Inconformado após a filha, de 13 anos, sair da unidade de saúde com dores, após cerca de quatro horas de espera, com uma receita e sem medicação ou exames, o munícipe cobrou providências: “Pai nenhum aguenta ver a filha sofrendo sem saber o que fazer.”
Jorge Honorio
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A qualidade do atendimento das unidades de saúde de Votuporanga/SP voltou a ser questionada durante a 18ª sessão ordinária da Câmara Municipal, desta segunda-feira (25.mai). Os questionamentos não são recentes, são reflexos de inúmeros desabafos de votuporanguenses nas redes sociais, assim como abordagens incisivas de alguns vereadores nas últimas sessões do Poder Legislativo local.
Nesta segunda-feira, logo no início dos trabalhos, o munícipe James Castro, pai de uma adolescente de 13 anos, adentrou o Plenário Dr. Octávio Viscardi decidido a se fazer ouvir: revoltado e emocionado, o homem, que trazia uma receita nas mãos, pedia providencias após a filha, segundo relato dele, passa cerca de quatro horas aguardando atendimento Pronto Atendimento Fortunata Germana Pozzobon, o conhecido Mini-Hospital do Pozzobon no Mini-Hospital, e sair sem medicação ou exames.
“Minha filha estava com fortes dores abdominais e vomitando, já estava sofrendo. Lá pelas 14h15 ela foi para o hospital, acompanhada de minha esposa, e ficou lá aguardando atendimento médico. Lá pelas 17h e pouco eu falei, mas o que está acontecendo? Tudo isso aqui minha filha não foi medicada ainda? Não passou pelo médico e ela lá gemendo de dor. Peguei e liguei para o Emerson [vereador Emerson Pereira], dali a pouco deram um sinal de luz e levaram ela lá para dentro, depois liberaram ela com uma receita e com as mesmas dores. Não medicaram, não pediram um exame, nada. Do jeito que ela foi, ela voltou. Esperar quatro horas para isso aí, para nada”, desabafou o pai.
“Aí ela me falou que continuava com dor, conversei com a minha esposa e procurei uma farmácia, pedindo pelo amor de Deus. Aí ele aplicou uma medicação e agora ela está lá em casa, ainda com dor e sem diagnóstico. Me senti indignado. Por que você acha que é certo esperar quatro horas para isso? Eu sei que espera, a saúde está precária, mas fazer a pessoa com dor esperar quatro horas e quando você é atendido, a pessoa olha para você e diz: ‘é aqui que está doendo? Vou receitar aqui, você vai lá e compra.’ O certo não seria medicar a pessoa até cortar essa dor e depois liberar com a receita para casa, caso necessário?”, questiona.
“Pai nenhum aguenta ver a filha sofrendo, gemendo de dor, sem saber o que fazer”, emendou.
A revolta do pai com a rede municipal de saúde de Votuporanga não é exclusiva, a mãe Layra compartilhou a experiência enfrentada na mesma unidade de saúde: “A escola da minha filha me avisou que ela estava com dores abdominais às 12h30. Cheguei às 13h lá para o atendimento e só sai às 17h, detalhe, acredito que se eu não tivesse dado o show lá, eles teriam enrolado mais, porque ela foi chamada após as 16h, isso tudo porque eu gritei lá dentro e ameacei de quebrar tudo. Gritei em alto e bom tom, se não atender minha filha logo eu vou descer o capacete em tudo aqui e pode chamar a polícia. A saúde pública de Votuporanga está uma vergonha.”
Durante a sessão, vereadores abordaram os casos envolvendo a saúde em Votuporanga, como o presidente da Câmara, vereador Daniel David (MDB): “Ninguém quer o mal para a cidade, pelo contrário, nós estamos aqui para poder ver a cidade cada vez melhor. E aqui vem enxurradas de reclamações, de pedidos, e nós estamos aqui para fazer o melhor. E quando coloca na tribuna alguma situação de saúde, ou, igual o Moreno falou do trânsito, nós não estamos aqui para criticar porque está errado, nós estamos aqui para mostrar que precisa melhorar.”
“Mas, se olha a secretária, nós estamos dando aqui, a mesma coisa de entregar o celular, está aqui, faz a ligação, está dando pronto para ela, para resolver onde está o erro. Então, assim, nós vimos que Mini-Hospital do Pozzobon e UPA, hoje nós não temos uma pessoa que tramita ali dentro das duas situações, para ver os erros e apontar. Isso nós estamos fazendo. Nós estamos dando de mão beijada. Ali está com dificuldade de atendimento, ali está assim, está fácil para resolver a secretária. Então, coloca aí alguma pessoa aí dentro, que corra aí, o Mini-Hospital do Pozzobon e UPA, que vá lá falar com os médicos, que vá lá organizar alguma situação. Agora, nós vimos o caso aqui, é só conversar, dar um soro, tinha resolvido, não precisava voltar, mais um chamado, mais uma pessoa para ser atendida novamente. Então, assim, eu quero pedir à secretária de saúde que tenha um pouquinho mais de olhar para o Mini-Hospital de Pozzobon e para a UPA, porque nós estamos com reclamação demais aqui na Câmara. E não está difícil de amenizar, é só querer”, concluiu Daniel David.
O Diário procurou a Prefeitura de Votuporanga para constatar qual o tempo médio de espera para atendimento médico nestas respectivas unidades ou se houve um aumento atípico no número de pessoas enfermas, contudo, não houve resposta.





