Deus e Prosperidade: conheça a história do fundador da Rede de Supermercados Porecatu, José Francisco dos Santos

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Deus, negócios e fé foram pauta da entrevista na Clube FM na última segunda-feira.

 

A Clube 92 FM entrevistou nesta segunda-feira, no programa Sala de Bate Papo, comandado por Antônio Carlos de Camargo, o fundador da Rede de Supermercados Porecatu, José Francisco dos Santos. Em aproximadamente 40 minutos de entrevista, ‘Seu Zé’ falou dos negócios do passado, das projeções pro futuro e, principalmente, de sua fé em Deus e na prosperidade que ele traz.

Hoje a rede conta com três lojas em Votuporanga e seis lojas em Rio Preto (três delas adquiridas na compra da Rede Tome Leve e mais três próprias). Mas no começo da vida de José Francisco não havia tantas riquezas. Na cidade de Porecatu, no norte do Paraná, ele cortava cana, e as coisas eram difíceis. A única coisa que se manteve desde aquela época é sua religiosidade.

“Quando eu era jovem eu pensava em ser ou caminhoneiro ou padre. A religião, religar o homem a Deus, já estava no meu DNA”, diz José Francisco ao entrevistador. O sonho de ser padre, segundo ele, já foi realizado: “padre mexe com a vida espiritual das pessoas, não? E eu sou pastor da minha igreja. Então eu realizei, diferente um pouquinho só, mas sou padre. É uma realização muito grande”.

“Eu vim de Porecatu pra São Paulo ainda como católico, não sonhava mais em estudar pra Padre, porque já tinha deixado meus pais, já dependia do meu trabalho pra sobreviver, com 17 anos e meio fui pra São Paulo pra trabalhar e morar com familiares que já estavam lá”, diz. Tornou-se evangélico ali, por conta de sua esposa, e nunca mais largou.

O primeiro Porecatu

Em São Paulo, José Francisco conseguiu, depois de algum trabalho, um mercadinho, que chamou de Porecatu. Mas ele não estava feliz. “Nesse mercadinho a gente tinha muito assalto, São Paulo naquela época estava ficando cada dia mais violenta”, comenta.

Num desses assaltos, seu Zé foi baleado. “A pessoa me deu 12 tiros frente a frente, eu tava a 1 metro e pouco de distância e ele só acertou um tiro na minha mão”, comenta. Sua vida não ter sido tirada, naquele momento, foi para ele não só um milagre, mas um também um livramento daquela cidade. “Eu estava com a mão pra cima e fiquei todo ensanguentado, eu achei que não chegaria nem até o hospital”, conta.

“Depois daquilo eu já havia visto alguns amigos morrerem nos assaltos, tanto jovens quanto pessoas mais idosas. Eu pedi pra Deus que me tirasse daquela cidade, que eu não queria viver mais lá. Nem que eu voltasse pro meu trabalho de cortador de cana, igual eu era até os 18 anos, lá no Paraná”, diz.

Naquela época e desde então ele conversava muito com Deus, que lhe respondia. Um dos assuntos foi sua loja, o primeiro Porecatu, que era pequena e com prédio alugado, e justo na época de hiperinflação no Brasil. “Eu tinha já comprado um terreninho pra construir uma loja, eu pedia muito a Deus que me desse um prédio próprio, podia até ser pequeno, mas um pouco maior do que o anterior, porque aluguel naquela época era difícil, a inflação era 80%, chegou a 85%, e os donos de imóvel ao aumentar o aluguel não ficavam contentes, e a gente que paga também não fica, então se a gente tiver o da gente é melhor. Eu estava pronto pra não ficar nem 15 dias em São Paulo depois do assalto, mesmo sabendo que São Paulo era o meu lugar, eu gostava de lá”, explica.

Linha direta com Deus

“Eu tenho que envolver um pouco Deus nesse negócio porque minha vida sempre teve controle na direção de Deus”, diz José Francisco. Foi Deus, segundo ele, quem não permitiu que ele saísse de São Paulo tão cedo. “Deus falou comigo através da sua palavra, que é a Bíblia Sagrada, falou tudo o que ia acontecer nos próximos anos. Deus falou da cidade do interior onde iria me abençoar muito, mas, pra isso, eu tinha que obedecer”, comenta.

“Ele tinha uma loja pra mim ainda. Acho que ele queria me mostrar algo maior pra mim. Eu comprei mais uma loja [em São Paulo] mesmo depois do assalto, por obediência a Deus, e fiquei mais 3 anos em São Paulo”, diz.

Em busca da cidade do interior

Estabelecido em São Paulo, sem mais as preocupações de aluguel, José Francisco passou a procurar onde estaria seu paraíso: “nesses quase 3 anos que eu fiquei a mais em São Paulo, a cada 2 ou 3 meses eu saía pra algum lugar do interior procurando uma cidade, porque Deus não me falou qual era a cidade, só falou que eu sairia de São Paulo um dia”.

Nessas primeiras visitas, Ourinhos foi a que mais agradou: “Ourinhos tinha muito pouco supermercado, isso faz 25 anos. E, chegando em Ourinhos, tinha uma loja que tinha acabado de fechar, novinha, na rodovia Raposo Tavares, mas Deus não permitiu e eu continuei andando”.

Passou também por Araraquara, Araçatuba e mais umas dez cidades. “Eu fiz a minha parte”, diz José Francisco. “Isso é uma coisa importante: quem quer vencer na vida não cruza os braços e espera cair do céu. A gente tem que fazer a parte da gente e Deus vai fazer o resto”, comenta.

‘Vai pra Votuporanga, ali é o Paraíso na Terra’

O fundador das redes de supermercado Porecatu comenta como ficou sabendo da existência da cidade de Votuporanga, que faz aniversário hoje: “alguém em Araçatuba soube que eu tava procurando uma cidade no interior, e me convidou pra conhecer a loja deles. Chegando em Araçatuba eu não gostei muito. A cidade já era um pouco grande, e em uma cidade grande eu já estava, não queria outra”. Outro diferencial, segundo ele, era a cidade ter uma faculdade, pra que seus filhos não precisassem se mudar pra estudar.

“Já em Araçatuba, naquela noite, Deus enviou alguém daqui de Votuporanga pra falar pra mim, porque eu estava procurando loja, e ele ouviu”, disse. A frase desse homem foi “Vai pra Votuporanga, ali é o Paraíso na Terra”, segundo os relatos de José Francisco.

“Votuporanga, onde fica isso?” foi sua primeira pergunta.

“Lá perto do Mato Grosso” foi a resposta.

“Meu Deus, to fora”, pensou José Francisco. Mas o rapaz foi insistente, e até levou um ticket do Supermercado Amazonas para ele, e falou “vai pra Votuporanga e compra essa loja”. Ele foi.

José Francisco dos Santos conta suas primeiras impressões sobre Votuporanga: “eu passei no centro da cidade aqui e me perdi, mas já me apaixonei por Votuporanga. Agora tem que ver se Deus vai falar se é Votuporanga, porque eu vou realmente só na direção de Deus”.

Com a boa impressão, o seu Zé do Porecatu voltou com a família e ficou uma semana em um hotel. A resposta divina veio enquanto ele estava na rua Padre Isidoro. “Eu estava na rua andando quando Deus usou um jovem pra falar comigo: ‘você é esperado nessa cidade, Deus mandou te avisar isso’. Deus é mistério, aquele que tenta se aproximar de Deus a vida muda”, relata ele.

A expansão

Com três lojas em Votuporanga, um crescimento da empresa obrigaria uma mudança de cidade. “Foi quando em 2011 conseguimos a primeira loja em Rio Preto. Foi sucesso puro na primeira loja”, diz.

Depois da primeira veio a segunda e a terceira, a maior de todas. E depois disso veio a rede Tome Leve, comprada por seu Zé. A rede veio em 2016, época de crise no Brasil. “A crise vem pra todos. A gente foi para os pés de Deus pra pedir ajuda, e Deus começou novamente a nos orientar”, diz.

Então vieram as reuniões com os sócios da Tome Leve. “Não foi muito fácil não porque meus filhos não aceitavam, nós também estávamos muito apertados na época”, conta, e depois prossegue: “ficamos o dia inteiro negociando. Fora os dois meses que nós trocávamos mensagens, eu e eles, sem meus filhos. Mas no dia foi realmente como Deus falou”.

Conta José Francisco: “faltando umas duas horas pra encerrar aquilo ali, talvez umas 16h da tarde, Deus começou a me incomodar: ‘cadê a pasta?’.

Deus havia prometido alguns sinais pra ele. Um deles era uma pasta.

“Eu falei ‘quem de vocês que tem uma pasta de executivo?’. Ele se assustou um pouco e falou ‘Sou eu, Seu Zé’, e rodou a cadeira e pegou atrás dele a pasta, justamente como Deus havia falado comigo. Ele falou ‘mas por que Seu Zé?’, e eu falei ‘é porque Deus falou comigo que era assim, meus filhos estão sabendo disso, e você fica sabendo agora. Mas você fica em paz porque se Deus está no negócio vai ser bom pra mim e pra vocês’. Então tudo é na orientação de Deus”, conta. E assim foi fechado o negócio.

Sobre o sequestro

Seu Zé conta como foi o sequestro pelo qual ele passou. “Isso foi um pouco assustador sim, a minha esposa até quis voltar pra São Paulo”.

“Muitas vezes Deus permite alguma coisa na nossa vida pra que a gente passe o exemplo pros filhos, para as pessoas. Você pega a Bíblia, de Gênese ao Apocalipse a Bíblia é só exemplo. Quantas pessoas entraram dentro da cova [dos leões] e não foram atingidos? Mas entraram, Deus as vezes permite”, conta ele, resignado.

Os assaltantes estavam em um grupo muito forte, levaram todos os familiares de José Francisco até um matagal. “Quando estava lá eu falei com Deus. Estava só esperando acontecer o pior. Eu falei ‘Deus, o que aconteceu? Vou terminar minha vida por aqui desse jeito? Agora chegou o momento final, se o Senhor não agir, então me prepara direitinho que eu quero estar na eternidade contigo’.”, conta.

Então ele recebeu um sinal: “talvez as pessoas não acreditem. Eu vi, quando eu estava dentro daquele matagal, como se abrisse o céu e eu visse tudo bem claro, então eu vi que Deus iria fazer algo ali. Nós fomos devolvidos. Foi triste, sim, pra quem veio pra cá por causa de segurança, passar por uma dessa, ver na sua casa metralhadora, coisa que eu nunca vi nem em São Paulo”.

E sobre o futuro?

Muitas cidades estão no radar do Porecatu. Catanduva, Mirassol, Jales, uma quarta loja na Zona Norte de Votuporanga, uma sétima loja em Rio Preto, mas a mais adiantada nesse sentido é a de Fernandópolis, onde pesquisas estão sendo feitas para se verificar a viabilidade de uma loja.

Outra tentativa de expansão foi a compra do Laranjão, mas que não deu muito certo. “O Laranjão é um grande concorrente nosso. A gente foi lá pra cidade deles e eles não gostaram muito”, diz seu Zé.

“Vou abrir o jogo aqui. As minhas promessas são muito grandes. Vou falar algo que nunca falei em jornal, nem em rádio, em lugar nenhum, nem pros filhos. Eu ainda to no começo”, diz José Francisco, sobre as promessas que Deus fez pra ele. “Elas são tão grandes que se eu falar nem meus filhos acreditam. Eu tenho papéis guardados pra quando acontecer, tem data, tem assinatura minha, do que Deus tem projetado pra minha vida”, conclui.

“O Porecatu partir do ano que vem vai ser uma empresa que vai crescer muito rápido”, finaliza José Francisco dos Santos.