Pré-natal psicológico: a importância de cuidar da saúde mental da gestante

138

Gravidez e puerpério são períodos desafiadores, mas com inteligência emocional e preparo psicológico é mais fácil lidar com dificuldades e emoções intensas.


A gravidez costuma ser um período de dúvidas e incertezas. Ainda que algumas mulheres passem a gestação e o puerpério de forma tranquila, para algumas mães a realidade é diferente. Muitas vezes, a instabilidade emocional e ansiedade costumam ser situações comuns neste momento.

Você já ouviu falar de pré-natal psicológico? É um acompanhamento psicológico do desenvolvimento da gestação, que tem como objetivo ajudar a mamãe e o casal grávido na preparação emocional para a parentalidade, bem como prevenir adoecimentos psíquicos no pós-parto.

O SanSaúde possui a psicóloga Larissa Semenzato, especialista neste atendimento. O cuidado integral e multiprofissional é de extrema importância para a saúde física e mental da gestante e do bebê. “O pré-natal psicológico é complementar ao pré-natal médico e promove a saúde mental da mulher, fundamental para o bom desenvolvimento da gravidez, a evolução do parto e a adaptação ao puerpério”, afirmou.

Benefícios

Larissa explicou que tornar-se mãe gera inúmeras mudanças na vida de uma mulher, seja no corpo, nas emoções e pensamentos, na identidade, nos relacionamentos, na rotina, no trabalho. “Contar com um apoio profissional e escuta qualificada desde a gestação, ajuda a compreender e desenvolver estratégias saudáveis para lidar com essas transformações”, disse.

O pré-natal psicológico também:

  • Favorece a preparação para o parto;
  • Fortalece os vínculos e a interação do casal;
  • Instrui e prepara a rede de apoio;
  • Identifica alterações emocionais significativas (ansiedade, estresse, sintomas depressivos) e intervém precocemente;
  • Reduz o risco de depressão pós-parto;
  • Promove informação e orientação psicopedagógica para que os pais se sintam mais seguros em suas escolhas e condutas;
  • Atua como facilitador na construção do vínculo pais – bebê;

Ela ressaltou que o acompanhamento é válido para todas as gestantes. “É bom ressaltar que a futura mamãe não precisa estar, necessariamente, passando por dificuldades emocionais e psicológicas para realizar o pré-natal psicológico, já que este também tem caráter preventivo”, contou.

Como é o atendimento?

O acompanhamento psicológico no pré-natal tem como foco oferecer acolhimento, apoio emocional e informações aos pais durante a gestação e é realizado com caráter terapêutico e preventivo, em um número de encontros e de temas preestabelecidos.  “Pode ser realizado em grupo ou individual. Em época de pandemia, a recomendação é que o atendimento seja realizado prioritariamente online e, quando necessário, de forma presencial”, destacou.

O processo terapêutico que se inicia na gestação (ou mesmo antes de engravidar) possibilita à mulher desenvolver o autoconhecimento e se preparar para construir uma maternagem mais consciente e saudável. “Uma mãe conectada consigo mesma, consegue se relacionar melhor com seu bebê. Além disso, estudos comprovam que as experiências vividas no útero materno têm influências sobre o desenvolvimento humano. Ou seja, cuidar do bem-estar e das emoções da gestante é cuidar do começo da vida. Normalmente, a mulher é a principal cuidadora e sem saúde mental pode acarretar em dificuldades na vinculação mãe-bebê, atrasos no desenvolvimento infantil e práticas parentais negativas”, ressaltou.

Participação da família

O pré-natal psicológico conta também com a participação do pai e de avós em alguns momentos específicos. As transformações que ocorrem com a chegada do bebê envolvem toda a família, por isso é importante integrá-la no processo.

Larissa ressaltou que o pai também precisa de cuidados e de um olhar profissional atento, pois está “gestando” psicologicamente o bebê e também pode apresentar ansiedade, medos e angústias relacionadas às novas responsabilidades e à sua transição para parentalidade. “Quanto mais o pai for envolvido (desde a gestação), maiores serão as chances de engajamento paterno. E quanto maior o engajamento paterno, mais benefícios para toda a família”, frisou.

Temas abordados

Os temas são desenvolvidos considerando as características e necessidades dos participantes, identificadas na entrevista inicial. Alguns temas que podem ser trabalhados são:

  • Planejamento familiar;
  • Mudanças de papéis familiares, sociais e profissionais;
  • Saúde emocional na gestação;
  • Preparo emocional para o parto e nascimento;
  • Construção e fortalecimento da rede de apoio;
  • Puerpério: cuidados essenciais e prevenção ao adoecimento psíquico;
  • Cuidados com o bebê;
  • Amamentação;
  • Vínculo pais-bebê, dentre outros.

Situações mais comuns

Durante a gestação, existem características emocionais mais frequentes em cada trimestre, como por exemplo, o nível de ansiedade tende a aumentar com a aproximação do parto e o medo pode se tornar presente também. Pesquisas apontam que mais da metade das gestantes no Brasil apresentam sintomas de estresse, 36% sintomas de alta ansiedade e 22% sintomas de depressão.

Estudos recentes identificaram que os sintomas de ansiedade, estresse e depressão de gestantes em período de pandemia estão ainda mais elevados, indicando a necessidade de cuidados psicológicos para essa população.

Montanha-russa de emoções

A intensa liberação de hormônios que a gestação provoca, faz com que a mãe possa vivenciar uma montanha-russa de emoções, causando certa instabilidade emocional. Algumas ações podem ajudar a mulher a lidar melhor com esse momento e manter sua saúde mental:

  • Criar uma rotina e equilibrar as atividades, aceitando a ajuda de outras pessoas;
  • Dedicar tempo para fazer o que gosta (atividades que promovam prazer);
  • Conversar com outras mulheres que estejam passando pela mesma fase (troca de experiências);
  • Expressar os medos, as preocupações e as dúvidas com pessoas da família, amigos e com especialistas que acompanham o pré-natal.