Acusado de matar motorista de aplicativo a facadas é condenado a 30 anos de prisão

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Luciana Cordioli, de 41 anos, morreu esfaqueada durante percurso entre Urânia/SP e Fernandópolis/SP, em dezembro de 2020. Jovanilson Nogueira, de 19 anos, foi preso após o carro da vítima parar de funcionar e pedir ajuda alegando ter sido assaltado.


O lavrador Jovanilson Soares Nogueira, acusado de matar a motorista de aplicativo Luciana Cordioli, foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado. A pena foi aplicada pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Fernandópolis/SP, Vinícius Castrequini Bufulin, durante julgamento virtual. 

De acordo com investigações da Polícia Civil, em de em dezembro de 2020, Jovanilson, de 19 anos, solicitou uma corrida entre Urânia/SP e Fernandópolis e, durante o trajeto, ele anunciou o assalto e esfaqueou Luciana. Os golpes foram desferidos na Rodovia Euclides da Cunha (SP-320). 

Depois de matar Luciana, de 41 anos, Jovailson assumiu o volante do veículo e deixou o corpo da vítima ao lado de um canavial, em Fernandópolis. Em seguida, dirigiu novamente pela Rodovia Euclides da Cunha. Porém, o carro da motorista de aplicativo parou de funcionar. 

O acusado, então, pediu ajuda a motoristas com a desculpa de ter sido assaltado. Equipes do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram acionadas, mas perceberam manchas de sangue nas roupas do suspeito e acionaram a Polícia Militar, que levou Jovanilson à delegacia. 

“A confissão do réu, na fase policial, não foi totalmente verídica, porque o réu alegou que contratou a vítima aleatoriamente, mas, em verdade, já a conhecia e contratara os serviços da vítima no passado”, escreveu o juiz em um trecho da condenação. 

“Em juízo, o réu apresentou versão fantasiosa, aduzindo que a vítima “implicou” com sua cor, com sua vida de “cigano”, com o fato de estar sujo, xingando e, em seguida, arranhando-o [..] A mudança de versão do réu revela falta de arrependimento e o único efeito jurídico que traz é afastar a atenuante da confissão […]”, completou o juiz em outra parte do documento. 

Segundo Vinícius Castrequini Bufulin, o réu premeditou o crime, escolheu a vítima pelo fato de conhecê-la e agiu com dissimulação e surpresa, fatores que agravam os fatos. Jovanilson foi condenado a 30 anos de reclusão e 300 dias de multa, além do pagamento das custas processuais. 

“O regime fechado é o único adequado para o caso, considerando a gravidade concreta, culpabilidade incomum do réu e pena superior a oito anos”, consta na decisão do juiz. 

Despedida 

O velório e enterro da motorista de aplicativo foram feitos no dia 14 de dezembro de 2020, em Jales/SP. Ela deixou dois filhos, um com 16 e outro com 10 anos. 

O crime chocou amigos, familiares e companheiros de trabalho de Luciana. Motoristas fizeram uma carreata e colocaram adesivos nos carros para homenageá-la. 

A comerciante Mariele Rodrigues de Souza, que acompanhou o velório e enterro da amiga, afirmou que Luciana era uma pessoa muito simpática e que não fazia mal a ninguém. 

Já o amigo e companheiro de trabalho da motorista de aplicativo Marcos Gonzaga, de 47 anos, relatou sentimento de insegurança por conta do crime: “Ela foi mais uma vítima que morreu ganhando o pão de cada dia. Acordamos para trabalhar e levar comida para casa. Aí vem um marginal desse e acaba com tudo.” 

*Com informações g1 / Foto: regiãonoroeste