Curta-metragem ‘Entre Linhas’ propõe reflexão sobre autocuidado e pressão social

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O curta-metragem ‘Entre Linhas’, dirigido por Dayane Lemos, acompanha o cotidiano de duas irmãs que enfrentam pressões familiares e sociais, além de questões relacionadas ao uso de substâncias – Foto: Divulgação

Produção de Dayane Lemos, contemplada pelo Bolsa Cultura 2026, aborda a sobrecarga feminina e o uso de substâncias; exibição gratuita será seguida de debate com profissionais da Psicologia na Unifev.


@caroline_leidiane

A sobrecarga feminina, as pressões familiares e sociais e o uso de substâncias para lidar com as dificuldades do cotidiano são temas abordados no curta-metragem “Entre Linhas”, roteiro e direção de Dayane Lemos. Com 14 minutos de duração, o filme acompanha o dia a dia de duas irmãs e propõe uma reflexão sobre saúde emocional e autocuidado, especialmente entre as mulheres.

A produção foi contemplada pelo Programa Bolsa Cultura 2026, da Prefeitura de Votuporanga, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. A exibição está marcada para esta quarta-feira, 21 de outubro, às 19h30, no auditório da Unifev, no Câmpus Centro. Após a sessão, será realizado um bate-papo com docentes e coordenadores do curso de Psicologia da instituição para discutir as questões abordadas na obra. A entrada é gratuita.

As atrizes Aline Cuin, intérprete de Fernanda, e Jéssica Giolo, que dá vida a Poliane, representam as irmãs do curta-metragem ‘Entre Linhas’, dirigido por Dayane Lemos – Foto: Marcos Vieira

A ideia do filme surgiu da observação de Dayane sobre as demandas que recaem sobre as mulheres e o curto período que elas dispõem para cuidar de si mesmas.

“Como mulher, vejo que a gente se cobra muito e quase não tem tempo para nós mesmas. Pensamos nos pais, esposo, filhos e emprego. E o nosso tempo? Vejo muitas mulheres se sacrificarem pelos outros”, afirma.

A partir dessa percepção, a diretora encontrou na linguagem cinematográfica uma forma de estimular o público a observar as relações no entorno e identificar situações de sobrecarga emocional.

“Expressar isso através do cinema faz as pessoas pararem e olharem ao redor. Existe alguém sobrecarregado perto de você? O que você pode fazer para melhorar essa situação ou ajudar?”, questiona.

A narrativa acompanha duas irmãs que enfrentam diferentes pressões, incluindo as cobranças da família e dos amigos. O uso de substâncias aparece nesse contexto como uma questão que permeia a história e amplia o debate acerca das “válvulas de escape” usufruídas para suportar as exigências da vida pessoal e profissional.

A intenção, segundo Dayane, é promover, por intermédio da retratação ficcional, a conscientização do público feminino, lançando luz sobre suas próprias perspectivas, sobretudo em relação ao cuidado com a saúde, e, ao mesmo tempo, suscitar o olhar masculino para essa realidade.

“Espero que esse filme faça as mulheres refletirem sobre o autocuidado, mas também faça as famílias e os homens refletirem: por trás de uma mulher forte, existe um ser humano”, destaca.

Bastidores das gravações de ‘Entre Linhas’, contemplado pelo Bolsa Cultura 2026, que, pela primeira vez, abriu vagas para projetos de audiovisual e cinema em Votuporanga – Foto: Aline Cuin

Incentivo ao cinema independente

“Entre Linhas” marca ainda a participação de Dayane em uma iniciativa inédita do Bolsa Cultura no município.

“A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo está no 11º edital do Bolsa Cultura, o que mostra a importância da cultura para a cidade de Votuporanga. Como artistas, agradecemos à Secretaria pelo incentivo. É a primeira vez que o edital tem vagas para o segmento de audiovisual e cinema, o que demonstra como o cinema independente está crescendo em nossa cidade. Os artistas querem fazer cinema, independentemente do edital!”, diz.

A realização, entretanto, foi desafiadora em virtude do orçamento que, por vezes, não abrange todo o custeio da execução do roteiro.

“Sem dúvida, fazer um curta com baixo orçamento é sempre mais complexo, pois são várias pessoas trabalhando para que um produto seja realizado: o filme! Foi um desafio, mas ele foi superado porque a equipe se uniu em prol do projeto”, relata.

Embora tenha escrito a história e dirigido o trabalho, para Dayane é indispensável enfatizar o caráter coletivo da produção.

“Posso ter escrito a história, mas esse filme é nosso. E que venham mais editais! Cinema independente em Votuporanga é realidade!”, comemora ela.

As protagonistas Jéssica Giolo e Aline Cuin durante as gravações realizadas no Museu Municipal ‘Edward Coruripe Costa’, em Votuporanga – Foto: Dayane Lemos

Arte e diálogo

A sessão na Unifev foi pensada para ampliar a temática proposta pelo filme. Após a exibição, o público poderá participar de um debate com docentes e coordenadores do curso de Psicologia, em uma conversa sobre as questões emocionais e sociais presentes na narrativa.

A parceria surgiu da busca por um espaço que permitisse realizar o lançamento à noite, fora do horário comercial. A instituição cedeu o auditório, possibilitando a realização da sessão e do encontro com profissionais e estudantes da área.

Na visão de Dayane, a aproximação entre cinema e conceitos psicológicos pode transformar a experiência artística em uma oportunidade de diálogo multidisciplinar, contribuindo para ampliar a compreensão das vivências femininas.

“O bate-papo após o filme é importante porque, junto aos profissionais da Psicologia e aos alunos, vamos discutir o que podemos melhorar como sociedade. A conversa sempre será o melhor caminho para melhorarmos como pessoas”, salienta.

A diretora ressalta que o objetivo não é apresentar uma história individual como retrato de uma realidade universal, mas abrir espaço para que diferentes pessoas reconheçam questões presentes em suas relações e discutam maneiras de enfrentá-las.

“O filme é ficcional. Ele não representa a realidade de uma única pessoa, mas, ao assistir, muitas pessoas podem lembrar de amigos, familiares e filhos”, explica.

Ela pontua que a possibilidade de estimular essa interação é uma das contribuições da produção.

“A arte foi feita para levar à discussão, para gerar conversa”, conclui Dayane Lemos.

Ficha técnica

  • Título: Entre Linhas
  • Produção: Produtora Lemos. Roteiro e direção: Dayane Lemos. Produção geral: Dayane Lemos e Beatriz Martins. Direção de fotografia: Marcos Vieira. Edição e montagem: Rogério Lemos. Design de som: Ronaldo Lemos.
  • Elenco: Aline Cuin, Jéssica Giolo, Susan Lemos, Raissa Lemos, Ronaldo Lemos, Beatriz Martins, Marcos Vieira, Rupert e Hellen Lemos.
  • Locações: Centro de Informações Culturais e Turísticas “Marão Abdo Alfagali”, Museu Municipal “Edward Coruripe Costa” e Biblioteca Municipal “Castro Alves”.

Lançamento do curta-metragem “Entre Linhas”

  • Data: Quarta-feira, 21 de outubro, às 19h30
  • Local: Auditório da Unifev do Câmpus Centro
  • Entrada gratuita