
Pesquisa do CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool) alerta, no entanto, que ritmo de queda perdeu força a partir de 2019.
O Brasil apresentou uma queda de 19,5% na taxa de óbitos no trânsito relacionados ao uso de álcool quando comparados os anos de 2010 e 2024. O levantamento divulgado pelo CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool) nesta quinta-feira (18.jun) alerta, no entanto, que o ritmo de declínio está perdendo força desde 2019.
A pesquisa foi feita em comemoração ao primeiro Dia Nacional da Lei Seca, comemorado neste 19 de junho, data em que a lei foi assinada em 2008.
Segundo o levantamento, a taxa de mortes atribuídas a combinação de álcool e direção era de 7,7 a cada 100 mil habitantes em 2010. Em 2024, essa taxa caiu para 6,2 — queda de quase 20%.
Já em números totais, foram 15 mil mortes em 2010. Em 2024, esse número caiu para 13.075.
A pesquisa aponta, no entanto, que o Brasil manteve uma queda expressiva no número total de óbitos por álcool no trânsito até 2019, mas, a partir de 2020, o número voltou a crescer.
Veja os números totais de óbitos abaixo:
- 2010: 15.000
- 2011: 15.247
- 2012: 15.746
- 2013: 14.845
- 2014: 15.330
- 2015: 13.555
- 2016: 13.095
- 2017: 12.478
- 2018: 11.471
- 2019: 11.261
- 2020: 11.600
- 2021: 12.004
- 2022: 11.961
- 2023: 12.310
- 2024: 13.075
Ainda segundo o CISA, em 2025 o país já marca 102.440 internações que relacionam direção e álcool — o que representa um aumento de 1,9% em comparação ao ano anterior.
Lei Seca
A Lei Seca está em vigor desde 2008 no Brasil e tem como objetivo restringir o uso ou a propaganda de bebidas alcóolicas em vias públicas, além de obrigar estabelecimentos que vendem ou oferecem o produto a estampar no recinto o aviso de que é crime dirigir sob influência de álcool.
A lei visa inibir e conscientizar os motoristas sobre a prática que pode levar à morte.
O ato de dirigir sob efeito de álcool é considerado, no Código de Trânsito Brasileiro, uma infração gravíssima, com multa de R$ 2.934,70. Além disso, há a suspensão do direito de dirigir por 12 meses, retenção do veículo e recolhimento da CNH.
Perfil das vítimas
Segundo o CISA, a população masculina é a principal vítima desse tipo de acidente, respondendo a 86,7% dos casos fatais e 81,8% das hospitalizações por álcool no trânsito.
Segundo Mariana Thibes, coordenadora do CISA, a Lei Seca representou um avanço na proteção de vidas ao longo desses anos. No entanto, diante dos dados apresentados, é preciso haver intensificação das ações de fiscalização, acesso a atendimento de emergência e ações de prevenção que alcancem especialmente o público masculino.
Óbitos por região
Tocantins foi o estado com mais mortes no trânsito relacionadas ao álcool a cada 100 mil habitantes (13,4). Em seguida está o Piauí (12,1), Mato Grosso (11,1) e Rondônia (10,9).
Veja a lista completa abaixo:
- Rondônia (10,9)
- Goiás (8,9)
- Mato Grosso do Sul (8,7)
- Sergipe (8,6)
- Alagoas (8,4)
- Maranhão (8,3)
- Paraná (8,1)
- Espírito Santo (7,8)
- Pará (7,7)
- Paraíba (7,6)
- Bahia (7,3)
- Ceará (7,2)
- Pernambuco (6,8)
- Roraima (6,7)
- Santa Catarina (6,5)
- Minas Gerais (5,5)
- Rio Grande do Sul (5,4)
- Acre (5,3)
- Rio Grande do Norte (5,1)
- Amazonas (4,6)
- Amapá (4,2)
- São Paulo (4)
- Distrito Federal (3,8)
- Rio de Janeiro (2,6).
*Com informações da CNN Brasil




