COIMBRA (PORTUGAL) – Brasileiro fala ao Diário sobre a pandemia do coronavírus

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Gustavo C. Oliveira Batista, 48 anos, brasileiro nascido em Porto Alegre, faz doutorado em Filosofia do Direito na UC e mora em Portugal (Coimbra) desde março de 2018.

“Eu vim com a esposa e dois filhos – uma menina q hoje está com 10 anos e um menino de 2 anos. Portugal hoje tem uma das mais baixas taxas de letalidade porque, creio eu, adotou medidas rígidas de isolamento social imediatamente, focado no achatamento da curva de contágio, muito embora com uma das menores populações da Europa.

As escolas estão fechadas desde o dia 13 de março e ficarão assim até pelo menos 17 de abril, pois ontem (31) o Presidente da República prorrogou o estado de emergência até a data mencionada.

Com exceção de serviços essenciais, todas as demais  pessoas devem ficar em casa, e para deslocamentos  que não sejam de primeira necessidade (comprar comida, comprar remédios, ir aos serviços de saúde ou abastecimento de combustível) as autoridades policiais estão autorizadas a barrar tal deslocação.

O comércio em geral está fechado, exceto, como mencionei, supermercados (funcionando em horário reduzido), farmácias, serviços de saúde, bancos (em horário reduzido e com redução de pessoal) e empresas de serviços essenciais, como transporte de alimentação e de material de saúde, de energia, gás e água.

Ontem fui ao supermercado, e também a quantidade de pessoas é controlada por diretrizes do governo, e você espera em fila fora do estabelecimento à distância de pelo menos 1,5 metros.

Em termos pessoais, em função das crianças, procuramos ser criativos em termos de tarefas e brincadeiras para que elas se ocupem e não fiquem angustiadas ou estressadas.

As escolas têm enviados tarefas diárias e sugestões de atividades que ajudam bastante.

Meus pais vivem no Brasil e eles têm mais de 80 anos. Fico muito preocupado com certo menosprezo de uma grande parte da população com um vírus que é totalmente novo e que para o qual nós humanos não temos imunidade alguma. Estamos ao lado da Espanha e a tragédia humanitária tem sido terrível. Temos assistido o que está a ocorrer nos EUA pela indolência das autoridades políticas. Por diversas vezes tenho manifestado a minha preocupação com o Brasil e tenho acompanhado toda a discussão político-econômica. Portanto o que vou dizer é realmente simples, mas extremamente verdadeiro: não se trata de uma simples gripe, e o isolamento social é a melhor maneira de se combater tal ameaça. Fique em casa! Eu sei que há pessoas que precisam de comida, e daqui estamos ajudar a pessoas que estão a se organizar para isso, com segurança. É hora de maior presença do Estado. Se adotarmos tais medidas, mais rápido sairemos da crise com plenas condições de saúde para recuperá-la, pois afinal há riquezas e alimentos para sustentar o mundo inteiro. É tempo também de reflexão sobre o nosso modo de viver. Um grande abraço!”