Votuporanguense que mora no México conta o que vivencia por lá

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Por DANILO CAMARGO –

Marina Nassin Jorge de Camargo, 41 anos, reside há 5 anos no México. Filha do casal Dimas Liévana de Camargo (in memorian) e Rosmari Jorge Nassin Jorge de Camargo, ela reside na cidade do México (8,855 milhões de habitantes) com o filho Amadeo (9). Ela conta que foi para aquele país, inicialmente para trabalhar como modelo fotográfico, mas que agora atua no mercado financeiro. Nesta semana conversamos com ela sobre como estão enfrentando a epidemia do coronavírus e ela explica: “Aqui está tudo parado, muitos negócios fechados, só os vendedores de tacos que ficam na rua, não param porque é a única fonte de renda deles, coitados. São todos velhos, mas estão trabalhando normal. As feiras na rua também não pararam, mas restaurantes, cinemas e shoppings, estão todos fechados. Aqui no prédio onde moramos não podemos descer nem para ir a quadra e nem tampouco ao parquinho”, conta.

Quanto a como o governo daquele país está encarando a atual situação, ela conta. “Aqui é um país onde mais da metade da população vive em extrema pobreza, onde cada um vive do seu trabalho autônomo diário, onde trabalham para praticamente se alimentar. O presidente está levando a pandemia a sério, mas está abafando muitos casos da doença para não causar pânico na população. Ele governa para os pobres e prega, “Calma ainda não entramos na fase dois, vocês podem sair para trabalhar não fiquem nas suas casas, vão vender seus tacos, garantam sua sobrevivência e quando entrar na fase dois nós vamos avisar, aí vocês não vão poder mais ficar nas ruas”, prega o governo, segundo Marina.

“Aqui os dois únicos hospitais que realizam o exame para comprovar o coronavírus cobram 7 mil pesos, que seriam US400, quer dizer um pobre que tem coronavírus nem vai saber se teve ou não a doença. Ele pode ter uma gripe leve, nem perceber e propagar a doença. Então os hospitais daqui atendem aqueles que precisam de oxigênio. As ruas estão vazias, as grandes empresas estão fechadas, as escolas; inclusive o Amadeo aqui, acabou de ter uma aula on line, que é voltada a todos os alunos.  Praticamente os trabalhos não estão  funcionando, mas o que se nota é que pobres estão nas ruas trabalhando como ambulantes nas feirinhas, esses não podem parar. Eu acho que estão abafando muito; aliás vi agora numa reportagem que os piores presidentes do mundo no momento desta crise é o daqui, Andrés Manuel López Obrador e o daí do Brasil”, conta Marina.

Boletim epidemiológico da cidade do México

“Esta essa a segunda vez que moro no México, desta vez já faz 5 anos. Não penso  em ir embora (rsrs) cada  vez que vou aí pro Brasil, gente do céu, a diferença de preços é absurda. Quando eu vou ao Brasil o que eu gasto aí num mês dá para passar o ano todo aqui. Para se ter uma ideia, um pouco antes de começar a quarentena fomos para Cancun eu o Amadeo e alguns amigos, ficamos no melhor hotel que existe por lá, tudo do bom e do melhor, e não gastei nem metade do que eu gasto Brasil, num final de semana no Rio de Janeiro, por exemplo, e nem fico em hotel, fico na casa da minha irmã. Aqui o preço com passagem, hotel, comida, a qualidade de vida de viagem que a gente tem aqui não existe comparação com o Brasil. Antes de Cancun fui com meu namorado para Madrid, ele tem apartamento lá, fui também  a Londres. Aqui as passagens para ir a Europa sai mais barato do que ir para o Brasil, metade do preço. Para chegar no Brasil é muito caro. Eu não sei como vocês conseguem viver aí”, confessa.

“Agora recente quando voltei das viagens que fiz estava essa loucura, as pessoas mais conscientes são os ricos. Já os pobres assistem na TV aberta o presidente falar pra eles, tomando um café luxuoso e orientando a população a não se desesperar, para irem trabalhar, o país não pode parar. Ele está repassando uma mensagem totalmente contrária do que se prega no mundo. O presidente defende esta tese porque o povo vive pelo que ganha no dia. O que ganha hoje, sobrevive hoje. A maioria aqui não consegue juntar dinheiro. Então o medo do governo é essa camada da população parar e aí saia para roubar. A delinquência aqui no México é baixa porque cada um pega sua caixinha e sua carninha de cachorro e sai vendendo para sobreviver, e ganham dinheiro. Aqui todo mundo come na rua, então tem muito mercado para trabalhar”, explica.

“Aqui hoje foi anunciado que até agora ocorreram seis morte por conta do coronavírus. O Arturo meu namorado, trabalha no mercado de ações e ele está totalmente ligado, as notícias chegam pra ele, e nós sabemos que são mais de 350 casos de morte por coronavírus no México, só que isso não sai na TV e nem nos jornais. O governo segura para que a população pobre não entre em pânico”.

“Agora o mais engraçado foi o prefeito de uma cidadezinha aqui do lado, que tem um áudio dele rolando aqui na Internet, em que o cara fala: – ‘Esperanzador mensaje del alcalde de Zacatlan de las manzanas, tranquilizando a la población, sobre la alerta sanitária:  ‘Vocês pobres fiquem tranquilos, isso é uma doença de rico, de quem foi para Madrid, Itália, vocês que são pobres, uns pobres falidos, uns filhos da puta (indios hijos de puta) vocês não vão ter coronavírus. Vocês não vão pegar nem um resfriado leve, por isso saiam para trabalhar’”.

De certa maneira Marina confirma que pegaram a doença aqueles que foram esquiar nos EUA e que metade dos passageiros de um avião vindo de lá estava infectado pelo vírus. Realmente é uma doença, por enquanto de classe média/ alta e o que se fala muito por aqui: “o vírus tem medo de pobres”, finaliza.