Fascismo: Um regime que fere os princípios humanos e desrespeita a democracia.

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Getúlio Vargas governou o Brasil por 18 anos (1930-1945 e 1951-1954)

É extremamente necessário saber identificá-lo, para que não volte a acontecer

Por Pérola Ferraz *

O Fascismo é um tema muito complexo e, nos últimos tempos, tem dominado a mídia e as redes sociais. Foi um dos termos mais pesquisados no Google, no Brasil e no mundo, na semana passada. Você já ouviu falar? Sabe o seu significado? Você acha que o Brasil pode ficar facista?

O termo fascismo é derivado da palavra em latim fasces, que designava um feixe de varas amarradas em volta de um machado, e que foi um símbolo do poder conferido aos magistrados, na República Romana, de flagelar e decapitar cidadãos desobedientes. O Fascismo surgiu na Europa, mais especificamente na Itália, por volta de 1922, durante um período que a história chama de “entre guerras”, ou seja, entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, com predomínio dos regimes totalitários. O primeiro deles foi o Fascismo, mas, sem dúvidas, o mais famoso de todos acabou sendo o Nazismo. Benito Mussolini foi o grande precursor do fascismo na Europa. Isso se espalhou por outros países do mundo, como a Alemanha, Espanha, Portugal e influenciou, até mesmo, a América, principalmente quando falamos do governo de Getúlio Vargas, no Brasil.

Benito Mussolini saudando a multidão em Roma

É muito complexo falar sobre o fascismo, visto que ele varia muito, de acordo com o país e o contexto no qual está inserido e, apesar de não haver um consenso em seu significado, algumas características se repetem, como por exemplo, o caráter imperialista, antiburguês, autoritário, antiliberal e nacionalista. No entanto, é extremamente necessário saber identificá-lo, para que as atrocidades cometidas nos regimes fascistas não voltem a acontecer e o povo nunca mais fique à mercê de governos totalitários, que ferem os princípios humanos e desrespeitam a democracia.

Estaria o Brasil voltado ao regime Fascista?

É preciso cautela para não corrermos o risco de, toda vez que criticarmos algum governo, chamá-lo de fascista, já que o Fascismo foi uma forma governamental que infelizmente existiu, mas que pode ser barrada e seus efeitos podem ser diminuídos no futuro. Talvez ele não volte da forma clássica, como ocorreu na Europa, no período entre guerras, mas algumas características do fascismo podem vir à tona e precisamos estar atentos para percebê-las e combatê-las, pois a sociedade necessita de democracia, a qual não deve jamais ser questionada, mas sim, aprimorada.

  • Pérola Ferraz é professora de História na Rede Estadual de Ensino

 

NAZISMO E FASCISMO

Qual a diferença entre nazismo e fascismo?

Apesar das semelhanças, o nazismo e o fascismo são diferentes. O nazismo foi um movimento ideológico que nasceu na Alemanha e esteve sob o comando de Adolf Hitler de 1933 a 1945.

Já o fascismo foi um sistema político e surgiu primeiro, na Itália, tendo aumentado a sua influência na Europa entre 1919 e 1939.

O nazismo tem caráter nacionalista, imperialista e belicista (que tende a se envolver ativamente em guerras). O fascismo também tem caráter nacionalista e é antissocialista.

 

O que é fascismo?

Símbolo do fascismo italiano dos anos 20/30 e 40

Em um regime fascista, a sociedade e a economia ficam sob total domínio do Estado. Este usa a ditadura e a força para implantar medidas, além de utilizar a violência para reprimir a oposição.

Como no nazismo, os fascistas eram extremamente nacionalistas e anticomunistas, assim como não acreditavam na liberdade política e econômica.

Outro aspecto marcante do fascismo é que se pregava que os interesses da população eram os interesses do Estado, apesar de o movimento desprezar a democracia eleitoral.

Por isso, não era necessário que o povo se manifestasse através de representantes eleitos, pois o Estado já saberia o que seria melhor para a população.

O regime fascista é autoritário, sendo o poder do líder inquestionável, pois possui uma aura de divindade. O culto à personalidade (do líder) é uma das características do fascismo, assim como no nazismo e em outros sistemas ditatoriais.

Uma das diferenças mais importantes entre o fascismo e o nazismo é que o movimento não incorporou o racismo nas suas diretrizes originais.

Principais características do fascismo

Totalitarismo

Os fascistas acreditavam que a nação devia ficar sob o comando de um único líder, sendo que ele não teria limites para o poder em mãos. Isto é, as decisões tomadas e as ordens dadas pelo líder fascista eram inquestionáveis.

Praticamente todos os aspectos da vida pública e privada deveriam ser regulamentados pelo Estado.

Nacionalismo

Da mesma forma que o nazismo, a ideia de nacionalismo era muito enraizada no fascismo. Os fascistas lutavam pela “preservação da nação”, mesmo que isto fosse feito através de medidas violentas, que deveriam ter o apoio da população.

O nacionalismo dos fascistas era militante. Todos os cidadãos do país deveriam participar desde a infância dos movimentos nacionais, por bem ou por mal.

Populismo

Para que o sentimento de nacionalismo fosse implantado na mente dos cidadãos, o regime fascista criava propagandas políticas e populistas para enaltecer o povo.

Além disso, era uma ideologia extremamente contra intelectuais e suas pesquisas. O anti-intelectualismo era incutido na mente dos cidadãos para que rejeitassem ideias e conceitos que não fossem promovidos pelo Estado.

Antiliberalismo

Apesar de aceitar algumas ideias capitalistas, como a propriedade privada, o fascismo acreditava que o Estado devia intervir na economia. Isto a fim de impedir “desequilíbrios” econômicos e sociais.

Há algumas outras características, como o militarismo, em que a sociedade estaria sempre preparada para a guerra e o expansionismo.

 

O que é nazismo?

 

O nazismo foi um movimento ideológico surgido na Alemanha e é comumente associado ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, comandado por Adolf Hitler de 1933 a 1945.

Apesar de muitos o considerarem uma versão “extrema” do fascismo, a principal diferença é que o movimento nazista acreditava no “racismo científico”.

O “racismo científico” é a crença em uma pseudociência de que existem raças de seres humanos superiores e inferiores.

O conceito de “raça” entre seres humanos tem sido debatido. Atualmente, “etnia” é o termo mais utilizado para referenciar grupos distintos, já que aspectos socioculturais são considerados mais relevantes que fatores genéticos.

No entanto, os alemães, sob influência do Partido Nazista, passaram a acreditar que a “raça ariana” era superior a todos os outros grupos humanos, sendo os judeus o alvo principal de seus preconceitos e dogmas. Por isso, os nazistas são antissemitas.

A origem da palavra “nazismo” está ancorada na junção das palavras Nacional-Socialismo. Neste caso, o socialismo foi redefinido pelos nazistas para distingui-lo do socialismo marxista, fortemente rechaçado pelo movimento.

Extremamente rígidos no que tocava a sua superioridade em relação a outras “raças”, os nazistas contrastavam no quesito “luta de classes”, sobre o qual eram contra. Isto fazia frente ao capitalismo, que passava a dominar o ocidente.

Racismo

Os nazistas praticaram o “racismo científico”, termo atualmente usado com carga pejorativa e uma vertente ideológica baseada em uma pseudociência para justificar atos racistas.

De acordo com a crença alemã da época, os seres humanos eram divididos por “raça”, sendo a “raça ariana” superior a todas as outras. Neste sentido, consideravam os judeus a raça mais inferior, aversão chamada de “antissemitismo”.

Para todos os efeitos, os alemães sob influência do nazismo acreditavam que não deveriam se misturar a outras “raças”, sendo o povo que deveria liderar o mundo.

Totalitarismo

O cidadão que vivia na Alemanha nazista deveria seguir os preceitos ordenados pelo Estado, não tendo liberdades (como de expressão) garantidas.

As ações e medidas adotadas pelo Führer (líder nazista) eram inquestionáveis, uma vez que era cultuado quase como uma divindade.

No totalitarismo, o governo tenta comandar todos os aspectos sociais, sejam de ordem pública ou privada.

Desta forma, é um sistema político autoritário, geralmente com o poder concentrado em uma única pessoa como líder, sem partidos políticos e parlamentos.

Nacionalismo

O nazismo defendia um nacionalismo revolucionário. Isto quer dizer que acreditavam em uma sociedade alemã “superior”, o que deu origem às ações preconceituosas e radicais do movimento.

Para os nazistas, era preciso construir uma “Grande Alemanha”, anexando territórios de povos com origem germânica, como a Áustria.

Esta construção era chamada de “Espaço Vital” e devia incorporar os países de população ariana. Depois, deveriam se expandir para o oeste.

Anticomunismo

Por extinguir a propriedade privada, o comunismo era visto como um perigo para a sociedade alemã. Para o nazismo, as classes deveriam ser bem definidas, assim como a ascensão social se daria através do mérito e do talento.

No entanto, a ideia era que fosse criado um sentimento de solidariedade entre as classes, algo que, para os nazistas, faria que a distinção fosse superada.

Vale ressaltar que o socialismo embutido na palavra “nazismo” (Nacional-Socialismo) não teria ligações claras com o socialismo defendido por Karl Marx, que era judeu.

Outro ponto considerado perigoso pelos nazistas era a questão religiosa. No socialismo e comunismo, a religião deve ser algo privado e que, aos poucos, seria eliminada da sociedade.

O Partido Nazista era veementemente contra esta ideia, pois toleravam a religião desde que fosse controlada pelo Estado nazista.

Antiliberalismo

Hitler era contra o liberalismo por acreditar que o sistema econômico iria contra o interesse público. O nazismo queria uma economia voltada aos interesses do povo.

Para os nazistas, a economia de mercado e a busca desenfreada pelo lucro causava danos à sociedade.

Estes danos seriam baseados no controle econômico por grandes empresas, além da possibilidade de domínio das finanças internacionais por um país ou grupo de países.

Para o Führer, o liberalismo estava em declínio e o conceito de comércio internacional não seria eficaz para se ter acesso a recursos necessários. Para obtê-los, os nazistas acreditavam no domínio completo de territórios que possuíssem tais recursos. Portanto, a guerra era a única forma de consegui-los.