Araras-canindés ganham ninhos artificiais em Santa Fé do Sul

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Neste ano 15 ninhos ativos estão sendo monitorados pelo projeto de conservação da espécie e já nasceram desde o inicio do projeto, a quase 10 anos, 35 ararinhas.

Santa Fé do Sul (a 107,3 Km de Votuporanga) tem sido reconhecida cada vez mais como a “cidade das araras”. O motivo é simples. Além de acolher os moradores e visitantes, as praças e áreas urbanas do município se tornaram maternidade para as araras-canindés.

A espécie que se distribui do norte da Amazônia até o estado do Paraná, encontra nesta divisa de São Paulo com o Mato Grosso um refúgio para viver.

E a presença dessas aves em meio à cidade despertou em três amigos admiradores da natureza a ideia de criar um grupo em prol da conservação delas. Desta forma nasceu o Projeto Arara-canindé de Santa Fé do Sul.

Há oito anos essa espécie é acompanhada de perto pelo trio: Alan Souza, Percival Gonzales e Rafael Guillen, que são conhecidos ainda como os “guardiões das araras”.

Na cidade essas aves aparecem entre os meses de julho a dezembro, onde aproveitam algumas palmeiras para nidificarem. Mas nem todas estão aptas para serem utilizadas pelos casais. Com o apoio da equipe do projeto, novos lares foram feitos especialmente para elas: são os ninhos artificiais ou caixas ninho.

Cinco estruturas de madeira foram distribuídas pela cidade para auxiliar a reprodução segura da espécie em Santa Fé, mas em julho deste ano o “berçário” aumentou. O projeto, em parceria com a prefeitura da cidade, conseguiu instalar mais dez novos ninhos para as canindés.

“A nossa função e preocupação é apoiar a reprodução da espécie, fazer com que elas tenham um lugar adequado para perpetuarem. O foco é ajudar, não promovemos o contato direto com elas, a ideia não é tratar as araras e sim auxiliar na condição de perpetuação da espécie”, explica Percival Gonzales, um dos idealizadores do projeto.

As novas caixas foram instaladas em pontos estratégicos observados pelos integrantes do projeto. O motivo para a colocação das novas “moradias” foi a procura das próprias aves.

“Nós notamos que estava havendo disputa entre os casais das araras pelos ninhos.”, afirma Rafael Guillen, membro do projeto.

Neste ano quinze ninhos estão ativos incluindo artificiais e naturais. Desde o começo do monitoramento feito pelo projeto até agora os observadores acompanharam o nascimento de 35 ararinhas. E os frutos de tanta dedicação são notados diariamente nas próprias ruas da cidade.

 

“O comportamento da população em relação às araras depois da criação do projeto é visivelmente positivo. Todas ajudam o projeto da melhor maneira, protegendo os ninhos e quando preciso nos procuram para dar suporte necessário”, comenta Alan Souza, um dos integrantes do time.

A espécie mede 83 centímetros e chama atenção pelas cores das penas: azul e amarelo. Alimenta-se de sementes, frutas e nozes. Vive aos pares ou em grupos de até 30 indivíduos em florestas de galeria, várzeas com palmeiras e no interior e borda de florestas altas. Distribui-se da Amazônia até o Paraná. É considerada ameaçada no estado de São Paulo. Pode ser encontrada também no Peru, Colômbia, Bolívia, Argentina, Paraguai e Equador.