Operação resgatou em julho 337 trabalhadores em situação análoga à escravidão, informa PGR

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Apresentação de balanço, na sede da PGR em Brasília, de operação de combate ao trabalho escravo — Foto: Rosanne D'Agostino

Operação reuniu Ministério Público, PF, PRF, governo e Defensoria e resgatou trabalhadores em 22 estados e no DF. Para subprocurador, trabalho escravo ‘não é ficção’ e deve ser banido.


A Operação Resgate 2, ação conjunta que reuniu diversos órgãos públicos no combate ao trabalho análogo à escravidão, resgatou 337 trabalhadores neste mês.

O balanço das ações foi divulgado nesta quinta-feira (28.jul) na Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasília/DF. Esses trabalhadores foram resgatados em 22 estados e no Distrito Federal.

Em 2021, a Operação Resgate efetuou 128 fiscalizações em 22 estados e no DF. Ao todo, no ano passado, foram resgatados de condições análogas às de escravo 136 trabalhadores, dos quais cinco imigrantes e oito crianças e adolescentes. 

A operação reuniu Ministério Público Federal (MPF); Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério do TrabalhoMinistério Público do Trabalho (MPT); Polícia Federal (PF); Defensoria Pública da União (DPU); e Polícia Rodoviária Federal (PRF). 

O subprocurador-geral da República Carlos Frederico disse que a operação demonstra que o trabalho escravo “não é uma ficção, mas uma realidade que tem que ser banida”. 

Além do resgate de trabalhadores, a operação busca: 

  • verificar o cumprimento das regras de proteção ao trabalho; 
  • permitir a coleta de provas para responsabilizar, na esfera criminal, os responsáveis pela exploração dos trabalhadores; 
  • assegurar a reparação dos danos individuais e coletivos causados aos resgatados. 

Segundo o balanço, Goiás e Minas Gerais foram os estados com mais pessoas resgatadas. 

O balanço divulgado 

Conforme o balanço divulgado nesta quinta-feira, os trabalhadores foram resgatados principalmente em serviços de: 

  • colheita em geral; 
  • cultivo de café; 
  • criação de bovinos para corte. 

O balanço também apresenta outros dados, entre os quais: 

  • foi flagrado trabalho escravo em uma clínica de reabilitação de dependentes químicos; 
  • seis trabalhadoras domésticas foram resgatadas em cinco estados; 
  • cinco crianças e adolescentes foram flagrados em situação análoga à escravidão; 
  • quatro cidadãos estrangeiros (Paraguai e Venezuela) foram encontrados em situação análoga à escravidão; 
  • ao menos 149 pessoas também foram vítimas de tráfico de pessoas. 

O que acontece após a fiscalização? 

Conforme o balanço da operação, após a fiscalização, os empregadores foram notificados e deverão: 

  • interromper as atividades; 
  • formalizar o vínculo empregatício; 
  • pagar as verbas salariais e rescisórias devidas aos trabalhadores (R$ 3,8 milhões). 

Além disso, os empregadores poderão: 

  • ser responsabilizados por danos morais individuais e coletivos; 
  • pagar multas administrativas; 
  • se tornar alvos de ações criminais. 

Cada um dos trabalhadores resgatados também recebeu três parcelas do seguro-desemprego especial para trabalhador resgatado, no valor de um salário-mínimo cada. 

Serão lavrados pelos auditores-fiscais do Trabalho aproximadamente 669 autos de infração, entre eles de trabalho análogo ao escravo, de trabalho infantil, falta de registro na carteira de trabalho e descumprimento de normas de saúde e segurança no trabalho. 

A Operação Resgate 2 é a maior ação conjunta no país com a finalidade de combater o trabalho análogo ao de escravo e o tráfico de pessoas.