Caminhoneiros ameaçam greve nacional se MP do Frete caducar no Senado 

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Caminhoneiros nas estradas em 2022 – Foto: Reuters/Roosevelt Cassio

“Estamos mais organizados do que em 2018”, diz líder da categoria. Texto ainda não foi colocado em votação pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.


O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou, em entrevista a VEJA nesta sexta-feira (10.jul), que a categoria está mais organizada do que em 2018 para uma eventual greve dos caminhoneiros nos próximos dias.

A possibilidade de uma paralisação ganhou força porque a Medida Provisória do Piso do Frete perde a validade no próximo dia 16 de julho caso não seja aprovada pelo plenário do Senado. “Estamos mais organizados do que em 2018. Essa pauta precisa passar. É um projeto de país, e não de governo”, disse Chorão a VEJA. 

A Medida Provisória nº 1.343/2026, conhecida como MP do Piso do Frete, endurece as regras para garantir o cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário de cargas. O principal objetivo é impedir que embarcadores e transportadoras contratem serviços por valores inferiores aos mínimos estabelecidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). 

A MP foi assinada em 19 de março de 2026 e já recebeu o aval da Câmara dos Deputados. Para não perder a validade, o texto precisa ser aprovado pelo plenário do Senado até 16 de julho. Até o momento, porém, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não incluiu a proposta na pauta de votações.

Na avaliação de Landim, a demora decorre da disputa política entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo ele, após o embate entre os dois em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), Alcolumbre teria prometido, nos bastidores, não levar à votação projetos assinados pelo governo. 

O presidente da Abrava afirma que, se a medida provisória perder a validade, cresce significativamente a possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros. Segundo ele, sem as mudanças previstas na proposta, o transporte rodoviário se torna economicamente viável apenas para caminhões de nove eixos.

“Os caminhões de cinco ou sete eixos não conseguem trabalhar. A chance de equalizarmos a vida do caminhoneiro é agora. E vem o Alcolumbre e segura o projeto por questão de ego político? Não vamos aceitar, jamais!”, afirmou. 

Questionado sobre quando uma eventual greve poderia começar e qual seria sua dimensão, Landim evitou dar detalhes. Ainda assim, estimou que cerca de 60% da categoria apoiaria uma paralisação caso a medida provisória não seja aprovada até 16 de julho. O Congresso Nacional entra em recesso no próximo dia 18 de julho, outro elemento que aumenta as tensões. 

*Com informações da VEJA