Da origem da linguagem às Fake News!

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Por Pérola Ferraz

 

A linguagem é, sem dúvidas, um diferencial do ser humano. Nós somos um animal dotado da palavra, da linguagem, diferente dos outros animais. A linguagem permite-nos criar conceitos, nomear os objetos e os seres e construir um pensamento abstrato, atividades que os nossos companheiros irracionais não podem realizar. Justamente por essas possibilidades, podemos realizar uma infinidade de coisas, que vão, desde o desenvolvimento de técnicas (com a ajuda de nossa postura ereta e de nosso polegar opositor, que possibilita o movimento de pinça com as mãos), até o estudo da matemática, da música e da lógica.

A primeira escrita começou com a arte das cavernas. Depois os sumérios criaram o alfabeto, ícones que simbolizavam uma ideia ou até mesmo uma frase inteira. Em seguida, os egípcios desenvolveram os hieróglifos, que serviam, principalmente, para descrever a cheias do Nilo, as secas e o cotidiano do faraó. Outros povos, como os Maias, por exemplo, criaram calendários, que também podem ser considerados uma forma de escrita.

A linguagem, assim como o homem, evoluiu ao longo da história e hoje temos a tecnologia como nossa principal aliada. As informações chegam praticamente em quase todos os lugares do mundo e, na maioria das vezes, com uma velocidade impressionante.

No entanto, é preciso ter cautela, pois vivemos em tempos de infodemia, com o excesso de informações que circulam, principalmente nas redes sociais, onde as fake News são divulgadas com maior amplitude.

Fake news é um termo em inglês usado para se referir às falsas informações. A imprensa internacional começou a usar com mais frequência este termo, durante a eleição de 2016, nos Estados Unidos, na qual Donald Trump tornou-se presidente. Esse tipo de informação falsa pode ser usado por diferentes empresas ou pessoas e para fins muito distintos.

Todavia, durante o período eleitoral, as fake News são mais comuns, especialmente para tentar denegrir a imagem do candidato opositor. Contudo, isso não é algo novo, já que, na Roma Antiga, por exemplo, era muito comum essa prática e, na sociedade contemporânea, tornou-se uma estratégia muito mais poderosa e eficaz devido ao avanço da tecnologia.

Por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e das medidas de distanciamento social, o meio digital será o meio mais utilizado nas campanhas eleitorais. Por isso, é preciso ter muito cuidado, visto que as notícias falsas afetam o cenário político, enfraquecem as relações e criam ruídos de informações entre o candidato e o eleitor, prejudicando, assim, o processo eleitoral. É preciso analisar todo conteúdo divulgado nas redes sociais, verificar a origem da notícia, a credibilidade da fonte, buscar a comprovação da veracidade do fato em meios seguros, manter o cuidado com manchetes sensacionalistas e, acima de tudo, não divulgar ou repassar informações sem ter certeza de sua veracidade.

A pena para quem divulgar notícia falsa é de 2 a 8 anos. O texto foi incorporado na Lei 13.834/2019 e tem validade para as eleições deste ano. O crime por divulgar fake news é caracterizado quando a pessoa compartilha informações falsas com objetivo eleitoral. Na prática, a punição é para quem espalha as notícias falsas, com claro objetivo de destruir a imagem do adversário, sem nenhuma responsabilidade com a verdade dos fatos. Embora sejamos um animal em plena evolução e que se difere dos outros, ainda é preciso progredir um pouco mais, principalmente no que se refere aos conceitos de ética, cidadania, empatia e corresponsabilidade. De nada adiante ser diferente, se tal característica não for para transformar e melhorar a vida da coletividade.