Família luta para transferir filho com doença rara de Votuporanga para Rio Preto

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Mãe do pequeno Kauã internado a 1 ano e 6 meses na Santa Casa de Votuporanga pede às autoridades para transferir o filho para São José do Rio Preto

Revanir e sua esposa Jaqueline a 1 ano e 6 meses pedem ajuda para transferir seu filho Kauã para um hospital em São José do Rio Preto

 

Andrea Anciaes

Uma moradora de São José do Rio Preto, luta sem sucesso a mais de um ano para conseguir a transferência de seu filho que nasceu prematuro e com má formação no intestino, da Santa Casa local para um Hospital de Rio Preto.

Jaqueline Paula Castro deixou o emprego e a família para cuidar da criança. Segundo ela, Kauã, de 1 ano e 6 meses, nunca foi para casa. “Estamos morando aqui na Santa Casa de Votuporanga. Meu marido não tem mais condições de arcar com as despesas de viagens que precisa estar fazendo para dar assistência aqui para mim e nosso filho”.

A família, que mora em São José do Rio Preto e não possui nenhum vínculo familiar aqui em Votuporanga diz que o bebê nunca conheceu a própria casa. Desde o nascimento, a criança está internada, primeiramente na UTI neonatal onde permaneceu por 4 meses e atualmente na ala de pediatria. O sonho de Jaqueline e seu marido Revanir é que Kauã possa conhecer o quarto montado para ele e ter o tratamento que necessita na cidade onde residem.

“Quanto mais tempo ele fica no hospital, maior o risco de pegar mais alguma infecção. Sem falar que eu deixei a minha casa, fico o tempo inteiro com ele.” relata Jaqueline bastante emocionada.

Os pais de Kauã já com muitas dificuldades financeiras precisam entrar com um processo contra a Prefeitura de São José do Rio Preto, o governo do estado de São Paulo e o governo federal, pedindo que cumpram seus deveres de dar à criança acesso à saúde no município onde moram. A família não tem mais condições de financiar despesas com advogados e essa situação não pode ficar invisível aos olhos do poder público.

Revanir Dias da Rocha, pai do pequeno Kauã relata que o primeiro pedido de transferência de seu filho foi feito em novembro de 2019 e que tiveram que ir para Ribeirão Preto para que seu filho passasse por um procedimento cirúrgico no intestino por que a Santa Casa de Votuporanga não possui uma UTI pediátrica, após esse fato precisaram voltar para a Santa Casa de Votuporanga pois o município de São José do Rio Preto não aceitou o bebê alegando que o pequeno Kauã é um paciente “caro” para o sistema de saúde da cidade que hoje é referência em tratamentos. Fizemos inúmeras tentativas de transferência sem sucesso. “Nos sentimos esquecidos e abandonados, psicologicamente estamos desgastados” pontua Revanir.

Desde que nasceu a família vive em um hospital, fato que afeta a vida de todos eles. Revanir enfrenta como autônomo dificuldades no trabalho, ele fornece frutas, legumes e verduras para restaurantes e bares em São José do Rio Preto, mas devido à pandemia que assola o país viu seus rendimentos diminuírem muito e conta que já precisou vender seu carro para custear às despesas nesse 1 ano e 6 meses.

“Os horários de visitas aqui na Santa Casa não coincidem com os meus, pois além de estar vendendo meus produtos como ambulante, nós temos uma filha de 14 anos e que atualmente sozinho preciso cuidar dela, já que minha esposa fica direto na Santa Casa com nosso filho Kauã. Para chegar em Votuporanga eu pego rodovia e muitas vezes acontecem intercorrências durante a viagem prejudicando meu horário de visita” conta Revanir.

“Essa situação está cada dia mais difícil, minha família precisa da minha presença em nossa casa. Minha casa está abandonada porque estou literalmente morando em um hospital” – conta Jaqueline.

“Nosso filho Kauã tem que fazer uma cirurgia de gastrotomia e Rio Preto tem UTI Pediátrica, aqui na Santa Casa o hospital não possui essa UTI e mesmo assim se negam a recebê-lo” diz Revanir.

“Quanto tempo mais eu vou ficar aqui sozinha e sem nenhum familiar”, questiona Jaqueline.

Desde o nascimento do filho, Jaqueline sonha em voltar para a cidade natal, onde tem casa, familiares e amigos, que a ajudarão a cuidar do pequeno Kauã.

“O que mais dói nessa situação toda é quando as pessoas me perguntam se eu estou aqui sozinha. Aí vem o questionamento: que ser humano eu fui na vida que acabei aqui sozinha, longe da minha família, longe dos amigos e com meu filho desde que nasceu a 1 ano e 6 meses nesse hospital? Às vezes é meio perturbador, mas a confiança em Deus é o que está me mantendo”, finaliza.

A vida da família se transformou após o nascimento do Kauã, mas o que não falta é esperança para transferi-lo de Hospital de Rio Preto