Santa Casa diz desconhecer projeto que denomina Hospital Materno-Infantil 

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Santa Casa diz desconhecer projeto que denomina Hospital Materno-Infantil – Foto: Reprodução

O hospital explicou que o nome de Nicolas Souza Prado ainda não está cravado no HMI e que decisão deve ser tomada durante uma reunião na noite desta quarta-feira (1º); nos bastidores, um nome está no páreo.


Jorge Honorio 
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O episódio constrangedor envolvendo a denominação do Hospital Materno-Infantil (HMI) de Votuporanga/SP, durante a 10ª sessão ordinária da Câmara Municipal, nesta segunda-feira (30.mar), parece longe do fim.

Inicialmente, uma informação apurada nos bastidores, nesta terça-feira (31), garantia o nome de Nicolas Souza Prado no HMI, após reunião na Santa Casa, entre representantes do Hospital, Poder Executivo e Câmara Municipal.

Contudo, na manhã desta quarta-feira (1º), o que parecia caminhar para um processo arrefecimento e cauterização de feridas, na verdade, demonstra total indefinição. Em nota, à Santa Casa informou que a escolha do nome do Hospital Materno-Infantil não está decidida, ao contrário do que chegou a ser ventilado nos bastidores. A definição do caso deve ser anunciada após uma reunião extraordinária do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva, que ocorre no próprio hospital, ainda na noite desta quarta-feira.

Segundo apurado pelo Diário, o nome de Nicolas Souza Prado pode ser colocado em uma das alas no novo hospital, uma vez que, um novo nome, que ainda não foi divulgado, estaria no páreo para denominar o HMI, o que teria causado a reviravolta na tramitação do projeto e culminado no episódio constrangedor na Câmara Municipal, na presença de familiares e amigos de Nicolas Souza Prado, que faleceu aos 6 anos, em 14 de outubro de 2023, após cinco dias hospitalizado em decorrência de um acidente com um “pula-pula”.

A Santa Casa afirmou que “em momento algum foi comunicada, ou consultada acerca da existência de um Projeto de Lei que estivesse em andamento no Legislativo Municipal, para denominar o hospital ou alguma ala sua.” 

O Hospital reafirmou sua condição de entidade civil, filantrópica, com personalidade jurídica própria, de direito privado, sem fins lucrativos: “O Hospital Materno-Infantil (HMI) é uma ampliação da Santa Casa e atenderá pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), bem como de convênios e particulares. Assim, diferente do que tem sido interpretado, o HMI não é uma unidade exclusiva para atendimentos particulares.”

“Por atender pacientes oriundos do SUS a Santa Casa e o HMI recebem e continuarão recebendo recursos públicos (federais, estaduais e municipais), além do privado, para garantir o atendimento de toda a comunidade de Votuporanga e região, sem distinção de qualquer classe social”, concluiu a nota.

Parecer alterado de última hora e projeto retirado de votação na Câmara

Nesta segunda-feira (30.mar), durante a 10ª sessão ordinária, o projeto de lei que denominaria o Hospital Materno-Infantil (HMI) “Nicolas Souza Prado”, foi retirado da pauta de votação.

Conforme noticiado pelo Diário, o projeto de autoria do vereador Serginho da Farmácia (PP), entrou na ordem do dia devidamente autorizado por pareceres elaborados pelas comissões e pela Administração. Entretanto, segundo apurado, um parecer encaminhado pela Prefeitura, horas antes da sessão, alterou o entendimento inicial, considerando o hospital como “particular”, barrando a votação. A Casa de Leis acatou o despacho e tirou o projeto da pauta.

Com o início da sessão, familiares e amigos de Nicolas Souza Prado, começaram a tomar as galerias para prestigiar a votação da homenagem.

Sem saída, o autor do projeto, Serginho da Farmácia, foi à tribuna, emocionado e com voz embargada anunciou a retirada da iniciativa de votação e disparou: “Vocês me desculpem, mas isso é uma vergonha!”

A fala de Serginho da Farmácia deu o tom a saia justa na qual à Casa de Leis estava envolvida e o efeito de revolta foi instantâneo, reverberando nas manifestações de reprovação do vereador Osmair Ferrari (PL): “Isso é um absurdo. E se fosse filho deles? Nós já denominamos diversos espaços aqui e nunca tivemos esse tipo de situação. Em uma pesquisa rápida, achamos aqui seis ou sete ao longo dos últimos anos, mas se for caçar certinho vai achar muito mais. Isso é um absurdo!”

Outros vereadores também expressaram contrariedade ao novo parecer.

Em seguida, familiares e amigos de Nicolas Souza Prado, em um ato de extrema resiliência e nobreza, atenderam ao chamado para uma foto à frente do Plenário Dr. Octávio Viscardi.

A situação embaraçosa se tornou o ponto alto da sessão ordinária e o desdobramento do constrangimento público ainda segue, aparentemente, longe do fim.

O Hospital Materno-Infantil deve ser construído em anexo a Santa Casa de Votuporanga. A unidade tem inauguração prevista para dezembro de 2027.