Demora no atendimento, superlotação, falta de médicos e ‘gargalo’ para à Santa Casa de Votuporanga estão entre os tópicos apontados; além de Ivonete Félix, representantes da OSS e Prefeitura devem ser convidados.
Jorge Honorio
[email protected]
A 17ª sessão ordinária da Câmara Municipal de Votuporanga/SP, desta segunda-feira (18.mai), basicamente, foi pautada por críticas abertas ao sistema de saúde pública votuporanguense. Os apontamentos na área, são recorrentes, mas desta vez, o tom escalou, sendo sugerido, novamente, uma reunião entre vereadores e representantes da Organização Social de Saúde – Complexo Santa Casa, que gerencia os serviços no município, além de lideranças da Prefeitura e a secretária da pasta, Ivonete Félix do Nascimento.
O assunto veio à tona na tribuna por meio do vereador Cabo Renato Abdala (PRD), que expôs um vídeo no telão da Casa de Leis, contando o sofrimento de um munícipe que apresenta uma grave lesão no pé, fruto de um acidente, agravado pela diabetes. No vídeo, gravado no final de semana, na UPA, o parlamentar questiona Clodoaldo sobre sua situação naquela unidade de saúde e ele responde que tem procurado ajuda médica diariamente, nos últimos 7 dias, em decorrência das dores, além de que, essas dores têm aumentado perigosamente sua pressão arterial e que passaria à noite no carro, pois não havia vaga para ele ficar na UPA: “A parte que aguarda a remoção para a Santa Casa, tem 11 pessoas aqui e mais um tanto lá no mini-hospital. Ele vai passar a noite dentro do carro, aguardando uma vaga do CROSS [Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde]. É aquele problema que eu já falei, que a Santa Casa é um funil. Então, é para a gente pensar aqui, falta hospital em Votuporanga”, afirmou Cabo Renato Abdala.
“Eu creio que todos os dias os vereadores estão recebendo mensagem de reclamação da saúde. Todos os dias as redes sociais só dão mensagem de reclamação da saúde. E quando eu digo saúde, presidente, eu não quero achar um culpado, não. Eu quero jogar no colo dos três responsáveis. Prefeito, gestão da Santa Casa, que é a OSS, e da secretária de saúde. Observe que esse senhor ficou sete dias indo para uma unidade de saúde de pronto atendimento, UPA, para combater os sintomas. Diabete. Ele teve o acidente, o ferimento não fecha. Ele já frequenta o posto. Todos os dias postinho, todos os dias com dor à noite, UPA. Aí a gente entende por que a UPA e o mini-hospital vivem lotados. Porque fica combatendo os sintomas e não o problema. Não faz o ciclo completo. Não resolve o problema do cidadão. E a gente fica sofrendo com esse monte de reclamação e esse monte de problema que chove em cima do cidadão aí. Então, eu acho que está na hora de pensar em um modelo que resolva o problema”, emendou o vereador.
“Lembrando que, cada atendimento é contabilizado para receber recurso do governo federal e estadual. Pisou lá dentro é um atendimento, ele foi embora, voltou mais tarde, é outro atendimento, gera outro número, é outro atendimento, é mais cota de recurso repassado. Então, assim, dá a impressão que é o objetivo fazer esse vai e vem. É muito esquisito isso daí. Né? Eu quero acreditar que não é esse o objetivo. Mas está na hora da gente sentar todo mundo com as três cabeças que eu falei e pensar como que a gente vai resolver a vida do cidadão nisso aí”, concluiu Cabo Renato Abdala.
Em seguida, no mesmo sentido, a vereadora Débora Romani (PL), reiterou os apontamentos feitos pelo colega e apontou na direção do Pronto Atendimento Fortunata Germana Pozzobon, o conhecido Mini-Hospital do Pozzobon, relatando superlotações. A fala foi aparteada pelo vereador Mehde Meidão (PSD), que relembrou que a unidade, quando inaugurada há décadas, foi estruturada para receber ¼ da população do bairro Pozzobon e atualmente, segundo o decano da Casa de Leis, é responsável por 75% dos atendimentos médicos.
Outros vereadores subiram o tom com relação à saúde, dentre eles Wartão (União Brasil) e Emerson Pereira (PSD), que na tribuna desabafou: “Hoje eu recebi mensagens e ligações de pessoas que estavam esperando atendimento tanto no mini-hospital quanto na UPA. Esses dois equipamentos públicos estão superlotados, causando grande preocupação para nós vereadores. É lamentável ver o que está acontecendo com a saúde de nossa cidade, principalmente com relação a OSS que está administrando esses dois equipamentos de saúde e nós estamos à mercê da sorte. Liga para a secretária, não tem retorno. Liga para pessoas dentro da Santa Casa, não te dão retorno. É lamentável. É brincar com a cara dos vereadores de Votuporanga. E quando viemos a essa tribuna para fazer queixa e cobrar melhorias, eles ainda ficam nervosos com a gente, mas não dão o respaldo necessário. São pessoas passando mal horas e horas para receber atendimento, cadê a administração da UPA? Acredito que a irmã da secretária, senhora Ivonete, tem que se mobilizar mais. É lamentável, é brincar com a cara dos senhores vereadores. E nós acabamos de mãos atadas, sem saber o que fazer. É vergonhoso”, concluiu.
Por outro lado, o presidente da Câmara, vereador Daniel David (MDB), vinculado à Santa Casa, tentou defender o atendimento do hospital, além de uma melhor conscientização de como os munícipes podem utilizar melhor à saúde pública votuporanguense. O parlamentar também trouxe à tona problemas crônicos, como por exemplo, a defasagem da tabela SUS – que é a desigualdade entre os valores pagos pelos serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e os custos reais dos serviços.
No entanto, o presidente não demonstrou contrariedade na possível reunião entre gestores da saúde e lideranças do Legislativo e Executivo votuporanguense. Porém, nenhuma iniciativa concreta para esse encontro ainda foi tomada pelos vereadores.





