
Obra iniciada em 2025 amplia cozinha industrial, integra a cantina, reestrutura áreas de apoio e cria novo espaço de convivência; investimento de R$ 750 mil busca melhorar a alimentação, a permanência e a rotina dos estudantes.
@caroline_leidiane
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) Câmpus Votuporanga está em obras para reestruturação e ampliação do refeitório e do pátio de convivência. Iniciada em junho de 2025, a intervenção tem previsão de conclusão para junho deste ano. O investimento é de aproximadamente R$ 750 mil, viabilizado por meio de Termo de Execução Descentralizada com recursos do Ministério da Educação (MEC).
De acordo com a diretora adjunta de administração do câmpus, Rejane Galdino, o projeto tem como foco principal oferecer melhores condições para alimentação e permanência dos estudantes do Ensino Médio integrado aos cursos técnicos, além de adequar a infraestrutura para produção e distribuição de refeições.
A obra prevê a ampliação do pátio em 133,4 metros quadrados e a reconfiguração completa dos espaços destinados à cozinha industrial, cantina e áreas de apoio.

Reestruturação amplia capacidade e integra espaços
Um dos principais avanços é a ampliação da cozinha industrial, utilizada por empresa contratada pela Prefeitura de Votuporanga para fornecer refeições gratuitas aos estudantes.
Antes com apenas 26,55 m², o espaço passa a contar com três ambientes — cozinha, área de distribuição e depósito — totalizando 91,97 m².
A cantina também será totalmente reconfigurada. O modelo anterior, segmentado em diferentes áreas, dava lugar a uma estrutura fragmentada e limitada. Com a reforma, o espaço será integrado, alcançando 72,51 m², o que deve otimizar o fluxo de atendimento e a preparação dos alimentos.
Para a finalização dessas áreas, restam etapas como instalação de vidros — já em andamento —, além de ajustes na rede elétrica e na ligação de gás.
Outro ponto importante da obra é a reorganização interna dos espaços. As salas de depósito e distribuição de lanches, junto à copa dos estudantes, serão transferidas para a área onde funcionava a Coordenadoria de Registros Acadêmicos (CRA). O local será reconfigurado em três ambientes, passando a abrigar as duas salas — de lanche e copa — e uma nova sala destinada à própria CRA.
A proposta é ampliar a capacidade de armazenamento e aquecimento de alimentos, com mais geladeiras e micro-ondas disponíveis aos alunos.

Espaço de convivência ganha protagonismo
A intervenção também transforma o pátio em um ambiente mais estruturado para convivência estudantil. O local será fechado com alvenaria e brises, garantindo proteção contra chuva e ventos. A próxima etapa, segundo a gestão, será buscar recursos para climatização do espaço.
Com a ampliação do ambiente, o câmpus pretende inaugurar uma área dedicada à convivência dos estudantes, com possibilidade de integrar opções de lazer. Atualmente, o pátio já conta com mesa de ping-pong, e a biblioteca disponibiliza jogos como dama, xadrez, dominó e ludo.
A iniciativa ganha relevância em um novo contexto educacional. Após a sanção da Lei Federal nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares na educação básica, o câmpus passou a incentivar alternativas de sociabilização coletiva durante os intervalos. Servidores, inclusive, contribuíram com a doação de jogos para empréstimo aos estudantes.
Conforme a direção administrativa, para viabilizar essa etapa, a instituição busca recursos extraorçamentários junto a deputados federais e ministérios.
Obra fora do PAC segue demanda específica do câmpus
Apesar de inicialmente constar na lista de unidades contempladas pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o câmpus de Votuporanga deixou de integrar o programa. Segundo o diretor-geral, Ricardo Teixeira Domingues, a decisão está relacionada ao perfil da obra.
“O PAC contempla construções padronizadas, como novos refeitórios e bibliotecas. No nosso caso, já havia um espaço existente, o que demandava uma readequação e ampliação, e não a implantação de uma estrutura modelo”, explica.
Dessa forma, a obra passou a ser executada com recursos próprios descentralizados do MEC, permitindo maior flexibilidade para atender às necessidades específicas do câmpus votuporanguense.
Expectativa por retomada da cantina
A ampliação do pátio e a reestruturação da cantina também respondem a uma demanda antiga da comunidade acadêmica. Desde o meio do ano passado, o câmpus está sem funcionamento pleno de cantina, o que impacta a rotina dos estudantes.
Com a conclusão das obras, a expectativa da gestão é viabilizar a licitação para concessão do espaço, garantindo a retomada do serviço de forma estruturada.
Enquanto isso, a obra avança como um dos principais investimentos recentes do câmpus, com foco não apenas na alimentação, mas na qualificação da experiência estudantil como um todo.
Entre a expansão e os limites do orçamento
Construído em 2011, o IFSP Câmpus Votuporanga surgiu em um momento de crescimento e interiorização da rede federal de ensino. No entanto, a partir de 2015, o cenário passou a ser marcado por cortes orçamentários e contingenciamentos sucessivos.
Esse cenário reverberou diretamente na manutenção e no funcionamento cotidiano da unidade federal, atingindo desde a aquisição de equipamentos e materiais de consumo até o pagamento de contas e contratos terceirizados, como serviços de limpeza e vigilância.
Segundo relato da assessoria de comunicação do câmpus, as limitações de recursos afetam serviços básicos e a conservação da infraestrutura. Entre os problemas enfrentados estão a dificuldade na manutenção de áreas externas, como a presença recorrente de mato alto, além da limitação para reparos e substituições de equipamentos essenciais, como computadores e aparelhos de ar-condicionado.
Em 2024, houve avanços na reestruturação das carreiras dos servidores. Os técnico-administrativos passaram por readequação, assim como os docentes, cujo salário inicial foi elevado, diante da defasagem que dificultava a atração de professores com titulação de doutorado.
Ainda assim, o contexto evidencia um descompasso entre a expansão da rede federal e a capacidade de investimento contínuo nas unidades já existentes. Em Votuporanga, a realidade reforça a necessidade de recomposição orçamentária não apenas para novos projetos, mas para garantir condições adequadas de ensino, pesquisa e permanência estudantil no dia a dia do câmpus.




