Segurança da informação também é segurança do paciente 

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Christiano Guimarães - consultor em Segurança da Informação - Foto: Reprodução

Você já passou a noite em uma cadeira de hospital, esperando notícia de alguém da sua família?

Se já, sabe como é. O tempo fica estranho. O celular vibra e o coração dispara. Cada médico que entra no quarto vira esperança. Cada papel que circula, cada exame que chega, cada anotação feita na beira do leito parece carregar um pedaço da vida de quem você ama.

E é justamente aí que quase ninguém pensa: a segurança do paciente começa muito antes do remédio e vai muito além do bisturi. Ela começa também na informação.

Não é só sobre sistema eletrônico. É sobre o papel dobrado no bolso do jaleco. É sobre o prontuário físico deixado aberto no balcão. É sobre a pulseirinha que identifica o paciente e vai parar no lixo comum, com nome completo, número de atendimento e código de internação. É sobre o adesivo do visitante, colado na roupa o dia inteiro, depois arrancado e jogado na primeira lixeira.

Pode parecer detalhe. Mas na saúde, detalhe nunca é pequeno.

Imagine uma ficha trocada por engano. Uma anotação ilegível. Um exame colocado no prontuário errado. Uma foto de lesão compartilhada no grupo errado “só para agilizar”. Não é drama. São situações que acontecem quando a rotina corre mais rápido do que o cuidado.

E cuidado não é só clínico. É também informacional.

Quando um hospital controla acesso ao sistema, protege senha, limita quem vê o quê, ele não está sendo burocrático. Está evitando erro. Quando uma clínica orienta a equipe a descartar corretamente documentos com dados pessoais, não é excesso de zelo. É respeito.

Em cidade do interior, onde todo mundo conhece alguém que conhece alguém, um vazamento não é só um incidente técnico. É comentário na padaria. É constrangimento na rua. É confiança que não volta mais.

Segurança da informação não é departamento isolado. É parte do protocolo assistencial. Assim como conferir o nome antes de administrar o medicamento, é preciso conferir como aquela informação está sendo registrada, armazenada e descartada.

Porque informação errada pode levar a decisão errada. Informação exposta pode gerar dano emocional. Informação perdida pode atrasar tratamento.

Quando você confia a vida de alguém a um hospital ou clínica, você espera competência, humanidade e responsabilidade. Isso inclui proteger o diagnóstico, o histórico, o exame, o nome.

No fim, segurança da informação não é sobre computador. É sobre cuidado. 

E cuidado, na saúde, não pode ter brecha.

Christiano Guimarães – consultor em Segurança da Informação e autor do livro: Como Adequar Minha Empresa à Lei Geral de Proteção de Dados – Um Guia Prático