O que vai fazer esse carnaval?
Vai viajar?
Vai pro clube?
Vai pro bloco?
Ou vai dizer que “não gosta muito”, mas já está separando a fantasia?
Carnaval é isso: planejamento leve, alegria, encontro com amigos. É aquele momento do ano em que a gente relaxa um pouco as regras. Dorme mais tarde, acorda mais tarde, come o que não devia e responde mensagem sem pensar muito.
E é justamente aí que está a “pegadinha”.
No meio da música alta e do celular na mão, alguém grita: — “Escaneia aqui que ganha desconto!”
Você aponta a câmera, preenche nome, telefone, e-mail… às vezes até CPF. Tudo rápido. Afinal, é Carnaval.
Mas deixa eu te fazer outra pergunta: – Você lembra para quem entregou seus dados no Carnaval do ano passado?
Provavelmente não. Só que seus dados lembram.
Carnaval é distração. E distração é oportunidade.
Tem o cadastro para entrar no camarote.
Tem o sorteio do “kit open bar”.
Tem o aplicativo do evento pedindo acesso à sua agenda.
Tem o Wi-Fi gratuito da praça lotada.
Você aceita tudo porque quer curtir. E está certo.
O problema é que dado pessoal não entra em clima de folia.
Enquanto você dança, alguém está coletando.
Enquanto você posta story, alguém está armazenando.
Enquanto você se diverte, alguém pode estar organizando sua informação numa planilha.
Não é paranoia. É realidade.
E para quem trabalha no Carnaval, o cuidado é dobrado
Se você tem bar, restaurante, evento, clínica ou comércio que funciona nessa época, atenção.
Não é porque é Carnaval que a responsabilidade tira folga.
Se vai pedir cadastro para promoção, explique por quê.
Se vai anotar telefone para mandar oferta depois, informe isso claramente.
Se vai guardar lista de presença, proteja.
Aquele papel com nome e telefone jogado na lixeira comum pode virar problema.
Aquela planilha enviada no grupo errado pode virar exposição.
Aquela foto do evento com alguém identificável ao fundo pode virar reclamação.
E em cidade do interior, você sabe: notícia corre rápido.
Pense no seguinte cenário:
Quarta-feira chega, a fantasia volta para o armário, a maquiagem sai, a vida volta ao normal.
Mas o cadastro que você fez “rapidinho” continua existindo.
O telefone que você deixou para “ganhar desconto” pode virar ligação insistente.
O CPF informado sem pensar pode circular mais do que confete.
Então aproveite. Curta. Viva o Carnaval.
Mas não entregue seus dados com a mesma facilidade com que entrega um sorriso para a câmera.
Porque purpurina sai no banho. Ressaca passa.
Mas vazamento de dados… esse pode durar o ano inteiro.
*Christiano Guimarães – consultor em Segurança da Informação e autor do livro Como Adequar Minha Empresa à Lei Geral de Proteção de Dados – Um Guia Prático




