DEUS NÃO DEMORA, DEUS CAPRICHA
De um tempo para cá, parece que Deus abriu uma agência de comunicação. É porta-voz para todo lado. Gente dizendo: “Deus mandou avisar”, “Deus revelou”, “Deus garantiu”. Complicado.
O curioso é que Deus já disse tudo o que precisava ser dito. Está tudo nas escrituras, na bíblia. O problema é que algumas pessoas continuam colocando palavras na boca d’Ele, e pior: criando promessas que Ele nunca fez.
Digo isso porque alguém me procurou recentemente, decepcionada, afirmando que Deus estava demorando demais para cumprir uma promessa anunciada a ele por um pastor. A dor era real, mas a promessa será que seria real? Mesmo quando a promessa é verdadeira, não existe isso de “Deus atrasado”. Existe o tempo certo. Existe o kairós, o tempo de Deus.
O nosso tempo anda de relógio no pulso, que atrasa, adianta, falha, até para. O tempo de Deus não falha. Ele não chega correndo nem se atrasa ofegante. Ele chega exato, quando tem que ser. Nem antes, nem depois, no momento que venham para nosso crescimento.
Com certeza Deus não está demorando. Talvez esteja caprichando.
E capricho, a gente sabe, exige paciência.
“Tudo fez Deus belo a seu tempo.” (Eclesiastes 3,11)
QUEM É VOCÊ PARA NÃO DAR CERTO?
Pergunto aos meninos aqui do Novo Sinai porque ficam incomodados, até bravos quando alguém na rua os chama de drogado, pinguço, noia. A resposta vem rápida: “falta de respeito!”.
Mas o curioso é que, sozinhos, diante do espelho ou pior, diante da consciência acabam concordando em silêncio: “talvez eles tenham razão”.
Guardadas as proporções, será que você não faz o mesmo?
Quando alguém te rotula, aponta um defeito, o sangue ferve. Mas à noite, com a cabeça no travesseiro, você concorda. Não em voz alta, claro. Interiormente.
E essa concordância vira limite. Vira sentença. Vira desculpa.
“É verdade, eu não consigo.” “Sou assim mesmo.” “Quem sou eu pra dar certo?”
Talvez esteja na hora de inverter a pergunta. Não mais: “Quem sou eu pra dar certo?”, mas: “Quem sou eu para não dar certo?”
E a resposta é simples e desconcertante: você é imagem e semelhança de Deus.
Deus não erra projeto. Não faz rascunho de gente. Não é possível que Ele tenha errado justamente com você, né?
“Antes que te formasse no seio materno, eu te conheci.” (Jeremias 1,5)
O DUELO ENTRE O DESEJO, A MORAL E O CARÁTER
Imagino que todo dia você acorda desejando e achando que vai decidir tudo com sabedoria.
Mas, na prática, quase todas as decisões são um duelo interno. De um lado, o “eu quero”.
Do outro, o “eu acho que não devia”. É luta livre da alma.
Mas Deus, prevenido, instalou em nós um dispositivo de segurança chamado consciência. Ela não grita, não faz escândalo, mas incomoda. E incomoda porque testa a nossa integridade.
Caráter não nasce pronto. Caráter é forjado nesse embate diário entre impulso e valor.
Nem sempre o certo vence sejamos honestos, mas perceber que o duelo existe já é meio caminho andado.
Até São Paulo confessou essa guerra interior: “Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero“. A diferença é que ele não desistiu da luta.
Quem escuta a consciência, mesmo tropeçando, não perde o caráter. Afina.
“Felizes os que têm o coração reto, porque verão a Deus.” (Mateus 5,8)
AINDA DÁ TEMPO DE PARAR DE PERDER TEMPO
Seja sincero: se você fosse atualizar sua lista de perdas, colocaria o tempo nela? Provavelmente não. A gente perde chave, dinheiro, paciência, mas quase nunca anota “tempo”.
E, no entanto, é justamente ele que mais escorre por entre os dedos.
Pense comigo: você venderia um segundo da sua vida por um real? Parece pouco. Talvez dez reais? Cem? Mil? Um dia tem 86.400 segundos. Dá até para fazer conta e sonhar com fortuna.
Mas existe um detalhe cruel: em um único segundo, podemos perder tudo.
Uma escolha errada. Uma distração. Uma palavra fora de hora.
E pronto, a vida muda.
Por isso, quando alguém está perto do fim, não pede dinheiro, fama, pede tempo. Tempo para pedir perdão. Tempo para abraçar. Tempo para amar melhor. Revise sua lista de perdas. Se o tempo estiver nela, ainda dá tempo de parar de perdê-lo.
“Ensina-nos a contar nossos dias, para alcançarmos a sabedoria do coração.”
(Salmo 90,12)
SOMOS INVENTORES DE PESSOAS
Sempre admirei os grandes inventores da história: Thomas Edison, Santos Dumont…
O inventor cria algo que não existia usando coisas que já existiam. Ele olha o comum e enxerga o invisível. Por isso é chamado de gênio.
E nós? A grosso modo, somos inventores também, mas de pessoas. Olhamos o outro e criamos um perfil baseado na nossa imaginação, nos nossos traumas, nas nossas lentes as vezes tortas.
Rotulamos. Reduzimos. Definimos finais que não temos tanta certeza assim.
Os grandes inventores olham com amor. Mesmo o que está quebrado, sujo, descartado.
Jesus também fez e faz assim. Um inventor de pessoas. Onde todos viam a adúltera, Ele viu dignidade. Onde viam um ladrão, Ele viu redenção. Onde viam um pescador impulsivo, Ele viu o líder da igreja. E nós?
Será que não estamos inventando demais nas pessoas, fazendo delas aquilo que nunca foram e nunca seriam se vistas com os olhos certos?
“O homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração.”(1 Samuel 16,7)
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Por: Carlinhos Marques
Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”
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