Fifa pune Argentina com público restrito por casos de racismo e suspende Paredes por 10 jogos 

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Paredes agride Gavi, e Scaloni tenta conter Eric García em confusão no apito final de Espanha x Argentina — Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Comitê Disciplinar divulga sanções por incidentes na Copa do Mundo, incluindo suspensão para Paredes, Molina, Almada e Gavi por briga na final.


A seleção argentina terá que jogar pelo menos uma partida com público reduzido por comportamento discriminatório de alguns torcedores nos jogos de mata-mata da Copa do Mundo. O Comitê Disciplinar da Fifa anunciou na última sexta-feira punições por incidentes ocorridos no Mundial, incluindo a briga generalizada na final, que gerou suspensões para os argentinos Paredes, Molina e Almada e o espanhol Gavi.

As sanções para a federação da Argentina (AFA) levaram em conta o comportamento de torcedores da seleção, mas também episódios como a confusão na final e a exibição de uma bandeira com citação às Malvinas no duelo contra a Inglaterra. As punições aplicadas à AFA se devem às seguintes violações: usar evento esportivo para demonstrações de natureza não-esportiva; má conduta da equipe; discriminação e abuso racista, por cantos e gestos dos torcedores; atuar contra a ordem e segurança dos jogos.

A federação argentina se manifestou em comunicado oficial e disse que solicitará os fundamentos das decisões passíveis de revisão para poder apresentar recursos junto à Fifa. E disse que “reserva-se, no futuro, a possibilidade de recorrer à CAS (Corte Arbitral do Esporte) como último recurso”. 

Punições divulgadas pela Fifa:

  • Seleção argentina: multa de 321 mil dólares (R$ 1,65 milhão) e dois jogos com público restrito a 50% (100 mil dólares e um dos jogos de público restrito em suspenso, sendo aplicados apenas em caso de reincidência durante um ano);
  • Leandro Paredes (Argentina): 10 jogos de suspensão e multa de 90 mil dólares (R$ 464,8 mil);
  • Nahuel Molina (Argentina): 7 jogos de suspensão em multa de 90 mil dólares (R$ 464,8 mil);
  • Thiago Almada (Argentina): 1 jogo de suspensão e multa de 30 mil dólares (R$ 154,9 mil);
  • Gavi (Espanha): 1 jogo de suspensão e multa de 30 mil dólares (R$ 154,9 mil);
  • Roberto Ayala (comissão técnica argentina): 1 jogo de suspensão e multa de 30 mil dólares (R$ 154,9 mil).

Argentina pode pagar punição em amistosos

A AFA também desembolsará valores por conta das violações: a federação recebeu uma multa total de 321 mil dólares – porém, 100 mil dólares (R$ 516,4 mil) ficam em suspenso, sendo aplicados em caso de reincidência durante um ano. Ou seja, em um primeiro momento, a AFA pagará 221 mil dólares (R$ 1,14 milhão) de multa, sendo que 100 mil dólares terão que ser investidos em um plano de combate à discriminação.

A punição mais pesada à federação argentina será a restrição de público em pelo menos um jogo da seleção vice-campeã mundial. O Comitê Disciplinar decidiu que a Argentina terá que atuar por dois jogos em casa com apenas 50% do estádio aberto ao público. Porém, o segundo jogo de punição também está em suspenso, sendo aplicado apenas em caso de reincidência durante um ano.

Como a Argentina é uma das sedes da Copa do Mundo de 2030, pode não disputar as eliminatórias para o próximo mundial. Ou seja, pode não ter jogos por uma competição oficial em casa nos próximos quatro anos. Caso isto ocorra, a seleção cumprirá a punição em jogos amistosos.

A AFA recebeu o detalhamento das punições e publicou na íntegra em seu comunicado oficial. Veja abaixo:

  • Pela exibição da bandeira das Ilhas Malvinas (uso de um evento esportivo para realizar demonstrações não esportivas), será aplicada uma multa de US$ 10.000 e, por conduta inadequada dos espectadores, a quantia de US$ 20.000.
  • Devido aos cânticos e insultos racistas, homofóbicos e discriminatórios proferidos por torcedores argentinos durante as partidas contra Cabo Verde, Egito, Suíça, Inglaterra e Espanha (infração do Artigo 15 do Código Disciplinar da FIFA), foram determinadas as seguintes sanções: b.1) multa de US$ 100.000,00 e valor similar, suspenso por um período de 6 meses; b.2) fechamento parcial de 50% (cinquenta por cento) das arquibancadas (principalmente as localizadas atrás dos gols) na próxima partida oficial da nossa seleção masculina principal em casa; b.3) sanção similar à do parágrafo anterior, que será suspensa por um período de um ano, desde que nenhuma infração da mesma natureza e gravidade seja cometida; b.4) a AFA deverá, nos próximos 6 meses, investir o valor da multa na implementação e/ou desenvolvimento de um plano abrangente (que deverá ser aprovado pela FIFA) para garantir ações contra a discriminação e prevenir a repetição de incidentes; e b.5) como alternativa ao fechamento de 50% dos assentos disponíveis, esta Associação Nacional, com a aprovação da FIFA, poderá ocupar 50% dos assentos reservados (ou seja, 25% da capacidade do estádio) com grupos comunitários e/ou de interesse específico (como famílias, estudantes e organizações antidiscriminação). O plano de assentos proposto deve incluir medidas antidiscriminação (por exemplo, espectadores vestindo camisetas antidiscriminação e/ou exibindo faixas antidiscriminação).
  • Pelo arremesso de objetos ao campo por torcedores argentinos durante as partidas contra Suíça e Inglaterra, pelo atraso no início do jogo e pelas violações do protocolo de segurança da FIFA, foi determinada uma multa de US$ 91.000.
  • Em virtude dos incidentes ocorridos após a partida final do torneio, foram suspensos: a) o diretor técnico adjunto Roberto Fabián Ayala por 3 jogos, além de uma multa de US$ 30.000; e b) os jogadores Thiago Almada por 1 jogo (multa de US$ 30.000), Nahuel Molina por 7 jogos (multa de US$ 90.000) e Leandro Paredes por 10 jogos (multa de US$ 90.000).