Whatsapp é o novo e-mail 

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Christiano Guimarães - consultor em Segurança da Informação - Foto: Reprodução

Vamos fazer um teste rápido.

Se alguém te pedir agora uma cópia do RG, do CPF ou de um contrato, qual é a resposta automática?

“Te mando no WhatsApp.”

Pronto. Aí está o problema.

O WhatsApp virou o novo e-mail, o novo protocolo, o novo arquivo morto, o novo cartório e, em muitos casos, o novo cofre — só que sem tranca. A gente trata o aplicativo como conversa informal, mas usa para trocar informações que não deveriam circular sem cuidado nenhum. 

É ali que vão fotos de documentos, dados bancários, fotos do cartão de crédito, exames médicos, senhas temporárias, comprovantes, contratos assinados e até áudio explicando a vida inteira. Tudo rápido, prático e sem pensar no depois. 

O depois costuma ser o prejuízo. 

O celular cai, é roubado, vendido, emprestado ou simplesmente desbloqueado “só pra ver uma coisa”. Grupos recebem mensagens erradas. Backups automáticos guardam dados que você nem lembrava mais que existiam. E o famoso “encaminha pra fulano” transforma informação sensível em passeio turístico. 

Tem também a confiança excessiva.

Quando a mensagem vem de alguém conhecido, a guarda baixa. É aí que golpes funcionam. Um link estranho, um pedido urgente, uma história bem contada. O dedo clica antes do cérebro perguntar se aquilo faz sentido.

E não, isso não é coisa de gente desatenta. É comportamento humano. O WhatsApp foi desenhado para ser rápido, não seguro. Ele estimula resposta imediata, não reflexão. E dados não combinam com pressa.

Não é sobre parar de usar o aplicativo. Isso seria irreal.

É sobre entender que nem tudo que é fácil é seguro ou melhor nem tudo pode ser enviado pelo Whtaspp.

Se você não deixaria um envelope com seus documentos em cima de uma mesa de bar, por que deixa tudo solto no celular?

Se não falaria certos dados em voz alta numa fila, por que manda por mensagem?

A maioria dos vazamentos não começa com hacker de filme.

Começa com um “te mandei aí no zap”. 

WhatsApp é ferramenta e você é responsável pelo que “dispara” pelo aplicativo. 

*Christiano Guimarães – consultor em Segurança da Informação

Autor do Livro: Como Adequar Minha Empresa à Lei Geral de Proteção de Dados – Um Guia Prático