer só comida

A gente quer saída

Para qualquer parte…”

Começo hoje a minha matéria com esse trecho dessa famosa música do Titãs,  acho que o que ela diz ainda vale nos tempos atuais, tão hostis aos desejos e liberdades.

Em julho de 2019, nosso atual presidente declarou que “falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira, é um discurso populista”. Com certeza o presidente nunca passou ou sabe de fato o significado da palavra fome. Entendo hoje que a fome seja um assunto político que inclui questões de cultivo, distribuição de terra, nutrição e principalmente de educação.

Porque não afirmar que o povo sente fome de criar e pensar possibilidades para além das que são hoje oferecidas, por um mundo que insiste em dizer “não” para qualquer existência que não se conforme às suas expectativas? O povo brasileiro não precisa de migalhas!

Certamente o atual presidente do Brasil não sabe o significado da palavra FOME, até porque nunca deve ter sequer sentido ou passado por necessidades.

Mas o povo brasileiro sente “inúmeras fomes”.

Temos fome de uma estrutura de trabalho não precária. Temos fome de acessos. Sentimos fome de tempo para as nossas pesquisas. E tempo para descanso também porque não? Temos fome de remuneração. E de remuneração justa e equivalente ao nosso tempo de trabalho. Temos fome de um trabalho livre e inquestionável. Temos fome pelo direito de ser….fome pelo direito de pensar, fome pelo direito de ir e vir sem tantos julgamentos. Temos fome de mais coerência. O povo brasileiro sente fome de alegrias e diversões no cotidiano. Temos fome da não precarização do nosso trabalho! Temos fome de termos outras possibilidades de vida, além das que sempre nos são dadas como regra e esfregadas em nossas caras.

Temos fome e pressa de que possamos habitar qualquer espaço. Temos fome de tornar todos nossos sonhos possíveis! Sonhos esses que são um direito só nosso, do povo brasileiro tão sofrido!

Analisando tudo isso ao pé da letra podemos sim afirmar que a desigualdade econômica social, é um problema visivelmente presente no Brasil. A maioria da população fica a mercê de uma minoria que detém os recursos, o que gera tamanha desigualdades.

Se um país não consegue atender as necessidades básicas de grande parte de seus cidadãos, tampouco irá prosperar de forma equitativa. Até quando seguiremos cegos rumo à esse abismo sem fim? Vale ressaltar que ainda hoje o nível de desigualdade social no Brasil é escandalosamente notório.

Além da desigualdade social, há outras maneiras de avaliar uma sociedade pela maneira que trata seus integrantes do ponto de vista econômico, regional, racial e de gênero.

Não há consenso sobre qual o sistema econômico que gera mais desigualdade social. No entanto alguns estudos apontam o capitalismo, pois este se baseia na ideia de acumulação de capital e de propriedade privada.

O sistema capitalista também incita o princípio da competição e classifica o nível das pessoas baseados no capital e no consumo.

O Brasil é um dos campeões mundiais em desigualdades sociais….segundo a ONU ocupa o oitavo lugar no que tange à desigualdades, o que é explicado por vários fatores, como: colônia de exploração; um dos últimos países a abolir a escravidão; concentração de terras; desigual acesso à educação entre classes sociais e baixa qualificação; evasão escolar; baixo crescimento econômico do país; diferenças na qualificação profissional e nas condições salariais entre brancos e negros; inflação alta e carga tributária que sobretaxa produtos, reduzindo o poder aquisitivo das classes sociais menos favorecidas, as quais sobrevivem de salário mínimo ou com valores menores.

A concentração de renda agrava a qualidade de vida da população, pois aqueles que recebem menos são obrigados a acumular grandes jornadas de trabalho para manter uma renda que lhes permita a sobrevivência.

Um cenário como esse também tem reflexos na qualificação profissional, pois dificulta muito à realização de uma educação de qualidade e o ingresso do trabalhador em cursos superiores de graduação e pós-graduação.

Outro aspecto do acesso à educação de qualidade é a promoção do conhecimento e do acesso à informação, fatores norteadores para que as pessoas possam conhecer seus direitos de cidadãos e lutar por eles.

Concluindo ….cabe ao Governo, melhorar a empregabilidade, como medida paliativa, para que todos possam ter um bom emprego, fazendo assim com que a economia do país progrida, e as autoridades junto com Ministério da Educação, assegurar políticas de inclusão social, investindo na educação pública, com mais cursos profissionalizantes, para que pessoas de comunidades carentes possam ter uma vida melhor, podendo assim diminuir a desigualdade social.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, assegura que todos os cidadãos devem ser tratados com a mesma importância e com respeito, independente de sua posição ou social. Atualmente, no Brasil, porém, observa-se justamente o contrário, visto que há uma crescente desigualdade decorrente de privilégios que, muitas vezes, não são reconhecidos da maneira que deveriam!

Abaixo uma reflexão para todos nós:

Fazei justiça ao fraco e ao órfão, procedei retamente para com o aflito e o desamparado. (Salmos 82:3)