
1º Mercado MarinCoins será realizado nesta quinta-feira (25), no CEM Profª Irma Pansani Marin, encerrando um semestre de atividades que uniu alfabetização, letramento, raciocínio matemático e educação financeira por meio de uma moeda escolar criada especialmente para os estudantes.
@caroline_leidine
O que vale uma moeda dentro da escola? No CEM Profª Irma Pansani Marin, em Votuporanga, ela passou a representar muito mais do que números ou poder de compra.
Ao longo do primeiro semestre, o MarinCoin se transformou em um instrumento pedagógico capaz de aproximar crianças da leitura, estimular a escrita, simplificar conceitos matemáticos e introduzir noções de educação financeira de forma concreta e acessível.
A iniciativa integra o projeto “MarinCoins – Lendo, Contando e Empreendendo”, desenvolvido pela professora Rosângela Garcia em parceria com acadêmicas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) da Unifev.
Como culminância das atividades, a escola realiza nesta quinta-feira, 25 de junho, às 8h30, o 1º Mercado MarinCoins, uma feira de trocas em que os alunos poderão utilizar as moedas conquistadas ao longo do semestre para adquirir produtos disponibilizados pela unidade escolar.
A proposta nasceu da observação das necessidades educacionais identificadas entre os estudantes, especialmente em áreas consideradas fundamentais para a construção do conhecimento.
Ao recordar o surgimento do projeto, Rosângela explica que a motivação esteve ligada à busca por estratégias capazes de despertar o interesse das crianças e enfrentar dificuldades recorrentes relacionadas à alfabetização e ao raciocínio lógico.
“Analisando, foi a leitura, a fluência leitora, a compreensão e a matemática, as maiores dificuldades que as crianças encontram aqui. (…) Pensando na defasagem que a nossa clientela possui, eu tentei criar algo que fosse interessante para as crianças. Então, como chamar a atenção delas e como fazer com que se interessassem em desenvolver melhor a fluência leitora, a alfabetização e os conceitos matemáticos? A intenção maior era despertar o interesse das crianças”, diz.
A educadora destaca que a criação da moeda escolar foi inspirada em experiências pedagógicas, cursos e trocas profissionais. Como maneira de fortalecer a identidade da comunidade estudantil, o nome e a imagem da moeda fazem referência à patrona da instituição.
“Como forma de homenagear a escola, a gente pegou a ideia da patrona da escola, que é a Irma Pansani Marin, e, através da imagem dela, nós criamos uma moeda, que é o MarinCoin”, descreve.

Aprendizagem associada ao mérito
Durante o semestre, o MarinCoin funcionou como uma ferramenta de incentivo vinculada ao desenvolvimento das competências trabalhadas em sala de aula. O sistema estabeleceu diferentes valores conforme o avanço de cada estudante nos processos de leitura, interpretação e produção escrita.
A dinâmica foi estruturada para acompanhar as etapas de aprendizagem, desde a leitura de imagens e pictogramas até atividades mais complexas envolvendo interpretação textual e registros escritos.
“Um marin se a criança decodificar apenas as imagens ou as letras; dois marins se a criança decodificar as letras e conseguir fazer uma leitura ampla de frases ou palavras; cinco marins se ela conseguir fazer essa leitura, porém sem realizar uma interpretação completa; e dez marins se a criança ler, interpretar, fazer reconto oral e, posteriormente, um relato escrito”, contabiliza a professora.
Segundo Rosângela, o acompanhamento foi realizado em conjunto pelos educadores da escola e pelas acadêmicas do Pibid, permitindo que a iniciativa se tornasse parte da rotina pedagógica e não apenas uma atividade pontual.
Os reflexos desse processo já podem ser percebidos dentro das salas de aula. A adesão dos estudantes, conforme relata a idealizadora do projeto, superou as expectativas iniciais e gerou impactos no envolvimento com diferentes atividades escolares.
“Eles se interessaram muito, aumentaram o interesse pela leitura e o engajamento nas atividades em sala de aula. Está sendo muito bom, tanto que pretendemos dar continuidade no próximo semestre”, comemora ela.
Quando a matemática sai do caderno
A Feira de Trocas representa o momento em que os conhecimentos desenvolvidos ao longo do semestre ganham uma aplicação prática. Embora tenha formato de atividade de intercâmbio de produtos, o Mercado MarinCoins foi desenvolvido para inserir os alunos em situações concretas de gestão de recursos e resolução de problemas matemáticos.
Cada estudante receberá uma caderneta com o saldo acumulado durante o projeto e deverá administrar seus créditos ao escolher produtos com diferentes valores.
“Eles terão que fazer a somatória desses produtos para verificar se conseguiram gastar todo o dinheiro. Também terão que multiplicar para saber a quantidade de produtos e dividir o dinheiro pela quantidade de itens. Então, estarão realizando toda essa dinâmica da educação financeira e das operações matemáticas básicas”, detalha a professora.
Uma via de mão dupla para a aprendizagem
Além dos resultados observados entre os estudantes, a experiência também trouxe contribuições para a formação das futuras professoras participantes do programa de iniciação à docência.
A proximidade cotidiana com diferentes realidades de aprendizagem exigiu adaptações constantes e a construção de novas estratégias pedagógicas.
“Com esse contato direto com as crianças, as acadêmicas tiveram que criar diversas metodologias e estratégias para conseguir fazer com que os alunos alcançassem o objetivo, que era melhorar a fluência leitora e tudo mais”, aponta Rosângela.
Para ela, a feira simboliza o reconhecimento dos empenhos estudantis durante todo o semestre. A expectativa é que o evento corresponda um momento de celebração e prestígio pelas conquistas individuais alcançadas ao longo do percurso.
“É uma vitória muito grande para eles terem seus esforços valorizados. Acho que será uma grande recompensa”, reflete.
Diante dos avanços observados ao longo do desenvolvimento do “MarinCoins – Lendo, Contando e Empreendendo”, a equipe pretende dar continuidade à iniciativa nos próximos semestres. A proposta encontrou na ludicidade uma estratégia para estimular o interesse dos estudantes e converter conteúdos teóricos em vivências significativas no ambiente escolar.




