A Educação como prioridade!

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Perola Ferraz

O retorno das aulas nas escolas públicas do estado de São Paulo está previsto para o dia 08 de fevereiro, próxima segunda-feira. Durante essa semana, as equipes escolares reuniram-se presencialmente para participarem de formações com temas relacionados aos protocolos sanitários, o novo ensino híbrido e os desafios que educadores encontrarão no ano de 2021, principalmente em relação às defasagens de aprendizagem causadas pelo isolamento social imposto pela pandemia da Covid 19, o que culminou no fechamento das escolas em março de 2020. Também organizaram o acolhimento e a volta dos estudantes. O retorno das atividades presenciais é opcional, ou seja, o pai ou responsável pelo aluno decidirá se ele deve ou não retornar à escola. Acontecerá no formato de rodízio, com capacidade reduzida, podendo a escola receber até 35% dos estudantes e deverá ocorrer independentemente da fase em que o município estiver.

O fim das férias escolares trouxe consigo a polêmica do retorno dos alunos à escola. Muitos estão divididos entre os malefícios e os benefícios que ele pode causar.  Aqueles que são contrários alegam que o retorno das atividades presenciais aumentará o risco de contaminação pela Covid-19. Já os que defendem acreditam na ideia de que os prejuízos para os estudantes são inúmeros e envolvem, inclusive, problemas relacionados à saúde emocional.

De fato, a união de muitas pessoas em um determinado local sem as devidas precauções de distanciamento social e higiene, podem, sem dúvidas, causar um risco de contaminação muito grande. Por isso, o cumprimento de todas as orientações dos protocolos sanitários devem ser seguidos rigorosamente. E na escola não é diferente! Não será fácil, mas também não será impossível!

O fechamento das escolas, em março do ano passado, acarretou danos imensuráveis na aprendizagem dos alunos e o prejuízo  cognitivo poderá levar anos para ser reparado, de acordo com especialistas. Muitos estudantes não conseguiram acessar as aulas no formato online, reflexo da má distribuição de renda e das mazelas das desigualdades brasileiras. O número de casos de abuso sexual infantil e violência familiar também aumentaram durante a pandemia.

A interrupção do calendário escolar evidenciou uma série de problemas estruturais do país. A não abertura das unidades escolares em 2021 aumentará ainda mais a distância entre ricos e pobres, donos dos meios de produção e empregados, detentores do saber e pobres de conhecimento. Os prejuízos cognitivos, sociais, culturais e  estruturais  são inegáveis e poderão ser ainda mais evidenciados se o acesso à educação for dificultado.

É urgente empreendermos todos os esforços para criarmos um ambiente seguro e propício para o retorno das crianças às escolas. É preciso que os estudantes retomem o mais rápido possível a sua rotina escolar.

É totalmente inadmissível a ideia de que é possível a reabertura de bares, restaurantes, academias e salões de beleza durante a pandemia do coronavírus e o fechamento das escolas. É sabido que a economia também precisa ser levada em consideração, mas, no contexto contemporâneo, o que transforma a realidade são atitudes inteligentes. É tudo uma grande engrenagem e a economia, assim como a sociedade, precisa da Educação, pois ela é o caminho e a chave para a transformação  da realidade do Brasil. A educação tem de ser vista como algo essencial, já que é prioridade e deve ser tratada com tal.