Coluna Votuporanga Antiga – Brasão de Armas – O primeiro e o seu significado

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Em 1957, vinte anos após a fundação de Votuporanga, torna-se lei o Brasão de Armas do município. Idealizado pelo Sr. Sebastião Almeida Oliveira, estudioso de Heráldica, (ciência cujo objeto de estudo é a origem, evolução e significado dos emblemas blasônicos, assim como a descrição e a criação de brasões). O símbolo recebeu a ilustração do artista plástico Itajahy Martins e possui como embasamento, a Lei 274, datada de 07 de agosto de 1957. Para tal são confeccionados dois exemplares em forma de pintura a óleo, um deles foi para a coleção do Museu Paulista e outro está presente no Memorial da Câmara Municipal. Na próxima semana iremos abordar sobre o atual brasão.  Tratemos neste texto, do primeiro símbolo elaborado.

Primeiro Brasão de Armas.

 

Conforme a Lei Municipal nº 274/57, fica assim descrito o significado do Brasão:

 

Simbolismo do Brasão: Escudo, redondo português: Lembra nossa tradição lusa, a descoberta e a colonização do Brasil.

Campos do Brasão: A prata lembra a vitória e a pureza de ideias. O Blau (azul) é o saber, a lealdade e a beleza e grandeza das ações.

Coroa Mural: É o símbolo do município, ou seja, da divisão político-administrativa de Votuporanga. Contém três torres, por ser hoje de praxe assim, inclusive o de São Paulo. É de ouro, para lembrar a riqueza das terras onde está chantada a cidade, e a força, a fé e a constância de seu povo, tendo abaixo as iniciais do Estado de São Paulo.

Mata densa: Recorda os pródromos da fundação quanto Votuporanga constituía um grande feudo de doze mil alqueires de terras pertencentes à Firma Theodor Wille & Cia. Ltda. sob cujos fazenda, e significa, em tupi-guarany, o local dos bons ventos, e por extensão – bons ares, bonitos ares; é composto de votu ou mais propriamente botú, que significa ventos, ares, brisas e poranga, que se traduz por bonito, bom a exemplo de Botucatu, Buenos Aires, etc. Esse foi o nome que figurou na ata da fundação da cidade e como tal merece ser perpetuado.

Cruz: É a um só símbolo cristão e marco sagrado da fundação de urbes; no fundo a paliçada, ou nicho de ramos onde foi celebrada a 1ª missa, foi redigido no mesmo local, onde hoje se encontra aos 08 de agosto de 1937, junto ao qual Pe. Isidoro Paranhos celebrou a primeira missa, repetindo, 437 anos após o feito de Frei Henrique de Coimbra em relação ao Brasil.

Engrenagem, capacete alado de mercúrio, livro, pena, etc.: Simbolizam a indústria, o comércio e a agricultura irmanados num só ideal qual o de elevar Votuporanga aos pináculos da fama e do progresso. O livro e a pena expressam cultura, espiritualidade. São eles atestados vivos de que seu povo, embora devotado às lides materiais também não se esquece das aquisições do espírito a exemplo de seus estabelecimentos de ensino, a Santa Casa monumental, templos religiosos, jornais e a novel rádio emissora prestes a funcionar.

Ramos de café e de algodão, pradaria, etc.: Lembram o vigor feracíssimo das terras vicindárias, os produtos da lavoura, as pastagens intérminas povoadas de reses e o homem cultivando a gleba.

Datas: à dextra e à sinistra vemos datas que evocam a fundação da cidade e a elevação a distrito, município e comarca, fato virgem e inédito Brasil afora, 8 de agosto de 1937 recordava sua recente fundação a 30 de dezembro de 1944 o decreto estadual que elevou Votuporanga de simples zona distrital aos foros de distrito de paz e ainda de município e comarca.

Fervet opus in dominia mea: Legenda em latim, inscrita no listel de prata, com letras em goles e significado: o labor se desenvolve em meus domínios, ou seja, Votuporanga, oficina de trabalho incessante irradiará sua fama e notoriedade para todos os recantos do mundo graças ao labor perseverante de seus filhos.

Arco geométrico: Designa a formação topográfica do terreno onde se assenta a cidade sabiamente colocada num dos contra-fortes do divortium-aquarum Preto – São José dos Dourados, e onde se acham as cabeceiras do ribeirão do Marinheiro.

 

Artista plástico Itajahy Martins

 

Sebastião Almeida Oliveira

 

Bibliografia e imagens: Ravel Gimenes – Câmara Municipal de Votuporanga – Aparecido Santana – Museu de Arte Contemporânea Itajahy Martins